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12/08/2007 - Gazeta do Povo Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

A ameaça milionária das apostas

Por: Angelo Binder


Habituado a conviver com suspeitas e casos de doping com relativa freqüência, o mundo do tênis deparou-se com um novo tipo de escândalo há pouco mais de uma semana. O russo Nikolay Davydenko, número 5 do ranking, perdeu por desistência para o argentino Martin Vassalo Arguello, apenas 87.º do mundo, pelas quartas-de-final do Torneio de Sopot, na Polônia.

Situação normal na modalidade, não fosse por um detalhe: o site inglês Betfair registrou um volume recorde de apostas nessa partida. Cerca de US$ 7 milhões foram investidos na vitória de Arguello, a zebra do duelo. Um montante dez vezes maior do que o normal, capaz de fazer a casa virtual suspender as apostas; a Associação dos Tenistas Profissionais Profissionais abrir investigação sobre o caso; e o mundo do esporte ver como ainda não possui mecanismos fortes o suficiente para se proteger de um mercado que movimenta quantias crescentes de dinheiro e segue em expansão.

Somente nos Estados Unidos, por exemplo, US$ 30 bilhões são gastos por ano com apostas on-line em eventos esportivos. Valores investidos não só em resultados finais, mas também em detalhes e frações dos jogos, como o vencedor de um game no tênis, o número de escanteios no futebol ou quem irá fazer a primeira cesta em uma partida de basquete.

“O russo não precisava perder a partida [para beneficiar um suposto esquema de apostas], bastava ‘amolecer’ um game ou um set”, alertou S.M, um apostador brasileiro.

Ele preferiu manter o nome em sigilo por saber que a jogatina virtual no Brasil pode ser caracterizada como delito previsto na Lei de Contravenções Penais (LCP), de acordo com o Decreto-Lei 3.688/1941.

Com diversas modalidades de apostas na mesma partida, ele acredita que facilmente um atleta possa fazer uma “fezinha”, embolsar algum dinheiro e ainda ficar acima de qualquer suspeita. “No futebol, por exemplo, a pessoa pode apostar quantos escanteios um determinado time terá a seu favor em um tempo de jogo. O resultado final pode nem ser alterado se um zagueiro do time, também um apostador, mandar a bola propositalmente para linha de fundo”, citou como exemplo.

Essas apostas sutis eram o principal campo de atuação de Tim Donaghy, árbitro da NBA por 13 temporadas. Ele pediu demissão no começo de julho, enquanto era investigado pelo FBI sob suspeita de fazer apostas e manipular resultados de partidas que ele mesmo mediava.

Mania

S.M lembra que, de dois anos para cá, em Portugal, onde residiu, e no restante da União Européia, os jogos virtuais se tornaram mania. Aqui no Brasil, a febre tem dado dor da cabeça aos especialistas em direito penal, governantes e à polícia.

Para despistar as autoridades brasileiras, os usuários de sites de jogos são direcionados para páginas internacionais. No ambiente virtual a aposta acontece em provedores com base na Costa Rica, República Tcheca, Panamá e no Canadá, países em que jogar é permitido.

“O problema é quando o apostador for resgatar os lucros. O banco virtual é sediado fora do país e a pessoa terá que explicar a origem do dinheiro. Se não justificar, incorrerá em crime de sonegação fiscal”, afirma o professor de Direito Penal da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Rodrigo Rios. A pena prevista é dois a cinco anos de detenção.

Segundo ele, hoje é praticamente impossível punir alguém antes do saque da premiação. “As leis de uso da internet ainda são novas. Precisamos de tempo para enquadrar em algum artigo do Código Penal. Se um atleta é também um apostador, a esfera desportiva precisa comprovar o envolvimento dele em algum esquema, para então puni-lo”, finalizou Rios.

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