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08/02/2011 - Bom Dia Sorocaba Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

O bilionário que vive na periferia

Por: Mayco Geretti

Francisco Nunes Pereira, conhecido como Chico Fossa ou Mineirinho, mora numa casa simples de Tatuí e anda com carro popular, mas afirma ter patrimônio de mais de R$ 15 bilhões. Para a polícia, é tudo golpe. Nesta terça, ele foi preso com cúmplices acusado de usar documentos falsos para tentar tirar fortuna do Banco do Brasil na Justiça.

Francisco Nunes Pereira, 44, definitivamente não ostenta o dinheiro que afirma ter. Com um patrimônio de mais de R$ 15 bilhões declarados no Imposto de Renda, ele tentou, através do Judiciário do Distrito Federal e do Pará, requerer uma fortuna de mais de R$ 2 bilhões que ele afirma ter presa em contas do Banco do Brasil. A polícia o prendeu nesta terça-feira em sua casa na cidade de Tatuí alegando que tudo não passa de um golpe construído sobre documentos falsos e uma certa dose de cara de pau.

Além de Francisco, foram presas três pessoas no Pará e uma na capital paulista acusadas de serem cúmplices. Um empresário de Itu identificado como Luiz Roberto de Barros Araújo é acusado de envolvimento. Sem ser encontrado em sua casa, ele já é tido como foragido.

O caso

Chico Fossa, ou Mineirinho, como também é conhecido em Tatuí, entrou na Justiça do Distrito Federal em 2007 alegando possuir algo em torno de R$ 2,3 bilhões em cerca de 10 contas no Banco do Brasil.

A exorbitante quantia, segundo ele, seria proveniente de uma plataforma de investimentos no Exterior calcada no ramo da mineração. Chico diz que os investimentos teriam sido feitos em sociedade com o já falecido dono do banco BCN (Banco de Crédito Nacional), Paulo Conde. A etapa preliminar da investigação também mostra Mineirinho como sócio ou representante de pelo menos sete empresas – incluindo uma seita evangélica –, todas de fachada e que existem somente em registros cartoriais.

Para tentar provar sua versão à Justiça do Distrito Federal, Chico apresentou uma série de documentos de movimentação financeira, além de extratos bancários, que provariam a existência do valor. O Banco do Brasil nega que algum dia esse dinheiro tenha existido em alguma das contas do acusado e a perícia realizada pela Justiça classificou todos os documentos apresentados como falsificações. Entre os extratos, por exemplo, só havia fotocópias sem os originais anexados.

Francisco afirma que sua fortuna teria sido confiscada pelo Banco do Brasil para aplicação no Tesouro Nacional em razão de suas contas terem ficado inativas por muitos anos.

CRONOLOGIA

De 1997 a 2003
Francisco afirma ter feito criado uma plataforma de negócios no Exterior baseada em mineração junto com o falecido Paulo Conde, ex-proprietário do Banco de Crédito Nacional. É daí que teria se originado sua fortuna.

2007
Quatro anos após a morte do banqueiro Paulo Conde Francisco entra na Justiça do Distrito Federal afirmando ser dono de uma fortuna de mais de R$ 2 bilhões que estariam em contas do Banco do Brasil. Ele perdeu, recorreu, e voltou a perder em instância superior.

2010
Francisco tenta novamente acionar a Justiça, desta vez no Pará. O parecer do Judiciário classificou a ação como improcedente.

Secretário acusado de mandar matar prefeito participaria do esquema

Um dos mandados de prisão expedidos pela Justiça contra os supostos envolvidos na tentativa de fraude era destinado a Wanderlei Aquino, ex-secretário da prefeitura de Jandira acusado de ser o mandante do assassinato do prefeito Braz Paschoalin, ocorrido no fim do ano passado. Wanderlei está preso desde dezembro e, segundo o Ministério Público, há fortes indícios de seu envolvimento na suposta fraude capitaneada por Chico Fossa. A polícia também não descarta que a morte do prefeito possa ter ligação com a tentativa de golpe.

Um dos mais ricos do país, de carro velho

A vida de Mineirinho em Tatuí está longe do mundo glamuroso que se espera para alguém com patrimônio declarado de R$ 15 milhões. O sobrado onde mora fica no bairro São Cristóvão, considerado de classe média baixa. Na garagem, um Gol “bolinha” é o principal meio de transporte de Francisco, que teria ganhado o apelido de “fossa” ao trabalhar em um estabelecimento especializado em limpeza.

Chico também teria se aventurado pelo mundo do empreendedorismo, mas viu um estabelecimento de sua propriedade falir há cerca de 10 anos. Desde então, é visto pelos moradores do bairro como desempregado, apesar de todos saberem que ele alega na Justiça que é bilionário.

O patrimônio de R$ 15 bi seria suficiente para colocar Francisco na 16ª posição na lista das pessoas mais ricas do pais, ficando lado a lado com Constantino Júnior, dono da Gol Linhas Aéreas. Entre a população do bairro, Mineirinho é tratado como o suposto “laranja” de um esquema que, de fato, pode ter movimentado bilhões. Seu estilo de vida, no entanto, não condiz com sua versão e isso é visível a todos. Sua casa não tem seguranças armados, seu carro não tem motorista. Diariamente, é ele quem leva a filha pequena para a escola.

Para o promotor Gilberto Martins, do MP-Pará, a prisão de Francisco servirá para identificar suas conexões. “O esquema é muito maior do que conhecemos até agora. Ele afirma negociar pedras preciosas e em sua casa encontramos algumas esmeraldas que, segundo ele, são verdadeiras”, afirma.

Na continuidade da investigação a polícia vai apurar dados contidos em documentos impressos e em dois computadores apreendidos na casa de Francisco. As autoridades também querem mais informações sobre registros de passagens por países da Asia, União Européia, além, dos Estados Unidos, presentes em passaportes apresentados por Francisco.

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