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16/02/2011 - O Estado de São Paulo / Ag. Estado Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Panamericano trocou 40 funcionários após fraudes contábeis

Por: Altamiro Silva Junior

A principal mudança foi na diretoria, com a troca de todos os executivos.

SÃO PAULO - Somente uma minoria dos executivos do Banco Panamericano sabia das fraudes contábeis que geraram um rombo de R$ 4,3 bilhões, diz o diretor superintendente do banco, Celso Antunes da Costa. Dos dois mil funcionários da instituição, cerca de 40 precisaram ser trocados por estarem envolvidos diretamente ou saberem da existência das operações irregulares. A principal mudança foi na diretoria, com a troca de todos os executivos.

Costa diz que o Panamericano agora é um novo banco, que passou por mudanças radicais desde o dia 9 de novembro de 2010, quando foi anunciado o rombo, que na época era calculado em R$ 2,5 bilhões. Segundo o diretor, houve melhora da governança, revisão de políticas e corte de custos. Por isso, o banco optou por publicar apenas as informações financeiras de dezembro de 2010 porque, de acordo com Costa, eram as únicas que "espelhavam fielmente" o que o banco é atualmente. Os resultados anteriores devem ser descartados, pois não são comparáveis, afirma o diretor.

O executivo conta que em dezembro começaram a surgir indícios de que o rombo total era maior do que o anunciado em novembro. Foi contratada a PricewaterhouseCoopers, que passou a analisar os números. Em paralelo, a Deloitte e o próprio banco também analisaram o balanço e todos chegaram aos mesmos valores sobre o rombo.

Do rombo total, de R$ 4,3 bilhões, o registro de cessão de carteiras de créditos inexistentes foi responsável por R$ 1,3 bilhão. Nesse tipo de operação, o banco vendia a mesma carteira de empréstimo para mais de um banco, inflando seus ativos de crédito. Há ainda passivos não registrados de operações de cessão de crédito liquidadas ou refinanciadas, de R$ 1,7 bilhão. Irregularidades na constituição de provisão para devedores duvidosos geraram perdas de R$ 500 milhões.

Costa cita ainda operações com derivativos (swap cambial) que foram registradas como ganho, mas na verdade eram perdas provocadas por variações do dólar e das taxas de juros. Elas somaram R$ 340 milhões e ajudaram a inflar o rombo.

O banco informou hoje que tem atualmente 270 pontos de venda em todo o território nacional, 20 mil parceiros comerciais e uma central de atendimento (call center) com 800 posições.

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