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22/02/2011 - Zero Hora Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Secretaria da Agricultura apreende agrotóxicos falsificados no interior do Paraná

Produtos estavam sendo comercializados em embalagens semelhantes às originais, dificultando a percepção do consumidor.

A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) apreendeu 890 litros de agrotóxicos falsificados que estavam à venda nas regiões de Irati, Ponta Grossa e Francisco Beltrão. Trata-se de uma falsificação do agrotóxico PRIORI XTRA, muito utilizado para combater doenças que atacam as lavouras de soja em final de ciclo, como a ferrugem asiática.

Os produtos apreendidos estavam acondicionados em embalagens de cinco e de 20 litros, tão semelhantes às originais que dificultam a percepção da irregularidade pelo produtor rural. A apreensão foi feita esta semana por engenheiros agrônomos do Departamento de Fiscalização e Sanidade Agropecuária (Defis), durante fiscalização de rotina.

Amostras dos lotes foram enviadas para laboratório da Universidade Federal do Paraná, que constatou ausência total do ingrediente ativo que dá eficácia ao agrotóxico, informou o engenheiro agrônomo da Divisão de Fiscalização dos Insumos Agrícolas, Adriano Risemberg.

Além da interdição dos lotes, a Seab enviará cópia dos processos administrativos para a Polícia Federal, para evitar novas vítimas da falsificação. Até o momento foi constatado que os produtos falsificados foram adquiridos pelos comerciantes do Paraná de uma empresa de Goiânia (GO).

– Não podemos afirmar que os comerciantes paranaenses sabiam que os lotes eram falsificados – disse Riesemberg.

Segundo o agrônomo, a Seab vem mantendo a vigilância sobre a falsificação de produtos colocados no comércio, principalmente sobre agrotóxicos que têm valor elevado e, por isso, pode ser alvo de fraudes. Esse trabalho é realizado pelo Defis para garantir a qualidade dos insumos utilizados na agropecuária paranaense.

Em 2010 foram apreendidas no comércio 375 toneladas de produtos que continham irregularidades, como informações erradas nos rótulos das embalagens, vazamentos e falsificações na formulação. Esse volume de apreensão é pequeno perto do que é comercializado anualmente no Paraná, em torno de 80 mil toneladas de agrotóxicos. Riesemberg atribui essa eficiência ao trabalho realizado pelo Defis na vigilância e fiscalização rotineira sobre o comércio em todo o Estado, o que inibe as fraudes.

Riesemberg lembra que o agricultor também deve fazer sua parte para evitar ser lesado. Entre os cuidados recomendados, ele destaca que o produtor não deve comprar produtos de estabelecimentos não registrados pela secretaria.

– Estabelecimentos rotineiramente visitados pelos fiscais exibem um certificado em local visível na loja. Essa é a garantia de que o estabelecimento comercial é fiscalizado – explica.

Outra medida que deve ser adotada pelo produtor é a exigência da nota fiscal de venda dos produtos. No caso dos agrotóxicos o produtor deve exigir que conste o número do lote e o preço do produto discriminado por litro. Também deve ser verificada a nota fiscal de origem do produto, evitando aquisições de distribuidores que praticam preços abaixo dos preços de mercado.

– Não existe milagre no mercado e por isso o produtor deve desconfiar quando o preço de um produto está muito baixo em relação a similares – alerta Riesemberg.

O técnico lembra que esse é um direito do agricultor e caso o comerciante não queira exibir a nota fiscal de origem de compra do agrotóxico da empresa, ele deve mudar de fornecedor.

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