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11/04/2011 - Mídia News / IG Economia Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

O Banco Santos era positivo", diz Edemar Cid Ferreira

Por: Edmar Santos

Com a família separada, morando em casas de amigos.

Uma mansão avaliada em R$ 50 milhões, a qual não pode ter acesso. Uma dívida de alugueis em atraso que ultrapassa a cifra de R$ 1,7 milhão. Obras de arte - todas confiscadas - que chegam ao valor de R$ 40 milhões. Esses são os números da vida pessoal e financeira de Edemar Cid Ferreira, ex-dono do Banco Santos, que responde ações no âmbito cível e criminal pela falência da instituição bancária.

Entre as acusações ao ex-banqueiro estão formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta - crimes pelos quais foi condenado a 21 anos de prisão, mas recorre em liberdade. Cid Ferreira também responde na área cível por uma ação de despejo por falta de pagamento de alugueis e encargos - proposta pelos credores da massa falida.

Longe da casa onde morou por mais de 24 anos, o ex-banqueiro rompeu o silêncio e falou que está morando separado da mulher, em casa de amigos, e que o rombo envolvendo o Banco Santos, que chega a R$ 2,2 bilhões, é um equívoco.

“O Banco Santos era positivo”, afirma. Segundo ele, a instituição já teria arrecadado entre seus credores R$ 1,2 bilhão e ainda tem a receber outros R$ 3,5 bilhões, que cobririam com folga o buraco de R$ 2,2 bilhões. Cid Ferreira recebeu o iG para a seguinte entrevista:

iG: O senhor sabia que o banco estava na iminência de falir?

Edemar Cid Ferreira: Não. Tanto não sabia que deixei o meu dinheiro, o da minha mãe, da minha irmã, do meu cunhado, ficou tudo lá. Eu achava que isso não ia acontecer.

iG: Então houve uma má administração paralela a sua gestão?

Edemar Cid Ferreira: Não. O banco sempre foi positivo, não tinha intervenção nenhuma. Tanto que hoje que o Banco Central e o interventor erraram. O banco era positivo, esse débito que alegaram não é verdade. Quando invadiram a minha casa, o Vânio Aguiar [fiel depositário da casa do ex-banqueiro e administrador da massa falida] levou todos esses documentos para dentro da massa falida. Esses documentos eram pessoais, para a minha defesa, foi uma invasão da privacidade, ele rasgou a Constituição brasileira.

iG: Foi por isso que teve início essa ação contra violação de computadores pessoais e de segurança [a ação foi impetrada na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, acusando Aguiar de violar os computadores que monitoravam as câmeras de segurança de casa]?

Edemar Cid Ferreira: Sim. Deixa eu explicar como tudo aconteceu. O Vânio entrou na figura de depositário fiel. Aí nós fomos despejados, entregamos as chaves e, no dia seguinte, ele pegou todos os computadores da casa, levou para a sede do Banco Santos, pegou todos os nossos processos e levou para casa. Passados alguns dias, até semanas, ele foi lá [na mansão] e quebrou os lacres dos computadores, dos gravadores que, por um sistema de segurança tomavam conta da casa do lado de fora e dentro, por 24 horas. São 62 câmeras. Como ele tirou esses equipamentos, isso enfraqueceu o sistema, várias câmeras se desligaram. Mas o fato importante é a quebra do sigilo de computadores e do sigilo da correspondência e dos gravadores que tínhamos, porque isso não pertence à Atalanta [Atalanta, que fazia parte do conglomerado do Banco Santos], mas a mim, à minha mulher. O Vânio já havia feito isso anteriormente por ordem judicial, já tinha levado tudo o que queria. De lá pra cá é tudo nosso. Mas ainda assim ele entra lá e quebra. Ele mesmo disse que quebrou a senha dos computadores e é exatamente tudo isso o que nos temos em nossa defesa.

iG: Como está a sua defesa no processo relacionado à falência do Banco Santos?

Edemar Cid Ferreira: Nós pedimos e eles [Justiça] concederam o direito de ficarmos em liberdade até o final do processo criminal, até o trânsito em julgado. Na defesa, meu argumento é único. Na verdade, o Vânio errou porque disse que o banco estava furado e que tinha uma dívida de R$ 2,2 bilhões. Passados alguns anos, fomos ganhando as ações contra os devedores, e o banco já recebeu R$ 1,2 bilhão em dinheiro e mais descontos que foram dados pela massa falida aos devedores de mais de R$ 800 milhões.

Temos ainda mais R$ 3,5 bilhões que estão sendo discutidos na Justiça, ações que, em grande maioria, ganhamos em primeira instância. O Banco Santos é positivo, não é negativo. Tudo que aconteceu conosco tanto na área criminal quanto cível foi baseado no ponto de que era tudo uma fraude, e agora estamos provando que isso não é verdade.

iG: Mas existia um relacionamento sadio entre vocês e o Vânio Aguiar?

Edemar Cid Ferreira: Sempre foi e continua sendo. Não tenho nada contra ele pessoalmente. Conheço o Vânio há seis anos. Eu só acho que ele precisaria ter seriedade como administrador judicial e fiel depositário. Ele cometeu uma irregularidade e meus advogados acharam que deveriam avisar o juiz do que estava acontecendo. Os equipamentos eram pessoais. Ali não é a sede da Atalanta, mas da minha residência.

iG: Quando foram a sua casa para o despejo, ninguém mencionou que mexeria nos seus computadores?

Edemar Cid Ferreira: Não, nós sempre avisamos para ele devolver o computador, pedimos várias vezes e o ele [Vânio] não queria. Até quis devolver, mas sem fazer a perícia, só que nos dissemos que queremos tudo desde que tenha uma perícia com a presença dos nossos advogados tanto dos computadores, como os gravadores e a documentação.

iG: Antes do despejo vocês não poderiam ter retirado esses dados dos computadores, ou os equipamentos mesmo?

Edemar Cid Ferreira: Não, ele [Vânio] confessa que recolheu.

iG: A minha pergunta é a providência antes do despejo.

Edemar Cid Ferreira: Não, ninguém sabia, tanto que as minhas roupas e da minha mulher estão lá. Não sabíamos do despejo. Sabíamos de uma ordem que poderia ser cumprida, mas até o último momento achávamos que não aconteceria o despejo.

iG: Por quê?

Edemar Cid Ferreira: Porque estávamos discutindo judicialmente. De repente o juiz de Pinheiros disse "é amanhã". Daí não deu tempo de nada.

iG: Mas quando vocês foram comunicados do despejo?

Edemar Cid Ferreira: Na véspera. Sabíamos do processo de despejo, mas a decisão de que o despejo seria "amanhã, às 10h", nós recebemos na noite anterior. Não dá tempo de nada. O juiz Regis Bonvicino [1ª Vara Cível de Pinheiros] está no absoluto direito de fazer isso. É que nós não acreditávamos. Achávamos que não iria ocorrer porque estávamos apelando, pedindo dias para conversar e prorrogar.

iG: E essa questão do aluguel? Continua em discussão?

Edemar Cid Ferreira: Sim, nós apelamos no Tribunal de Justiça [de São Paulo].

iG: Então vocês podem retornar à casa?

Edemar Cid Ferreira: Claro, se essa decisão for revogada, com certeza podemos voltar. Nós queremos voltar para lá porque entendemos que é um bem de família. Nós moramos na rua Galia, número 120, há 24 anos. Criamos nossos filhos lá. O que aconteceu é que a casa antiga foi substituída pela nova, no mesmo local, no mesmo terreno. Tudo foi aumentado, comprou-se outros terrenos, mas ali nós criamos nossos filhos. Aquilo é um bem de famíliaiG: Onde vocês estão morando atualmente?

Edemar Cid Ferreira: Cada um está na casa de amigo. É uma coisa horrorosa, muito triste. Porque nesse despejo ninguém ganhou. Ele não ganhou a massa falida porque a casa já é dela. Já foi sequestrada. Então o fato de sairmos da casa não existe ganho judicial nenhum. O que esta acontecendo é que as despesas que nós, a minha família, estávamos suportando na casa, agora passou aos credores do banco. Agora são eles que estão perdendo. É um jogo de perde e perde. Todo mundo perde.

iG: Depois que vocês saíram de lá, voltaram para casa alguma vez?

Edemar Cid Ferreira: Eu estive na casa duas vezes depois que fomos despejados, até para reconhecer obras de arte e pegar algumas roupas que eu não tinha levado. A Márcia não entrou nenhuma vez. Aliás, uma vez só. A Márcia esta extremamente depressiva, muito deprimida, perante ela, a família, as amigas. Para ela isso é um quarto escuro, ela está surpresa com tudo o que está acontecendo. Ela nunca imaginou na vida estar vivendo uma situação trágica como essa.

iG: Por que os senhores nunca compraram a casa?

Edemar Cid Ferreira: A casa é nossa, é da Atalanta, que é da Márcia [esposa]. Para explicar melhor, desde sempre a casa pertence às empresas que estão no Imposto de Renda da Marcia, 100% de tudo. Isso sempre foi tratado assim por conta de um beneficio fiscal. Então, não há dúvida de que a casa é da Márcia. Metade da casa, 74%, está em nome da Atalanta e 26% está em nome da Hyles, que era a casa antiga, o terreno antigo. Essa Hyles existe desde 1986. Portanto, antes de o Banco Santos existir. Está em nome dela [Marcia] também.

iG: E sobre o contrato da casa? O que aconteceu para chegar ao despejo?

Edemar Cid Ferreira: Nós achamos que a forma como saímos da casa tem alguns defeitos. Por exemplo, esse contrato de aluguel. Havia um distrato, e ele [juiz] não reconheceu. Na verdade, o contrato era no sentido de fazer com que a massa pudesse transferir recursos para a Atalanta pagar seus empregados. Isso foi feito antes de o banco sofrer intervenção. Foi em julho de 2004. Quando chegou dezembro de 2005, fizemos o distrato porque houve intervenção do banco. Como achamos que não tinha mais dinheiro, fizemos o distrato. E a Atalanta só foi pela falência decretada em fevereiro de 2007. Quer dizer, não tem relação nenhuma com o contrato e ele [juiz] não reconheceu o distrato.

iG: Mas por quê o valor de aluguel era tão alto?

Edemar Cid Ferreira: Esse valor foi pago. Nesse período em que vingou o aluguel ele foi pago. Os aluguéis de R$ 20 mil por mês, de julho de 2004 a dezembro de 2005, foram quitados, com IR [imposto de renda], recolhimento e tudo mais. Quando chegou janeiro de 2005, fizemos um distrato e, a partir daí, não se pagou mais porque não havia mais contrato. Só que o Vânio convenceu o juiz [na petição dele] de que esse documento não tinha valor.

iG: Vocês estão conseguindo comprovar a validez desse documento, do distrato?

Edemar Cid Ferreira: Sim, ele é válido. Assinado pelas mesmas pessoas, tudo direitinho. Isso foi colocado desde o começo. Está no meio da sentença do juiz. Ele diz que não foi pago aluguel, mas qual aluguel se vivemos na casa há 24 anos? O aluguel não existe. Na verdade, existiu por seis meses, foi quitado, está tudo pago.

iG: Foi publicada uma notícia sobre o interesse da Pinacoteca do Estado nas suas obras de arte. Como está a situação agora?

Edemar Cid Ferreira: Eu também vi isso no jornal. Mas todas as obras de arte da nossa coleção – e são mais de 10 mil itens – estão nos museus, no Museu de Arte Contemporânea, no Museu de Arqueologia e Etimologia, no Museu do Ipiranga, no Memorial da America Latina. Essas obras estavam na minha casa. Pelo que entendi, essas obras eram as que a Pinacoteca queria visitar. Mas elas já estão distribuídas. As que estão em casa são poucas, cerca de 600 obras, que já estão arrestadas, sequestradas pela Justiça Federal e pela própria vara da falência. Nós éramos apenas o depositário fiel dessas obras, tanto quanto a casa, que também está sequestrada.

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