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17/05/2011 - Diário de Coimbra Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Cibercrime com tendência para aumentar e diversificar-se

Inspector da PJ e investigador da UC falam de uma nova configuração no mundo do crime e de uma necessária adaptação da investigação.

O cibercrime não é só a fraude informática ou a distribuição de conteúdos de pedofilia. Bem pelo contrário, a internet está a ser cada vez mais utilizada nas actividades das organizações do crime organizado e hoje é cada vez maior o número de crimes de tráfico de droga, imigração ilegal e tráfego humano, por exemplo, que são praticados através da rede. Só nos últimos anos, a Polícia Judiciária (PJ) detectou, em Portugal, milhares de casos de phishing, ou seja, tentativa de aquisição de informações privadas e sigilosas, como senhas e dados bancários.

Mas no rol incluem-se ainda outras formas de cibercrime, como sistemas de pagamento virtuais para lavagem de dinheiro e outros tipos, que acabam por ser favorecidos pelo anonimato garantido por tecnologias como o email, programas de mensagens instantâneas ou o VoIP. É sobre tudo isto que se pode ler em “Web Trends – ten cases made in Web 2.0”, da Comunicarte Publishing, que promove quinta-feira, às 19h00, na FNAC Coimbra, a palestra “Cibercrime: o crime sem armas”. Celestino Pais, inspector-chefe da directoria de Coimbra da Polícia Judiciária, e Francisco Nina Rente, investigador na Universidade de Coimbra e coordenador do CERT-IPN (um núcleo do Laboratório de Informática e Sistemas do Instituto Pedro Nunes), são os oradores convidados.
Um relatório publicado há poucas semanas pela Europol prova que a Internet está a ser cada vez mais utilizada para o crime organizado. A PJ refere, a propósito, a existência de uma nova configuração no mundo do crime, que se tornou global e sem fronteiras e à qual as polícias tiveram de se adaptar. «Tem-se procurado fazer uma adaptação a uma realidade criminal relativamente recente, quer no âmbito da formação, quer na afectação de meios humanos com perfil adequado para as especificidades destas investigações e na descentralização da investigação deste tipo de crimes que, inicialmente, estava unicamente adstrita a uma secção a funcionar em Lisboa», justifica o director da PJ do Porto, Batista Romão, co-autor no livro “Web Trends”. Batista Romão diz, de resto, que a polícia perspectiva «a continuação do crescimento exponencial da prática deste tipo de crimes», tendo em conta, refere, a «massificação» dos computadores e outros meios informáticos que estão cada vez mais acessíveis ao cidadão, a que se associa uma «globalização crescente» e a possibilidade de acesso à internet «sem controlo» e «sem que os utilizadores possam ser identificados».
Há, por outro lado, cada vez mais software malicioso, o que gera maior insegurança. Em Janeiro desde ano foi divulgado um estudo coordenado por Francisco Nina Rente, que dava conta da existência de mais de 75 mil vulnerabilidades técnicas detectadas nos cinco milhões de endereços electrónicos e 86 mil domínios pt activos existentes em Portugal. Roubo de informação, intercepção ou adulteração de comunicações (telefones e mail) e possibilidade de comprometer sistemas (ganhar controlo sobre eles) são os grandes grupos de vulnerabilidades detectados pelo Vigilis, um sistema de avaliação do risco de segurança da internet único a nível mundial, criado por Francisco Rente.

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