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09/02/2011 - O Estado de São Paulo / Ag. Estado Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Fraude não inibe mercado de carbono

Por: Andrea Vialli e Afra Balazina

Empresas brasileiras mantêm investimentos em projetos de redução das emissões de gases-estufa mesmo após fechamento do sistema europeu.

As fraudes no sistema europeu de negociações de crédito de carbono - hackers causaram um prejuízo de 30 milhões e levaram ao fechamento das negociações, há duas semanas - não chegaram a afetar as empresas brasileiras que têm projetos de redução de emissões de gases de efeito estufa. Mas a falta de definições para o período a partir de 2012, quando termina o Protocolo de Kyoto, preocupa empresas e especialistas.

O Brasil ocupa a terceira posição no mundo em projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que permite a venda créditos de carbono no mercado internacional. Com 184 projetos registrados na Organização das Nações Unidas (ONU), o País está atrás da China, com 1.199, e da Índia, com 619.

Os primeiros projetos desenvolvidos no Brasil foram na área de aterros sanitários e na redução da poluição causada por resíduos da criação de suínos. Hoje, há uma tendência à diversificação - há projetos de usinas de etanol, mineração e energias renováveis, como biomassa.

As fraudes no mercado europeu (mais informações nesta página) não trouxeram impactos significativos para as empresas brasileiras porque a maior parte dos projetos realizados no País está ligada ao mercado de carbono criado pela ONU. O sistema europeu de comércio de créditos, que sofreu as fraudes, funciona de modo paralelo e serve para que empresas europeias compensem suas emissões.

"O Brasil não está diretamente ligado ao sistema de compra e venda de créditos de carbono da Europa. Atuamos mais como um "fornecedor" de créditos de carbono para esses países", diz Divaldo Resende, especialista em mercado de carbono e atual secretário de Desenvolvimento Sustentável e Recursos Hídricos do Tocantins. O mercado independente europeu, segundo ele, negocia em torno de US$ 92 bilhões ao ano - desses, US$ 10 bilhões são usados na compra de créditos em países em desenvolvimento.

Indefinições. De acordo com Marco Antonio Fujihara, diretor da WayCarbon, consultoria de créditos de carbono, a atual preocupação dos negociadores de créditos são as indefinições para o período pós 2012. "A falta de regulação para os próximos anos gera mais incerteza do que ataques de hackers", diz ele.

Por outro lado, o consultor aponta que as empresas se empenham cada vez mais para realizar projetos de redução de emissões. A grande motivação, diz, é o crescente interesse de investidores e consumidores em saber o quanto as empresas poluem. "Isso se tornou um fator importante para a reputação das companhias. O mercado está se movimentando, independente dos marcos regulatórios globais."

Um exemplo é a Êxito Importadora & Exportadora, empresa com sede em Recife que está construindo uma usina termelétrica em Paragominas (PA) para gerar energia a partir da queima de resíduos de madeira, que antes eram dispostos de forma inadequada no ambiente.

"Hoje existem montanhas de pó de serra de até 50 metros de altura, um resíduo que causa problemas respiratórios à população", diz José Lacy de Freitas Júnior, diretor da Êxito. A usina deve entrar em operação em agosto de 2012.

Outro projeto que acaba de ser registrado na ONU é da Samarco Mineração, que produz 22,2 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. A empresa substituiu parcialmente o uso de carvão mineral e óleo combustível por gás natural, que polui menos. Os combustíveis fósseis são consumidos no processo de transformação do minério de ferro em pelotas.

Em São Paulo, o Aterro Bandeirantes foi pioneiro no País em captar o gás metano produzido pelo lixo e usá-lo para gerar energia. Por causa do projeto, de 2004 até 2010 houve uma redução de emissões de 3,6 milhões de toneladas de gases-estufa - para se ter uma ideia, Belo Horizonte emitiu 2,6 milhões de toneladas de gases-estufa em 2007.

PARA ENTENDER

O Protocolo de Kyoto, acordo criado no Japão com o objetivo de combater o aquecimento global, passou a vigorar em 2005 e instituiu metas de redução da poluição para países ricos. Também criou mecanismos para estimular os países em desenvolvimento a cortar emissões e investir em tecnologias mais limpas.

Uma dessas ferramentas é o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Funciona assim: projetos para reduzir emissões em países em desenvolvimento (como a substituição de combustíveis fósseis por energia renovável) geram créditos de carbono.

Países ricos que precisam reduzir suas emissões dentro do Protocolo de Kyoto podem comprar créditos para cumprir suas metas. Ao mesmo tempo, a União Europeia estabeleceu meta de cortar suas emissões de gases-estufa em 20% até 2020. Isso fez surgir um mercado paralelo de compra e venda de créditos. As empresas europeias que emitiram menos gases-estufa do que o permitido podem vendê-los para as que ultrapassaram seus limites de emissões.

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