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20/10/2004 - Valor Econômico Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Investigação de fraudes ganha mercado no Brasil

Por: Carolina Mandl e Talita Moreira

Quase inexistente poucos anos atrás, esse mercado está ganhando importância para as auditorias.

Os escândalos empresariais no exterior e o estabelecimento da Sarbanes-Oxley, nova lei corporativa americana, deflagraram a procura por serviços de investigação financeira no Brasil. Quase inexistente poucos anos atrás, esse mercado está ganhando importância para as auditorias. "As empresas estão mais preocupadas com fraudes", afirma o sócio da KPMG Werner Scharrer.

Na PricewaterhouseCoopers, sete dos oito clientes que a auditoria atende neste momento em sua unidade de controle de riscos a contrataram para casos de investigação financeira. Até o fim do ano, a KPMG vai abrir um segundo escritório, no Rio, para atender esse nicho. Na Deloitte, a área já representa 10% do faturamento. "Antes, a demanda para esse tipo de serviços era quase zero", afirma Carlos Asciutti, sócio da Price.

A grande procura pelos trabalhos de investigação em balanços vem das filiais de companhias americanas, reflexo da exigência crescente por mais transparência nos EUA. Algumas empresas estão implantando uma espécie de "disque-fraude" - número de telefone para receber denúncias anônimas.

Para apanhar os golpistas, vale até treinamento com investigadores do Birô Federal de Investigações (FBI) e da Agência Central de Inteligência (CIA), como faz a Price. Nos casos mais complexos, as auditorias contratam advogados e empresas especializadas.

As normas mais severas também estão levando as companhias a reforçar seus sistemas de auditoria interna. Levantamento feito pela Deloitte com 250 empresas de todo o mundo mostra que 74% delas elevaram o orçamento de auditoria interna neste ou no último exercício fiscal.

Lei mais rígida eleva procura por investigação de fraude financeira

Os escândalos corporativos no exterior e o estabelecimento da Lei Sarbanes-Oxley aumentaram a demanda por serviços de investigação prestados pelas empresas de auditoria. O recrudescimento das exigências abriu um mercado que era quase inexistente.

Com as novas regras, aumentou a responsabilidade de administradores e auditores sobre os números das empresas, daí a procura maior.

Na PricewaterhouseCoopers, dos oito clientes que a firma estEá atendendo na área de controle de riscos neste momento, só um não é referente a investigações financeiras. "Antes, a demanda para esse tipo de serviços era quase zero", afirma Carlos Asciutti, sócio responsável pelos serviços de investigações da Price.

Até poucos anos atrás, o papel dos auditores-detetives era apenas descobrir o caminho tortuoso de dinheiro desviado, golpes envolvendo estoques e superfaturamento em compras e vendas. Isso tudo continua acontecendo. Mas os tempos mudaram.

O novo mercado levou a Price a formar um time especializado em casos de fraudes financeiras. A equipe tem 40 funcionários e é constituída por auditores, economistas e advogados tributaristas. A área representa hoje 5% do faturamento da Price.

Na KPMG, o departamento dedicado às investigações surgiu timidamente há três anos, em São Paulo, com dois funcionários. Hoje já são 11 e a empresa quer contratar outras três pessoas até o fim do ano, além de abrir uma unidade no Rio de Janeiro.

"As empresas estão mais preocupadas com a fraude", explica Werner Scharrer, sócio de litígios e forense da KPMG.

Pesquisa feita pela auditoria com as mil maiores empresas brasileiras em 2002 mostrou que 76% delas já haviam sido vítimas de fraudes e que, para 64%, a freqüência dos ataques iria aumentar. Segundo 46% dos entrevistados, a maior fonte de deslizes é o funcionário.

Criada em 1998, a área de controle de riscos na Deloitte já soma 10% do faturamento no Brasil e tem 250 funcionários. Foi a área da empresa que mais cresceu nos últimos anos.

A pressão maior por transparência também tem levado as empresas a dar mais atenção aos serviços de auditoria interna, diz Marcelo Alcantara, sócio da Deloitte responsável pela área de controle de riscos.

Levantamento feito pela Deloitte em julho com 250 empresas de todo o mundo revelou que 74% aumentaram o orçamento de auditoria interna neste ou no último exercício fiscal.

A grande demanda pelos serviços de investigação vem das filiais de empresas americanas - reflexo da cobrança crescente por transparência nos EUA.

Mas, para Alcantara, não é apenas a preocupação com as regras mais rígidas que tem levado as empresas a dar mais atenção aos controles internos. "Em um contexto mais competitivo, elas estão mais preocupadas em evitar perdas", afirma.3

Parece coisa de filme, mas para pegar os "espertinhos" vale até treinamento com investigadores do Birô Federal de Inteligência (FBI) e da Agência Central de Inteligência (CIA), nos EUA, como faz a Price. "Eles aprendem a entrevistar e a saber se alguém está mentindo", diz Asciutti.

Na KPMG, os "espiões" têm aulas nos escritórios nos EUA para aprender como levantar evidências e agir com as informações. Ou, no caso da KPMG, os "espiões" têm aulas com os colegas dos escritórios americanos para aprender a levantar evidências e a trabalhar com as informações.

Nos casos mais complexos, as auditorias contratam advogados e empresas especializadas em investigações.

O limite de apuração são os muros do cliente, diz Asciutti, da Price. "Não fazemos espionagem em outras empresas." Segundo ele, a firma tem um comitê mundial para discutir questões éticas.

Ricardo Balkins, sócio da Deloitte, conta que a maioria das denúncias é anônima e parte dos funcionários. Por isso, a auditoria criou um serviço que consiste de um telefone 0800 exclusivo para quem quiser fazer alguma acusação sem se identificar.

Algumas empresas brasileiras já implantaram esse canal, diz Alcantara, sem revelar quem são.

As empresas dizem que a maior parte dos casos é resolvida. Em geral, diz Scharrer, os próprios fraudadores deixam rastros para trás. Ele conta a história de uma companhia - cuja identidade não foi revelada - que via sumir dinheiro do caixa mês a mês. Certo dia, o diretor financeiro pediu demissão, mas se esqueceu de apagar de seu computador uma planilha com os valores sacados e o preço de 16 peruas escolares que havia comprado.

Mas é uma corrida de gato e rato. Mesmo um sistema rígido de controles internos é incapaz de evitar fraudes, admite Scharrer.

E, para não ver sua imagem manchada, a maior parte das empresas prefere não levar os escândalos a público. "Já que ocorreu a fuga de informações ou de valores, é melhor não mostrar isso. Por isso, muitos casos acabam em acordos com o fraudador. Poucos chegam à Justiça", explica Elizabeth Fekete, advogada especialista em fraudes de propriedade intelectual.

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