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01/11/2011 - Página 20 Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

PJ investiga extorsão e lavagem de dinheiro na comunidade chinesa

Por: João Paulo Meneses

Um dos casos já está em julgamento e outro está a ser investigado. São dois processos em que o jogo ilegal se cruza com branqueamento de capitais e fraude fiscal. Mas também se fala em extorsão e em actividades mafiosas.

Vila do Conde já era conhecida por ser a capital da comunidade chinesa em Portugal, devido à concentração de cidadãos nascidos na China que ali residem e trabalham, sobretudo em torno da zona industrial da Varziela.

Agora também o tribunal de Vila do Conde pode ser considerado como ‘o mais chinês’ de Portugal, por força da quantidade de casos violentos que têm aparecido nos últimos três anos com origem nessa mesma Varziela.

É sabido que a comunidade chinesa imigrada tenta sempre resolver os seus problemas internamente, seja por cultura e mentalidade próprias, seja por desconhecer a realidade externa, sobretudo a língua.

Já houve, na última década, alguns casos julgados em Vila do Conde envolvendo elementos da comunidade chinesa, mas foram sobretudo situações em que imigrantes chineses eram as vítimas (por roubos ou agressões). O que mostram os mais recentes casos é que os chineses são, além de vítimas, também os acusados. E o caso que começou nos últimos dias a ser julgado, precisamente em Vila do Conde, cria novas realidades à volta da imagem da comunidade chinesa.

Até este momento sempre foi possível negar a existência de tríades chinesas em Portugal ou de, pelo menos, operações de cunho mafioso, mas este caso – e um outro, mais recente, que está ainda a ser investigado – tornam muito mais difícil continuar em negação.

Pelo contrário, as autoridades policiais portuguesas – sabe o PONTO FINAL – pensam ter encontrado nestes dois casos as provas que faltavam para uma suspeita que existiu nos últimos anos mas que não era confirmada pela evidência.

A investigação mais completa

Em Julho de 2009, três cidadãos chineses esperavam, na Varziela, a chegada de um seu compatriota, na zona do restaurante Petúlio, para lhe deixar um aviso: ou pagava cinco mil euros ou não poderia continuar a exercer actividade em Portugal (trata-se de um comerciante com um armazém de revenda nessa zona de Vila do Conde, que várias vezes é descrita como a ‘Chinatown’ portuguesa). A ligação a dívidas por jogo ilegal também não está afastada.

O comerciante em causa, que estava acompanhado de outras pessoas, recusou esse pagamento e foi agredido. A seguir foi alvejado nas pernas e, quando tentavam fugir, nas costas, juntamente com uma das pessoas que o acompanhava.

Em estado de alguma gravidade, foi tratado durante duas semanas no hospital, e a polícia tomou conta do caso. Foi assim que, ao contrário de muitas outras situações, este caso se tornou público e, sobretudo, foi investigado pela secção de combate ao banditismo da Polícia Judiciária (PJ).

Naquela que é a mais completa investigação da PJ envolvendo a comunidade chinesa até este momento (e que ainda não está terminada, havendo certidões extraídas para outros casos), seis cidadãos nascidos na China começaram a ser julgados há poucas semanas – embora com acusações diferentes, nomeadamente de posse de arma proibida.

Na primeira sessão, o principal arguido, que está detido preventivamente (o que também é, só por si, uma raridade), negou a autoria das ameaças e dos disparos, falando apenas em disputas territoriais em volta dos armazéns e lojas.

Mas o Ministério Público tem uma opinião diferente e entende poder provar que houve tentativa de homicídio, ofensas à integridade física, tentativa de extorsão e falsificação de documentos. A Procuradoria seguiu o entendimento da PJ, que julga estar perante uma rede que se dedicava também ao branqueamento de capitais e à fraude fiscal.

Não se adivinha um julgamento fácil, pela questão linguística, pelo receio das eventuais testemunhas e porque, no fundo, este caso vem destapar a existência de práticas mafiosas, como a extorsão: quantos comerciantes da Varziela não tiveram de pagar os tais cinco mil euros para poderem ter a sua loja aberta? E o que aconteceu aos que se recusaram a pagar?

Se a falsificação de documentos se pode considerar desde já provada (todos os passaportes apreendidos na posse dos arguidos eram falsos, um deles com origem em Hong Kong, apurou o PONTO FINAL), e se nenhum deles possuía licença para as armas que foram encontradas, já as outras acusações serão mais difíceis de provar.

Sinal disso, o inspector que investigou o local disse na segunda sessão do julgamento que não conseguiu recolher qualquer depoimento no local do crime, porque todas as pessoas se recusaram a falar (ou seja, o processo assenta sobretudo no depoimento das vítimas).

Rapto para penhora

Uma delas é o branqueamento de capitais, que leva à fraude fiscal. Existem fortes suspeitas de que, nessa zona, há milhões de euros a circular à margem do sistema, mas como o provar?

Finalmente parece poder haver uma luz entre as autoridades. É que, entretanto, está a ser investigado um outro processo, completamente à margem do descrito anteriormente e cujo julgamento já começou, outra vez ligado à comunidade chinesa da Varziela em Vila do Conde.

Trata-se de um caso absolutamente inédito na justiça portuguesa, já que envolve o rapto de uma mulher, chinesa, durante uma semana, para servir como penhora de um pagamento de dívidas de jogo.

Um empresário chinês, com negócios em Portugal e Espanha, seria conhecido por emprestar dinheiros a juros que poderiam chegar a 30 por cento. Um casal de comerciantes recorreu aos seus serviços, pedindo 50 mil euros, e como o pagamento se atrasou, o empresário mandou raptar a mulher, para forçar esse pagamento.

Perante a queixa de rapto, feita pelo marido, a PJ interveio e deteve pelo menos três pessoas, o raptor e o filho e ainda um segurança português.

Além do caso do rapto (e, mais uma vez, ter havido uma queixa foi uma excepção no muro de silêncio que caracteriza a comunidade), a polícia entende que pode haver elementos para chegar ao jogo clandestino que se desenrola diariamente – segundo as nossas fontes – em algumas habitações que existem por cima dos armazéns.

E, mais do que o jogo, o caso pode desembocar em acusações de ilícitos fiscais e branqueamento de capitais, envolvendo vários empresários com ligações à Varziela.

Geograficamente muito perto da Varziela, o Casino da Póvoa (propriedade de Stanley Ho) é muito procurado pela comunidade chinesa (o de Espinho, menos).

Aliás, de acordo com os dados disponíveis relativos a este caso, o casal que pediu os 50 mil euros terá contraído as dívidas em jogo clandestino e nesse mesmo casino.

Em Março do ano passado, a PJ do Porto deteve oito cidadãos de nacionalidade chinesa por suspeitas de branqueamento de capitais, auxílio à imigração ilegal, fraude fiscal e associação criminosa, a partir de uma operação que teve o seu epicentro na Varziela.

Segundo então veio a público, esse grupo recebia uma comissão por cada chinês que ajudasse a entrar em Portugal; depois, para tornar esse dinheiro legal, usava os casinos, de forma a transformá-lo em prémio de jogo. Como? Se acordo com a descrição então feita pelo Correio da Manhã, levantavam uma determinada quantia de dinheiro em fichas, jogavam apenas uma ínfima parte e o que restasse era considerado prémio. Ficava assim justificada a existência daquele dinheiro.

A primeira pessoa a ser detida foi uma mulher denunciada pelo passaporte falso que usava para ir ao Casino de Espinho. Em duas semanas levantou 100 mil euros em fichas, sendo que dez mil foram só no primeiro dia.

Exemplo de caso arquivado

Um dos mais conhecidos restaurantes de Lisboa, na década de 1990, o T-Clube (no Espelho de Água, em Belém) foi comprado há alguns anos por Chen Wangbin, jovem empresário de 37 anos, que pouco tempo depois de chegar a Lisboa já era o presidente da Associação Internacional dos Empresários Chineses. O T-Clube foi transformado no restaurante Ton Xin e Chen foi notícia na imprensa portuguesa. Num dia de 2009, Chen recebeu um telefonema de um seu compatriota, exigindo 100 mil euros nos três dias seguintes, caso contrário seria morto. Nesse mesmo dia, o restaurante foi invadido por três chineses, sendo que pelo menos um deles foi identificado por Chen como sendo aquele que lhe telefonara horas antes. No total, terão sido oito os agressores, sete deles contratados pelo mandante, que deixaram o espaço completamente destruído e Chen Wangbin inanimado no chão, tendo sido levado para o Hospital de São Francisco Xavier. Duas semanas e várias intervenções cirúrgicas depois, Chen foi à PSP de Belém e apresentou queixa, mas entretanto regressou à China por recear retaliações. A polícia conseguiu ouvir o principal suspeito, que negou tudo. Como Chen também não quis prestar mais declarações sobre o caso, o processo foi arquivado, segundo o jornal i.

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