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16/10/2011 - Diário do Nordeste Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Golpes românticos na internet. Vergonha motiva baixo número de denúncias

Por: Jéssica Petrucci

No primeiro semestre deste ano, foram feitos apenas seis registros do crime na Delegacia de Defraudações do Estado.

A busca pelo amor tão esperado e desejado pode ser interrompido por aquele que deveria ser este alguém especial. O gostar demonstrado no mundo virtual corre o risco de ser na verdade uma forma de enganar o outro na tentativa de se sair bem no mundo real.

Conforme pesquisa encomendada pela empresa eHarmony, que presta serviço de relacionamento on line, três em cada quatro brasileiros solteiros desejam encontrar alguém para namorar. O levantamento realizado com 128.287 pessoas mostrou que 65% destas já utilizaram estes sites e 32,5% continuam usando a ferramenta.

Contudo, a procura deve ser feita com cuidado. O titular da Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF) do Ceará, Jaime Paula Pessoa Linhares, explica que apesar do número de casos no Estado não ser alarmante, há preocupação com o que ele chama de "golpista". Segundo o delegado, no primeiro semestre deste ano, foram contabilizados apenas seis registros de vítimas de golpes "românticos na internet", envolvendo a confiança dada a um namorado (a) conhecido (a) pela rede virtual.

Contudo, de acordo com Jaime Linhares, o baixo número de ocorrências que chegam ao conhecimento da polícia pode não refletir a realidade, pois devido à vergonha de ter sido enganada muitas vítimas deixam de ir à delegacia prestar queixa. "A quantidade de casos é bem maior, mas não há denúncias. Esses golpistas, na maioria homens, se aproveitam da fragilidade e da carência das mulheres que se expõem nesses sites, verdadeiras vitrines da vida pessoal", comenta.

No golpe, o criminoso emprega dados falsos e passa a desenvolver uma relação romântica com a vítima. Durante este envolvimento, o golpista começa a contar histórias de problemas financeiros urgentes para a partir disso ter acesso a dinheiro, objetos de valor e dados particulares, como senha de banco. "As pessoas são muito crédulas. As mulheres acham que encontraram o príncipe encantado. Por isso, é importante conhecer o outro, saber informações e não se revelar totalmente", aconselha Jaime Linhares.

Como prova desse perigo, um estudo realizado no Reino Unido revelou que mais de 200 mil britânicos já foram vítimas de golpes em namoros pela internet.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), em 2009, 62,2 milhões de pessoas, eram solteiras, ou seja, 42,8% do total de 145,3 milhões de habitantes do País registrado na época.

No Brasil, a cada semana, surgem cerca de dois sites de relacionamento. Em apenas um deles, Par Perfeito, são mais de 30 milhões de brasileiros cadastrados. Os serviços on line são disponibilizados para todos os tipos de público.

No caso do site Second Love, os internautas casados buscam um caso ou uma aventura. Já no europeu Seventy Thirty, o alvo são os milionários. Para participar é necessário ter bens avaliados em um milhão de euros ou mais. Apenas a sua assinatura anual custa R$192 mil.

Para a consultora de relacionamentos, Érica Queiroz, a internet é uma das maneiras mais fáceis de encontrar alguém que tenha valores e opiniões semelhantes, sendo este um dos principais motivos que levam um grande número de pessoas a utilizar o serviço.

Érica Queiroz, também escritora do livro "O amor está na rede", destaca que a principal dica para se proteger de um possível golpe é nunca demonstrar que está carente, falar dos seus bens ou se fazer de coitadinha (o). Essas atitudes, segundo a consultora, chamam a atenção dos falsários. "Quando não se tem nenhuma referência, seja no virtual ou no real, a proteção deve ser prioridade".

Tendência

Érica Queiroz cita uma pesquisa realizada por uma Universidade da Grã-Bretanha que mostrou o crescimento de 500% no número de pessoas que acessaram páginas de relacionamento nos últimos dez anos. "O estudo demonstra que esse envolvimento é uma tendência que veio para ficar. Muita gente ainda tem medo, mas acredito que a internet é hoje o melhor meio de se achar alguém interessante, ficando a aparência em segundo plano".

Dentre as dicas citadas pela consultora para se proteger de golpes estão a gravação das conversas e após algum tempo refazer as mesmas perguntas para confirmar as informações; conversar em dias e horários alternados; e nunca se exibir e fornecer dados pessoais.

BUSCA POR SATISFAÇÃO
Vivências e fantasias são compartilhadas

Após superar o medo e a incerteza de estar se apaixonando por uma pessoa nunca vista antes, a publicitária cearense Renata de Carvalho, 24 anos, e o gerente comercial paranaense Maurício Isaac Cardoso, 22 anos, subirão ao altar em janeiro. O casal, que se conheceu pela internet, afirma que a segurança no relacionamento foi acontecendo aos poucos e sendo conquistada com a orientação da família e seguindo dicas importantes.

Renata relata que devido à apreensão de sofrer uma desilusão ou até mesmo um golpe, ela conferia as informações passadas por Maurício, entrou em contato com a família do noivo e sempre pedia a ajuda da mãe. "Tínhamos muito medo. No início, não contei para o meu pai, porque sabia que ele ficaria com receio. Mas estamos mostrando ser possível ter uma relação feliz e saudável".

Para o psicólogo, especialista em psicodrama e professor do curso de Psicologia da Universidade de Fortaleza (Unifor), Álvaro Rebouças, a busca por encontros em sites de relacionamentos é uma resposta para a tentativa de se perceber vivo, visto que a angústia da solidão e do abandono são fatores constantes na atualidade.

"Os sites de relacionamento são cenários para se compartilhar vivências, desejos e fantasias. É uma forma encontrada para conhecer pessoas diferentes, onde pode ser mantido um certo anonimato e garante a presença de outra pessoa que possui as mesmas motivações".

Fatores psíquicos

Álvaro Rebouças explica que mesmo com o avanço da procura por esses serviços o contato físico não perdeu a sua importância, apenas ganhou outros meios de expressão, tornando possíveis experiências que no mundo real não possuiriam a mesma intensidade. Essas vivências amorosas irão adquirir com o passar do tempo novas conotações, visto que as pessoas buscarão outras necessidades.

A busca por complementaridade, segurança, pertencimento, realização afetiva e sexual, medo da solidão e do abandono são alguns dos fatores psicológicos associados a essa forma de relacionamento. As pessoas buscam esse envolvimento por muitas razões ou necessidades: companheirismo, realização de expectativas pessoais. Porém, os cenários de expressão se ampliaram tornando mais rápido o contato, porém a complexidade dos relacionamentos amorosos ficaram mais evidentes", ressalta.

O especialista comenta ainda que a insatisfação no relacionamento amoroso real e a falta de uma comunicação verbal no mundo real pode fomentar uma relação afetiva e sexual com outras pessoas no virtual, explicando assim outros motivos para a alta na procura por esses sites.

Saiba mais

Não exponha a sua vida logo de cara. Seja reservada(o) e espere o(a) outro(a) se mostrar primeiro.

Desconfie de pessoas que falam pouco sobre sua vida pessoal.

Se for possível, investigue e confirme as informações passadas pelo (a) pretendente.

Depois de alguns contatos via internet, o telefone pode ser uma boa alternativa para ganhar mais intimidade.

Por motivos de segurança, não é ideal fornecer o telefone fixo. Prefira o celular.

No dia do primeiro encontro, marque em um lugar público onde tenha movimentação de pessoas e durante o dia.

Informe para algum amigo ou familiar o horário e o local do encontro com o (a) estranho (a).

Saiba discernir entre otimismo e precaução. Enquanto você tiver razões para acreditar que seu, ou sua, paquera é uma pessoa normal, fique atenta (o) para não ser enganada (o).

Sempre leve o celular e jamais aceite caronas.

Fonte: Site NamoroOnline e Alexandre Bez, psicólogo especialista em relacionamentos

OPINIÃO DO ESPECIALISTA
"No mundo real também há máscaras"

Creio que a necessidade de buscar o outro, de buscar novas relações, é intrínseca ao ser humano, e a possibilidade de fazer isso pela internet, é apenas mais uma modalidade, que se junta a outras, ditas presenciais. A diferença é que essa modalidade é quantificada, transformada em dados, o que não ocorre nas relações face a face.

Sobre o risco de uma relação pela internet, ela sempre vai existir, assim como pode ocorrer também no mundo real. Não podemos nos esquecer que o sedutor sempre diz o que o outro deseja ouvir e isso não muda no mundo digital. Aqui, valem os mesmos princípios do mundo real: busque saber mais sobre a pessoa, suas outras amizades, seus gostos e (a diferença fundamental) saber se essa pessoa "existe" mesmo ou se é apenas uma máscara. Por outro lado, quem foi que disse que não existem máscaras no "mundo real"?

Talvez o relacionamento pela internet já tenha sido mais uma tendência. Com a mobilidade das novas tecnologias, vai ficando para trás a ideia das pessoas presas a uma cadeira em frente ao computador. É comum as pessoas estarem fisicamente juntas e, ao mesmo tempo, usando os dispositivos. Se torna uma nova tendência a mistura de interações presenciais e mediadas. A mobilidade está permitindo uma suposta "retomada" do contato físico, pois agora não é mais usar um gadget, mas usar um "gadget com alguém", "na presença de alguém".

Ricardo Jorge de Lucena
Doutor em Comunicação

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