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07/02/2012 - Galileu Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Você pode ter participado dos ataques feitos pelo Anonymous

Por: Amanda Camasmie

Saiba por que o seu computador pode ter sido um “laranja” na operação dos hackers e aprenda a se proteger.

O grupo de hackers Anonymous Brasil atacou mais de dez sites ao longo da última semana. Entre eles estiveram as páginas do Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, HSBC e Banco Central.

Os bancos brasileiros investem valores expressivos em segurança da informação. Os gastos anuais chegam a R$ 9,4 bilhões em sistemas de segurança física e eletrônica, de acordo com a Febraban (Federação Brasileira dos Bancos). Em Tecnologia de Informação (TI), o investimento chegou a R$ 22 bilhões, em 2010. Esse montante faz do setor bancário o dono da maior fatia do mercado brasileiro de TI, que já é o oitavo maior do mundo e representa 4% do PIB (Produto Interno Bruto) no país.

Se as instituições financeiras investem tanto em tecnologia, por que elas estão tão vulneráveis aos ataques virtuais? “Não tem como evitar que isso aconteça. É possível fazer um controle, mas vai depender muito do tamanho do ataque. Se ele for maior do que a sua velocidade disponível, consegue tirar o site fora do ar”, afirma José Antunes, gerente de Engenharia de Sistemas da McAfee.

Ou seja, os hackers conseguem atacar os sites em uma velocidade muito maior do que os sistemas de defesa. “É um ataque tão grande que, mesmo com essa tecnologia toda, não existe uma forma simples de deter essa ação”, diz Antunes.

E por que esse ataque é tão grande? Há milhares de hackers espalhados por aí? Não. Existem pessoas, como pode ser o seu caso, que participaram desses ataques indiretamente.

Se o usuário fizer downloads piratas de filmes, séries e músicas em uma página falsa, ele poderá instalar um botnet (ou rede de robôs) em seu computador. Esse robô ficará escondido na máquina. “É diferente do vírus, eles deixam o seu computador lento, sem que você perceba que há um problema”, aponta Antunes. “Quando fazem ataques, eles estão mandando um comando para todos os robôs instalados nas máquinas das pessoas”, conta o engenheiro.

Esses ataques são chamados tecnicamente de Ataques de Negação de Serviço (DDOS – Distributed Denial of Service). Não visam a invasão, em que há roubo de dados e acesso a informações bancárias. O objetivo é causar um congestionamento, impedindo que as pessoas acessem o site. Imagine uma avenida muito grande. Quando ela está lotada, não está ainda em um estágio de “Negação de Serviço”, porque existem semáforos, um fluxo ordenado. Quando ocorrem os ataques, é como se esses semáforos fossem desligados e uma avalanche de acessos "derruba" o site.

Com esses congestionamentos, o Anonymous diz que seu objetivo é “lutar contra a corrupção e a desigualdade”, segundo um membro do grupo em um vídeo exclusivo enviado a Época NEGÓCIOS. “É o chamado hackerativismo, que é uma forma de protesto”. No vídeo, o integrante também confirma que não há motivos para a população se preocupar com o roubo de informações. “Não deixamos brechas para nenhum tipo de ataque. Não somos crackers e sim ativistas”, diz.

Esses tipos de ataques não são novos. Em 1988 houve a primeira detecção. No Brasil, as ações começaram a ficar mais populares recentemente porque a quantidade de computadores é maior agora. Em 2011 foram registrados 85 milhões de computadores em uso, o que significa que quatro em cada nove brasileiros têm uma máquina, de acordo com a pesquisa Mercado Brasileiro de Tecnologia de Informação (TI) e Uso nas Empresas, divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ou seja, já dá para começar um bom exército.

Os ataques são legítimos?

Na avaliação de Patrícia Peck, advogada especialista em Direito Digital e sócia fundadora do escritório Patricia Peck Pinheiro Advogados, a resposta é não. “É uma infração à ordem econômica porque os consumidores são prejudicados com as ações”.

A advogada acrescenta que existe um motivo justo para o protesto, mas que o ato não pode ser justificado quando há dano ou ameaça à disponibilidade de um serviço essencial para a população. “É um crime contra o consumidor”, diz.

Como ainda não há uma lei específica para punir o terrorismo digital, os órgãos de defesa também não podem agir. De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Federal, a PF só poderia agir se houvesse algum interesse da União em jogo. Como foram atacados apenas bancos privados, a PF não entra no circuito. A situação pode mudar se o Anonymous atacar o site da Caixa Econômica Federal. O Banco do Brasil, atacado pelo grupo, também não está na área de atuação porque é uma sociedade de economia mista.

A Polícia Civil tem um departamento específico para atuar contra crimes digitais ancorado no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), mas também não há nenhuma atuação porque os ataques são considerados “crimes por danos”. De acordo com a assessoria de imprensa do DEIC-SP, as investigações só poderiam acontecer se os bancos os acionassem. O que, segundo o DEIC, não aconteceu. A assessoria acrescentou que o fato de serem ataques de pessoas anônimas também dificulta o processo.

Por que os bancos não agem?

“Nenhum banco fará isso isoladamente, porque ele pode sofrer represálias. Seria necessário que todas essas instituições se unissem para agir contra esses ataques”, afirma Patricia Peck. Caso os integrantes do grupo fossem descobertos e os bancos quisessem agir, eles poderiam ser condenados a penas de cinco a dez anos de prisão, sob a alegação de terrorismo digital, de acordo com a advogada.

Mas, segundo Patrícia, quem deveria mesmo agir é o governo. Segundo ela, os projetos nessa área de responsabilidade do Ministério da Defesa ainda são muito embrionários. “Os bancos e as empresas afetadas deveriam questionar sobre segurança no país”, afirma.

Na visão do Anonymous, o chamado “terrorismo digital” é, sim, feito por uma causa justa, a luta contra a corrupção. Poderia ser o mesmo cenário de manifestantes que protestam nas ruas da cidade e atrapalham o trânsito. "A manifestação só é válida se for pacífica. O manifestante está sujeito a ser preso se há algum tipo de desordem, como quebrar a vitrine de uma loja, por exemplo. É como se jogassem uma pedra na fachada do banco, gera um ônus público. Mas sem uma lei, no campo digital esses ataques ficam ‘soltos’”.

Protestos “pacíficos”, portanto, são legítimos. “Precisa ser sutil, como uma pichação digital, em que os hackers entram e colocam uma mensagem de protesto nos sites. Eles estariam em um limite bem sutil no ato de protesto, não acarretaria um dano aos consumidores”, afirma Patrícia.

A advogada afirma que é importante promover um trabalho de educação digital. “As pessoas precisam saber que podem protestar, só basta saber a melhor forma de fazer isso”.

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