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07/07/2005 - Estado de São Paulo Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Fraude, fraude em toda parte!

Por: Carlos Orsi Martinho


São Paulo - Outro dia recebi um telefonema (a cobrar!) de alguém que dizia trabalhar para uma empresa de telefonia fixa. Diligentemente, o suposto funcionário me informou que havia uma situação de emergência, que minha conta não seria “debilitada” pela ligação, e pediu uma série de dados pessoais – endereço, conta bancária, número de documentos – porque houvera uma “pane no computador da empresa”, e era urgente recadastrar todas as linhas. Misteriosamente, quando pedi para falar com um supervisor que confirmasse o problema, o “solícito funcionário” desligou na minha cara.

Usando um pouco de jargão, o que aconteceu comigo foi uma tentativa de phishing por telefone ou, para ser mais preciso – já que a expressão phishing, ou “pesca de senhas”, é mais usada para abordagens feitas via internet – um ataque de engenharia social. “Engenharia social” é o uso da credulidade natural das pessoas, da vontade de cooperar e do impulso de obedecer à autoridade a fim de extrair informações para fins ilícitos.

Talvez sirva de consolo saber que nada disso é realmente novo. Saiu há pouco, pela Peguin Books, o livro A Treasury of Deception (algo como “Tesouro da Enganação”), do jornalista americano Michael Farquhar, com relatos – como se fossem pequenas crônicas – das grandes empulhações da história.

Vários dos casos embutem lições para o nosso tempo. Veja, por exemplo, Oscar Hartzell (1876–1943), que viveu como um ricaço, em Londres, graças a americanos ingênuos que lhe enviavam contribuições em dinheiro – Hartzell dizia ter um herança enorme a receber, e que dividiria o patrimônio com as pessoas que o ajudassem com as custas do processo.

Desmascarado e preso, Hartzell não foi abandonado por suas vítimas – que não só continuaram a mandar dinheiro para ele como se transformaram em seguidores fiéis, crentes de que Hartzell era uma espécie de mártir.

Ou George Psalmanazar, que no século XVIII encantou a Europa declarando-se o “príncipe de Formosa” (a ilha onde hoje fica Taiwan, na época largamente desconhecida pelo Ocidente). Psalmanazar contava histórias totalmente impossíveis sobre a ilha, descrevendo rituais de sacrifício humano tão vastos que certamente teriam levado à extinção do povo de Formosa, mas manteve-se fiel, todo o tempo, aos princípios de nunca desmentir nada e de sempre encarar os críticos com um ar de certeza e superioridade.

Essa talvez seja uma das duas grandes lições dos embusteiros do passado, a que eles oferecem aos embusteiros de hoje: nunca confesse. Cara-de-pau é tudo.

Não que a mentira contumaz não tenha seu preço: Hartzell morreu louco, acreditando-se realmente o herdeiro de uma vasta fortuna, e Psalmanazar foi esmagado psicologicamente pela culpa e pelo vício do ópio.

A segunda grande lição dos embusteiros do passado é a que eles oferecem a nós, os “patos” em potencial de hoje e sempre: não deixe que exibições grandiosas de convicção, sinceridade e autoridade se sobreponham ao senso crítico.

Isso fica ainda mais claro na seção do livro de Farquhar sobre fraudes jornalísticas, onde vemos jornalistas experientes, editores testados pelo tempo, deixando o ceticismo de lado só por um instante – com resultados trágicos.

Casos exemplares são o do Washington Post, que ganhou – e teve de devolver – um Prêmio Pulitzer com uma reportagem sobre um menininho de 8 anos viciado em heroína que, depois ficou provado, nunca existiu e o New York Times, embaraçado pelo repórter-mentiroso Jayson Blair.

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