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14/12/2011 - Diário de Cuiabá Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

O golpe do Plano Collor

Por: Alecy Alves

Presidiários continuam tentando tirar dinheiro de pessoas dizendo que elas têm direito a indenizações.

A Polícia faz uma alerta: consumidor, esteja atento aos riscos de golpes praticados por estelionatários, seja na abordagem pessoal ou via telefone.

Os golpistas aproveitam essa época do ano, quando há mais dinheiro circulando no comércio por conta do pagamento do 13º salário – além de mais consumidores em compras - para intensificar suas ações.

Uma das modalidades de golpe que está se tornando comum vem dos presídios. Presidiários se passam por advogado ou representantes de escritórios de advocacia que moveram ações contra o governo federal para receber diferenças salariais decorrentes de perdas de planos econômicos de gestões passadas.

Usando telefones celulares e citando principalmente o “Plano Collor”, os detentos, até então doutores, pois é como se identificam, “informam” o montante a que o trabalhador abordado teria direito.

O recebimento, porém, está condicionado à antecipação de um determinado valor, que seria a comissão do advogado. O golpista informa o valor e indica uma conta bancária para o depósito, prometendo liberar o “prêmio” da vítima assim que a comissão for creditada na conta dele.

Um homem que se identifica como “Dr. Olavo Novaes”, que seria um presidiário de Fortaleza (Ceará), vem aplicando esse golpe desde 2009. Em Cuiabá, ele tentou aplicar esse golpe na servidora pública municipal Jandira Pedrollo, em setembro de 2009.

Ele disse que Jandira tinha direito de receber do INSS R$ 38 mil referentes a perdas acumuladas no “Plano Collor”, além de um benefício de dois salários mínimos ao mês durante 10 anos, desde que fizesse um depósito de R$ R$ 996,75 na conta dele.

Jandira desconfiou da promessa e, obviamente, não fez o depósito. Ela disse que ainda tentou obter o maior número de informações possível para apresentar queixa na polícia ou dar publicidade ao golpe como forma de proteger outras pessoas da ação dos bandidos.

Ontem, o “Dr Olavo Novaes” tentou aplicar esse mesmo golpe em uma aposentada na cidade de Divinópolis, Minas Gerais, que preferiu não ser identificada. Ela, suspeitando da promessa, procurou a financeira onde costuma tomar dinheiro emprestado.

A funcionária da empresa decidiu fazer uma pesquisa na internet a partir do nome usado pelo golpista, quando descobriu que ele já havia sido denunciado em Cuiabá, sendo citado inclusive na reportagem do Diário intitulada: “Casos de estelionato abarrotam delegacias”.

Em ligação feita ao jornal, a aposentada agradeceu, dizendo que não caiu no golpe só por causa da publicação. Contou, ainda, que ao retornar a ligação para o celular do “Dr. Olavo” e dizer que ele era um golpista que poderia ser preso, o homem respondeu: “preso como, se já estou no presídio?”

No site do jornal, em 6 de setembro de 2009, a matéria recebeu comentários de pelos menos 20 leitores de estados como Rio de Janeiro, Minas, Minas Gerais e Bahia sobre experiências similares com o mesmo golpista.

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