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10/09/2007 - G1 Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

MP investiga suposto pagamento de propina por dono do Bahamas

Por: Luciana Bonadio


O Ministério Público de São Paulo desarquivou um inquérito de 1999 contra o empresário Oscar Maroni, dono da boate Bahamas, e investiga o eventual pagamento de propina a policiais de uma delegacia de São Paulo. A suspeita é de que, entre 1998 e 2003, eram feitos pagamentos mensais de R$ 3 mil para evitar diligências na casa, segundo o promotor José Carlos Blat.

O promotor também suspeita que um delegado tenha recebido R$ 50 mil para forjar uma diligência solicitada pela Justiça, em 1999. Uma testemunha ouvida pelo Ministério Público informou que a quantia foi paga em dinheiro para o policial que coordenou a blitz policial na boate Bahamas. A diligência foi uma das provas que levaram ao arquivamento do inquérito.

“O inquérito policial foi arquivado por não existir indicativos que lá funcionava uma casa de prostituição, mas nós tivemos dois depoimentos apontando que houve, na verdade, uma falsa blitz policial, que teria sido patrocinada por Oscar Maroni”, afirmou Blat em entrevista concedida nesta segunda-feira (10) no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste.

A blitz policial ocorreu em junho de 1999 após um pedido de um juiz da 28ª Vara Criminal. Um ofício foi encaminhado ao 27º Distrito Policial, em Campo Belo, Zona Sul de São Paulo, determinando a diligência. “O juiz havia recebido informações de que lá continuava funcionando uma casa de prostituição”, explicou Blat.

O empresário teria sido avisado da diligência e orientado os funcionários para que o local parecesse um hotel. “Os funcionários da casa teriam sido orientados para que levassem neste dia malas e pertences pessoais para ocupar as suítes que seriam periciadas, para que fosse constatado que ali não funcionava uma casa de prostituição e, sim, um hotel”, disse o promotor.

A investigação descobriu, segundo Blat, que o homem que ocupava a suíte investigada na blitz policial – a de número 21 - era funcionário de uma das empresas de Maroni. Além disso, foram encontradas fichas de hóspedes que teriam sido forjadas. “Há suspeita de falsidade ideológica em relação aos registros de supostos hóspedes que teriam sido preenchidos pelos próprios funcionários da casa a fim de ludibriar a Justiça.”

Além disso, o promotor suspeita que o boletim de ocorrência registrado na época tenha sido rasurado. A cópia anexada no inquérito mostra que a blitz ocorreu às 21h – mas a informação está escrita a caneta. As testemunhas ouvidas pelo MP disseram, no entanto, que a diligência ocorreu à tarde, em um horário de pouco movimento na casa.

O promotor ponderou que, apesar de “evidências fortes”, não é possível apontar nomes, já que o caso ainda está sob investigação. “A investigação é que vai determinar se ocorreu, ou não, a corrupção. As evidências são muito fortes e indicam que realmente a perícia não fez o laudo como deveria fazê-lo.”

O MP investiga os crimes de exploração de casa de prostituição entre 1999 e 2003, corrupção ativa e passiva, fraude processual, falsa perícia e falsidade ideológica. De acordo com Blat, o inquérito será enviado para a Corregedoria da Polícia Civil indicando a investigação.

Blat contou que foi determinada a quebra do sigilo bancário e fiscal de Oscar Maroni e das empresas dele. “São denúncias extremamente graves de um lado ou de outro. Nós vamos investigar independente dos resultados, sejam favoráveis ou desfavoráveis a quem quer que seja.”

Outro lado

A assessoria da Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que a Corregedoria da Polícia Civil abriu uma investigação interna para apurar eventuais irregularidades na conduta dos policiais. Caso seja constatado o recebimento de propina, os envolvidos serão punidos.

Preso desde 14 de agosto, Maroni é acusado de favorecimento e exploração de prostituição no Bahamas, formação de quadrilha e tráfico de mulheres. Um dos advogados de Oscar Maroni, Daniel Majzoub, negou o pagamento de propina a policiais. “Se ele tivesse pago para alguém, ele não estaria na situação que está hoje. Não é do feitio dele pagar propina para ninguém.”

O outro advogado do empresário, José Thales Sólon de Mello, informou que Maroni está “tranqüilo” em relação às acusações. “Quem fez a denúncia foi uma ex-funcionária que foi demitida por justa causa. Esta moça não tem idoneidade de fazer qualquer acusação”, afirmou.

Maroni nega qualquer tipo de ligação com policiais, segundo o advogado. “Ele nunca teve relação nenhuma com ninguém. Por isso que ele sempre foi alvo de batidas policiais. Ele nunca manteve contato com qualquer autoridade policial”, disse Mello.

O empresário concedeu uma entrevista nesta segunda-feira (10) no 13º Distrito Policial, na Casa Verde, Zona Norte de São Paulo, onde está preso. Ele levantou a camisa e mostrou um M - em referência ao sobrenome - que depilou em seu peito.

Oficial da Aeronáutica

Outra informação fornecida ao MP por uma testemunha foi o suposto pagamento de R$ 10 mil a um oficial de reserva da Aeronáutica. Ele teria recebido pessoalmente o cheque em um escritório das empresas de Maroni. Blat disse que será investigado o eventual tráfico de influência.

“O serviço de prestação de serviços é lícito. Nada impede que uma pessoa aposentada em sua área preste assessoria. O que realmente chama a atenção é que depois deste pagamento feito a este oficial aposentado, foi obtida a licença para o funcionamento do prédio pela Aeronáutica.”

A FAB informou na sexta-feira (7) que não costuma manter relações com oficiais da reserva. Afirmou ainda não saber se o militar investigado pelo MPE prestou consultoria para Maroni depois de se desligar da Aeronáutica.

Mello informou que o oficial prestou apenas assessoria para o empresário. "Esse militar tem uma empresa de assessoria nesta área de Aeronáutica."

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