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02/04/2006 - Correio Popular / Agência Anhangüera Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

População é cúmplice de políticos corruptos - Ibope mostra que brasileiro tolera corrupção porque também comete deslizes

Por: Tote Nunes


Quando os políticos corruptos apostam na reeleição, eles não contam apenas com a famosa "falta de memória" do eleitor brasileiro. Contam também com a cumplicidade, segundo revelou pesquisa realizada pelo Ibope Opinião e divulgada semana passada no 2 Congresso Brasileiro de Pesquisa, em São Paulo. O levantamento - realizado entre 12 e 16 de janeiro - ouviu 2002 eleitores de 143 municípios em todo o País e revelou uma faceta pouco nobre do povo brasileiro.

Chamada de Corrupção na Política: Eleitor Vítima ou Cúmplice, a pesquisa queria saber se os problemas éticos enfrentados pela sociedade estão concentrados nas elites e lideranças políticas ou se trata de uma conduta social presente em todas as camadas e grupos sociais. Os resultados foram preocupantes.

Para começar, 75% dos brasileiros admitiram que cometeriam pelo menos um dos atos de corrupção avaliados pelo estudo, caso tivessem oportunidade. Mais que isso: 69% dos eleitores reconheceram que já transgrediram alguma lei para obter benefícios, de forma consciente e intencional.

De acordo com a coordenadora do estudo, a cientista social Silvia Cervellini, esses dois dados combinados explicam um enigma nacional: o brasileiro tolera a corrupção política porque também comete seus deslizes éticos. "Há uma associação entre prática de ilegalidades no cotidiano e tolerância à corrupção política" , concluiu ela.

Meio constrangido, o ex-metalúrgico José Carlos Araújo, de 67 anos, reconhece: está entre os 75% da pesquisa. Confessou que, se fosse político, cometeria, sim, ao menos um dos atos de corrupção listados na pesquisa. "Iria pelo menos tentar. Se os outros deixassem..." , disse ele, na tarde de quinta-feira, no Largo do Rosário, Centro de Campinas.

Araújo foi um pouco mais longe e se incluiu também nos 69%. Contou que já pagou propina a um guarda de trânsito. "Eu estava com minha mulher grávida, que estava louca para tomar garapa. Com pressa, peguei o carro e acabei avançando um sinal vermelho. Como estava sem carteira e o guarda certamente iria me multar, não tive dúvida. Dei dinheiro a ele para ser liberado" , contou. E foi.

A pesquisa relacionou 13 atos de corrupção política e 13 ilegalidades no dia-a-dia e formulou perguntas específicas para cada uma das situações.

Os entrevistados deveriam se posicionar sobre a incidência da prática dos atos ilícitos em três categorias: como vê a corrupção entre os políticos, entre os brasileiros de uma forma geral e relacionada a ele próprio.

O entrevistado deveria, ainda, responder se os políticos praticam corrupção, se os brasileiros praticam e se ele próprio praticaria.

Na chamada "corrupção política" , o levantamento relacionou situações como realização de contratos sem licitação, escolher familiares para cargos de confiança, incluir familiares em viagens oficiais ou pagar despesas pessoais não-autorizadas (como compras no cartão ou abastecer o carro particular) com dinheiro público.

Os resultados mostraram que 59% aceitam a escolha de familiares ou pessoas conhecidas para cargos de confiança. Mais: 43% admitem que alguém se aproveite de viagens oficiais para lazer próprio ou de familiares.

Nas chamadas "ilegalidades do cotidiano" , a pesquisa listou, entre outras situações, suborno para se livrar de multa, sonegação de impostos, compra de material sabidamente falsificado ou apresentação de atestados médicos falsos. Neste caso, o entrevistado tinha de responder se ele próprio já havia cometido algumas dessas ilegalidades, se conhecia alguém que já praticou e se os brasileiros praticam.

As campeãs das ilegalidades são compra de produtos pirateados (55%) e propina para se livrar de multa (14%).

Igor Campos do Nascimento, de 19 anos, que trabalha numa financeira no Centro da cidade, reconhece que não é correto comprar produtos pirateados ("Gera desemprego" , argumenta). Mas se explica. "Minha renda é baixa. Porque vou pagar R$ 30,00 se posso comprar por R$ 10,00?" , questiona.

Esses números sobem de maneira significativa quando o entrevistado responde se conhece alguém que pratica esses mesmos atos ilícitos. Bate nos 70% no primeiro caso (produtos piratas ou falsificações) e 44% no segundo.

Luciana Lopes dos Santos Gonçalves, de 22 anos, colega de Igor na financeira, condena, mas diz que já apreendeu a conviver com as falsificações. "De cada 100 pessoas que procuram a financeira pedindo empréstimos, 30 usam documentos falsificados" , conta. "Às vezes, são falsificações grosseiras" , diz.

A pesquisa mostra que 82% dos eleitores consideram a classe política desonesta e 87% acham que os governantes agem pensando somente em seu próprio benefício. Já para descrever "a maioria do povo brasileiro" , 70% acreditam que o povo age pensando em seu próprio benefício.

O taxista Valentim Alves garante que jamais cometeria um ato de corrupção, caso fosse um líder político ou um governante. "Eu não entendo nada de política, mas não teria coragem de fazer isso. De jeito nenhum" , disse. Ele conta, no entanto, que já testemunhou inúmeros deslizes éticos de colegas. "Tem gente (taxista) por aí que aceita levar um sujeito em ponto de venda de droga só para receber três ou quatro vezes mais pela corrida. Ele sabe que o cara vai comprar droga, mas mesmo assim vai" , diz.

Quanto à percepção que o eleitor tem de sua própria imagem, a situação muda consideravelmente: 97% se consideram honestos. Para se descrever pessoalmente, 65% disseram agir pensando no bem comum e 94% se disseram solidários.

A desempregada Joyce Kelly de Souza Santos, de 20 anos, seria, então, uma raríssima exceção. Franca, ela não se preocupa em mostrar-se politicamente correta. Sem qualquer demonstração de culpa ela é categórica. "De que tipo de ilegalidade você quer falar?" , pergunta ao repórter. Ao ser informada sobre os itens listados na pesquisa, responde de bate-pronto. "Cometi quase todas elas" , confessa. "É muito fácil fazer gato em TV a cabo, puxar água e ponto luz. É só ter esquema" , explica. "Eu até falo em orelhão como se tivesse cartão" , acrescenta. "E não é ligação a cobrar, hein!" , avisa.

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