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21/01/2011 - Jornal de Angola Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Rede de falsificadores de passaportes desmantelada em operação dos SME

Por: Bernardino Manje


O Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) apresentou ontem, em Luanda, dois elementos supostamente pertencentes a uma rede transfronteiriça de falsificação de documentos, como vinhetas de vistos de viagens e títulos de residência.
Segundo o chefe do Departamento Nacional de Fiscalização do SME, Domingos Francisco, a operação foi levada a acabo num período não superior a uma semana, na sequência de indícios que apontavam para a existência, no país e no exterior, de elementos que falsificavam vistos para nacionais e estrangeiros.
Os detidos (um autor e outro coadjuvante) são de nacionalidade congolesa democrática e integravam um grupo composto por cinco elementos. Trata-se de Luemba Dodocha Augusto, de 42 anos, e o seu suposto cunhado Sérgio Manzongani, da mesma idade. O primeiro disse ter nascido em Cabinda, enquanto o outro garantiu ser natural de Maquela do Zombo, na província do Uíge. Os outros três elementos do grupo, segundo Domingos Francisco, encontram-se em parte incerta, mas também podem ser detidos nos próximos dias.
O chefe de Fiscalização do SME afastou a hipótese dos acusados serem de nacionalidade angolana como eles alegam. “Uma coisa é o que eles declaram e outra é aquilo que identificámos como facto, pois temos provas, pelos documentos em nossa posse”, disse.

Apoio do exterior

Seja como for, Domingos Francisco destacou o facto de se estar em presença de uma rede de falsificação com carácter transfronteiriço e internacional. “Eles contam com um apoio a partir do exterior, mais concretamente a partir de Hong Kong, China, de onde é proveniente todo o material de falsificação”, revelou, antes de admitir que se trata de uma rede com ramificações noutras partes do mundo.
De acordo com o oficial, para a concretização da acção dos falsificadores concorrem, ainda que inocentemente, empresas de viagens e transitários sedeados no país e no estrangeiro, como é o caso da DHL. Os documentos falsos ou materiais para a falsificação eram transportados camufladamente no interior de revistas ou catálogos de mobiliário ou louça de cozinha.
Na posse de Luemba Augusto, os oficiais do SME encontraram vinhetas, passaportes, bilhetes de passagem, títulos de residência em Portugal falsos e copiados a scanner a partir de um original, documentos afectos ao Banco de Comércio e Indústria (BCI), fotografias de pessoas que, por inocência ou conhecimento, solicitavam os serviços dos falsificadores e uma carta de condução da República da Namíbia passada em nome do acusado.
Foi ainda encontrada uma carta em que os falsificadores, em nome de uma empresa fictícia, solicitam a cedência de um visto para uma suposta funcionária. “A empresa, como tal, não existe. O documento é falso e forjado a partir do local de residência de Luemba Augusto, na rua da Lama, bairro Prenda, nas imediações da oitava Esquadra”, revelou Domingos Francisco.
Além dos dois supostos falsificadores, o chefe do Departamento de Fiscalização do SME informou que foram também detidas, noutras ocasiões, mais pessoas identificadas com este tipo de material, quando desembarcavam no aeroporto de Luanda.
Também a partir do exterior do país, acrescentou, têm sido detidos alguns cidadãos que se servem dos serviços de falsificadores. Às pessoas que solicitam esses trabalhos, Domingos Francisco deixou a seguinte mensagem: “estamos vigilantes, de dia e de noite, para descobrir todos os criminosos, pois é a imagem do país que está em jogo. Aconselhamos que, por via legal, solicitem às embaixadas a concessão de vistos”.

Suspeitos do crime contam a sua versão

Como é habitual nessas ocasiões, os detidos negaram as acusações que sobre eles pesam.
Luemba Dodocha Augusto, electricista de profissão mas actualmente comerciante, disse que os objectos encontrados em sua posse estavam numa pasta que pertence a um amigo, identificado apenas por Benvindo, e que supostamente se encontra preso na província do Bengo. Luemba, que na passada terça-feira viajaria para Ondjiva, a fim de vender uma mercadoria que terá importado da China, sublinhou que os documentos apreendidos passados em seu nome não se encontravam no interior da pasta, supondo que terão sido os efectivos do SME a juntarem os mesmos na altura da sua detenção.
Sérgio Manzongani disse, por seu lado, que o seu erro foi ter aceitado a recepção de um envelope enviado pelo seu cunhado Luemba, a partir da China.
Dentro do envelope havia revistas em cujo interior se encontravam vinhetas de vistos falsos.
“Ele disse-me que estava a enviar um envelope em meu nome, mas que era para eu o entregar à minha irmã, que é a esposa dele. E eu, simplesmente, aceitei”, contou, para depois jurar a pés juntos que “até hoje não sei o que continha o envelope”.
Mesmo sabendo que o sobrescrito vinha em seu nome, não teve o cuidado de o abrir? Questionou o repórter, ao que Sérgio respondeu negativamente, reafirmando que a encomenda era para a sua irmã. Luemba reagiu, afirmando que as revistas em que foram encontrados as falsas vinhetas de vistos não eram suas, mas faziam parte das coisas que se encontravam na pasta do seu amigo Benvindo.

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