Monitor das Fraudes - O primeiro site lusófono sobre combate a fraudes, lavagem de dinheiro e corrupção
Monitor das Fraudes

>> Visite o resto do site e leia nossas matérias <<

CLIPPING DE NOTÍCIAS


ÚLTIMOS TREINAMENTOS DE 2017 SOBRE FRAUDES e DOCUMENTOSCOPIA

Veja aqui a programação dos últimos treinamentos sobre Falsificações e Fraudes Documentais (16/11) e sobre Prevenção e Combate a Fraudes em Empresas (30/11).

Acompanhe nosso Twitter

14/12/2011 - Diário de Notícias Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Tribunal julga ex-gerente que provocou desfalque de 154 mil euros

Sentença será a 10 de Janeiro de 2012.

O Tribunal de Vara Mista do Funchal julgou esta manhã o ex-gerente do Banif da agência do 'Madeira Shopping' acusado da prática de um crime de abuso de confiança qualificada, um crime de infidelidade e um crime de falsificação.

O caso remonta a 2005/2006 altura em que o arguido, agora com 57 anos, terá efectuado um desfalque à instituição superior a 154 mil euros. Dinheiro que o banco teve de repor na conta dos clientes.

O 'modus operandi' foi a transferência de dinheiro de contas de clientes do Banif, a maior parte deles emigrantes.

Esta manhã, em Tribunal, o arguido confessou os factos e disse que teve de o fazer porque foi ameaçado por um terceiro indivíduo.

Face à confissão, o tribunal dispensou as testemunhas e apenas ouviu algumas que foram arroladas pelo Banif no âmbito do pedido cível.

Segundo a acusação deduzida pelo Minsitério Público (MP), o arguido, natural do Funchal mas actualmente a residir em Lisboa, foi gerente da agência do 'Madeira Shopping' desde 14 de Abril de 2005. Nessa qualidade, a 17 de Janeiro de 2006, desviu 15 mil euros da conta a prazo de um cliente sem que este tivesse conhecimento. Dinheiro que foi transferido, no mesmo dia, para uma conta do terceiro/beneficiário, "com quem o arguido, à data dos factos, mantinha um relacionamento pessoal".

No dia 9 de Dezembro de 2005, um cliente ordenou a transferência de 50 mil euros mas, por lapso, só foram transferidos 5 mil euros. Para correcção da operação, nesse mesmo dia, foi feita outra operação de transferência de 45 mil euros. Acontece que a 16 de Janeiro de 2006, 30 mil euros dessa conta acabaram na conta do alegado indivíduo que o ameaçava. Para compensar o desfalque de 50 mil euros foi utilizada a conta de um terceiro cliente do Banif, invocando "instruções telefónicas" do cliente.

A 20 de Janeiro de 2006, também invocando "instruções telefónicas" (outra justificação utilizada em operações bancárias foi a expressão "regularização"), o ex-gerente transferiu 15 mil euros da conta a prazo de uma outra cliente como forma de repor o depósito a prazo indevidamente mobilizado do cliente anterior.

As verbas iam sendo repostas à medida que os clientes iam reclamando mas recorrendo a práticas irregulares e contas de outros clientes. Tudo, diz o MP, em "violação dos seus mais elementares deveres de idoneidade, honestidade, lealdade, da ética e da deontologia profissional bem como da actuação conscienciosa que lhe impõem as obrigações laborais do sector bancário".

Para o MP, o acusado violou repetidamente as normas do banco, das quais fez "tábua rasa", com "prejuízo para a imagem e credibilidade" deste.

Todas as movimentações bancárias foram detectadas numa auditoria interna feita pelo Banif.

Ao coletivo de juízes presidido por Filipe Câmara, o arguido justificou a situação com um negócio mal sucedido com o beneficiário dos valores transferidos.

Ao tribunal, o arguido explicou que, na sequência desse negócio não concretizado, exigiu a devolução da verba que entregou, de 70 mil euros, mas passou a ser chantageado e ameaçado. As ameaças eram também dirigidas aos seus filhos, situação que o obrigou a ausentar-se, por duas vezes, para o Brasil.

O ex-gerente, que actualmente trabalha num 'call center' em Lisboa, adiantou que acabou por fazer queixa das ameaças e coacções, tendo o inquérito sido arquivado por "falta de provas".

Nas alegações finais, o procurador da República considerou que o arguido tentou justificar o "injustificável", referindo-se à queixa que apresentou contra a pessoa que foi beneficiada com os valores retirados das contas.

"O arguido apropriou-se de valores para os fazer seus e depois os entregar", sustentou o magistrado do MP, considerando que a versão de que fugiu para o Brasil porque "estava a ser ameaçado" mas "mantendo o mesmo número de telemóvel não faz qualquer sentido".

"Não colheu [a ameaça] aquando da participação criminal, não irá colher aqui", declarou o procurador da República, que pediu uma "pena próxima dos cinco anos de prisão", mas admitiu a sua suspensão com a obrigatoriedade de o arguido entregar, em igual período, o valor com que lesou o Banif.

Já o advogado do banco, que se constituiu assistente no processo, subscreveu as alegações do MP, referindo que a situação abalou a "imagem de confiança e credibilidade" da instituição.

Por seu turno, a advogada do arguido salientou a relevância da confissão "integral e sem reservas, com excepção do dolo", do arguido, primário, realçando ainda que este manifestou arrependimento ao tribunal.

Feitas as alegações finais, a leitura do acórdão ficou agendada para 10 de Janeio de 2012, às 14 horas.

Página principal do Clipping   Escreva um Comentário   Enviar Notícia por e-mail a um Amigo
Notícia lida 334 vezes




Comentários


Nenhum comentário até o momento

Seja o primeiro a escrever um Comentário


O artigo aqui reproduzido é de exclusiva responsabilidade do relativo autor e/ou do órgão de imprensa que o publicou (indicados na topo da página) e que detém todos os direitos. Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores. O site "Monitor das Fraudes" e seus administradores, autores e demais colaboradores, não avalizam as informações contidas neste artigo e/ou nos comentários publicados, nem se responsabilizam por elas.


Patrocínios




NSC / LSI
Copyright © 1999-2017 - Todos os direitos reservados. Eventos | Humor | Mapa do Site | Contatos | Aviso Legal | Principal