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08/09/2007 - O Globo Online / Diário de SP Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

MP apura pagamento de propina a policiais para manter Bahamas aberto

Por: Plínio Delphino


SÃO PAULO - O Ministério Público de São Paulo já tem fortes indícios de que o dono da boate Bahamas, Oscar Maroni Filho, de 56 anos, pagava propina a policiais e agentes públicos para que o estabelecimento continuasse aberto. A boate, localizada no bairro de Moema, foi lacrada pela Prefeitura por facilitação à prostituição. Maroni está preso desde 14 de agosto.

Uma testemunha, que está sob proteção judicial, denunciou que R$ 50 mil teriam sido pagos a um delegado para simular uma blitz no Bahamas. O objetivo da blitz era constatar que no estabelecimento funcionava um hotel comum, um balneário e um bar. Até fotos periciais foram feitas para mostrar que o Bahamas era um hotel. Assim, o processo de 1999 que investigava prostituição foi arquivado porque nada ficou comprovado.

Com o surgimento de novas suspeitas, o promotor José Carlos Blat pediu, em 10 de agosto, o desarquivamento do processo e diz que vê indícios de corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, falso testemunho e fraude processual.

Ex-funcionário da boate, Paulo Rogério Leite Moro revelou ao MP que sabia sobre a blitz antes de ela acontecer. Ele havia sido informado da blitz por gente do Bahamas. Moro explicou que o estranho da blitz é que ela foi feita às 14h. No boletim de ocorrência do 27° distrito policial, em Campo Belo, consta que a diligência policial foi feita às 21h. Mas há uma rasura nesse horário, feita a caneta. O MP vai pedir uma perícia.

A testemunha sob proteção judicial disse ao MP que os funcionários do Bahamas foram convocados e teriam que 'mascarar' o ambiente. Explicou que eles foram obrigados a levar malas de viagem, objetos pessoais, como barbeador e escova de dentes. Montaram a suíte 21 com edredom na cama, para dar características de quarto de hotel.

Segundo depoimento de Moro, no tempo em que trabalhou na casa, os quartos eram de alta rotatividade, e, no máximo, tinham um travesseiro e um lençol. Em um dos quartos os policiais encontraram Marcelo Xavier dos Reis, hoje com 30 anos. À época, o rapaz explicou que havia se hospedado no Bahamas, e que estaria no quarto havia quatro horas. Mostrou, inclusive, recibo de hospedagem.

O Ministério Público checou e descobriu que ele era estagiário e trabalhava para Oscar Maroni Filho. De acordo com as testemunhas ouvidas no MP, a blitz, feita durante o dia, contava com poucos policiais e um deles, enquanto circulava pelo Bahamas, mandou que um funcionário servisse a ele uma dose de uísque Johnny Walker Blue Label. Depois de beber e terminar a diligência, foi embora sem pagar pela bebida.

A testemunha diz que ouviu uma conversa entre Maroni Filho e sua irmã Hebe, sobre a falsa blitz, e que eles pagariam R$ 50 mil ao delegado.

Uma ex-funcionária da boate afirmou, em depoimento que em 2000, entregou um cheque de R$ 10 mil a um major da Força Aérea, na época em que Maroni Filho passava por dificuldades para conseguir a liberação para a construção do Oscar´s Hotel. A testemunha diz que o oficial foi até o escritório do Bahamas, na Rua dos Carinás, 602, sem farda. Recebeu um cheque do Bradesco, da conta corrente da OMF (grupo de empresas de Maroni) e não deixou nenhum recibo. O nome do oficial também foi encontrado nas agendas apreendidas na sede do grupo. O Ministério Público pediu rastreamento do cheque. O oficial da aeronáutica estava aposentado desde 96 e tem uma empresa de assessoria no setor. A denunciante revelou também que, no período de 1998 a 2003, policiais civis recebiam R$ 3 mil mensalmente para ignorar supostas irregularidades na boate. Segundo a testemunha, as despesas com a corrupção de policiais eram lançadas pela casa como gastos com ração do cachorro de Maroni Filho, Conan.

O promotor José Carlos Blat pediu a quebra de sigilo bancário de Oscar Maroni Filho. Ele quer comprovar as denúncias de pagamento de propina e movimentação financeira suspeita. À época da suposta blitz, o delegado titular do 27° DP era Reinaldo Corrêa, o mesmo que enfrenta acusações de participar de um esquema de fraude envolvendo uma seguradora. O perito que fez a vistoria do Bahamas em 17 de julho de 99 era João Armando Magalhães Ronchi. E o juiz que arquivou o caso é o mesmo que hoje decretou a prisão de Maroni Filho: Édson Aparecido Brandão.

O advogado José Thales Solon de Mello disse que estuda pedir o afastamento do caso do promotor José Carlos Blat.

- Ele ultrapassou a isenção necessária para atuar como órgão de acusação - ataca o defensor de Oscar Maroni Filho.

Mello disse que seu cliente é o único que sempre foi importunado pelas autoridades.

- Porque é o único que não dava dinheiro para ninguém - rebate.

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