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27/02/2011 - Central de Notícias RO Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Quadrilha usa o nome da MAPFRE para aplicar o golpe do consórcio premiado


A poderosa marca MAPFRE que opera nos setores de consócio e seguro está servindo como um inescrupuloso escudo para criminosos disfarçados de corretores aplicarem o golpe do “consócio contemplado”.

Em Rondônia, o esquema criminoso é comandado por uma quadrilha de estelionatários formada basicamente por homens oriundos de Goiânia. Alguns inclusive já têm passagem pela Polícia. Outros se mantém fora do estado por um considerável tempo e depois voltam a fazer novas vítimas como se nada tivesse acontecido.

O mais grave é que essas pessoas, cujos indícios indicam que o grupo age em vários estados. Um delegado da Polícia Civil que já acompanhou um inquérito envolvendo um dos integrantes do “escritório” admitiu que a lei que rege o crime de estelionato é frágil e para punir o infrator é necessário que o mesmo seja pego em flagrante delito.

A própria cúpula da MAPRE tem conhecimento, mas até agora não fez nada de concreto em defesa do consumidor. O diretor comercial da MAPRE Orlando Del Arco Junior, que está sediado em São Paulo, informou que a empresa D&P COMERCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA localizada na avenida Abunã, nº 1954 em Porto Velho, foi descredenciada da MAPFRE no dia 2 de dezembro do ano passado em função de vendas indevidas.

Entende–se por “vendas indevidas”, crime de estelionatário praticado dentro da própria MAPFRE, cuja logomarca nos impressos dos estelionatários chama atenção da clientela, a qual acaba caindo numa terrível armadilha.

Nossa reportagem acompanhou de perto um desses golpes. A vítima é um conhecido jornalista e professor universitário de Porto Velho, que por questão de segurança não terá o seu nome citado na matéria.

Em novembro do ano passado, quando o profissional de imprensa desconfiou que estava sendo lesado pelo “vendedor” da MAPFRE, ele pediu a ajuda de uma equipe do Rondoniaovivo para obter informações sobre o seu consócio. O jornalista havia pagado R$ 4.000,00 (quatro mil reais) como forma de lance ao vendedor “André” da D&P loja que na época era credenciada pela MAPFRE .

Quando chegamos à empresa, fomos informados que o tal Diego, descredenciado da MAPFRE por falcatruas estava viajando, mas cada um dos seus vendedores apresentava um destino diferente do patrão.

O gerente da firma de nome Edson Silva Filho, que também já responde a inquérito policial, atendeu a reportagem de forma truculenta enfatizando que não podia se responsabilizar pelo crime cometido por “André”, pois o mesmo já não pertencia ao quadro funcional da firma.

Representante da MAPFRE faz vítima assinar contrato com data alterada.

A reportagem continuou na caça do estelionatário André que é conhecido por vários corretores locais pelos inúmeros golpes que vem aplicando em Rondônia e em outros estados. Fomos ao apartamento que ele morava na rua Gonçalves Dias , próximo a uma casa noturna, mas o mesmo já havia fugido provavelmente para o seu estado de origem, Goiânia, com a perspectiva de retornar a Porto Velho, quando a poeira baixar como é do seu feitio.

Nossa equipe procurou então a sucursal da MAPFRE em Porto Velho para tentar saber como a estrutura da conceituada companhia estava sendo usada por golpistas. O jornalista inclusive só caiu no “conto do vigário” por confiar no nome da multinacional da qual já havia sido cliente de seguro para o seu veículo.

O representante legal de consócios da MAPFRE para o Estado de Rondônia, Cleber Danser se reuniu com a equipe e com a vitima no interior da própria Sucursal da corporação.

Na oportunidade, Cleber se comprometeu a normalizar a situação constrangedora causada pelo estelionatário André. “Eu vou ressarcir uma parte do dinheiro e ainda faço a sua carta de crédito ser contemplada com parcelas abaixo de quinhentos reais”, prometeu o corretor da MAPFRE, ressaltando que para honrar com esse compromisso, o jornalista tinha que pagar a parcela de dezembro no valor de R$ 883,05.

Com o pagamento dessa parcela, segundo Cleber, a questão seria resolvida. O drama da vítima só fez aumentar porque foi obrigado a desembolsar uma quantia bem além das prestações que havia combinado, quando aderiu ao falso consócio e não foi contemplado como havia sido prometido. É curioso um corretor prometer a contemplação de um consócio já que envolve todo um processo legal para o sorteio.

No dia 29 de janeiro deste ano, o representante da MAPFRE, Cleber Danser, pediu que o jornalista assinasse um contrato de adesão retroativo ao dia 17 de dezembro. Essa assinatura do documento com data falsa era necessária para regularizar a situação do consociado. O mesmo estava recebendo boleto e outras correspondências do consócio MAPFRE, com base no documento que o falsário lhe apresentou no dia 10 de setembro do ano passado.

O que chama atenção é que mesmo oficializando a adesão por meio de um contrato falsificado, o consociado recebeu todas as informações da MAPFRE numa clara demonstração que o estelionatário tinha acesso ao sistema da organização, que se omitiu diante do prejuízo das pessoas lesadas e nem sequer divulgou uma nota alertando a população para não adquirir consócio de quem não esteja autorizada a utilizar o nome da multinacional.

“Já pensou se a gente for pagar a todas as pessoas que foram enganadas”, desconversa o diretor comercial da MAPRE Orlando Del Arco. Do seu escritório refrigerado em São Paulo, o executivo assiste de camarote pessoas que ele mesmo deu poderes a arruinar a vida de consumidores rondonienses como se Rondônia fosse uma terra sem lei. Pelo menos para a gangue que se esconde por trás do prestígio da MAPFRE.

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