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16/01/2011 - Veja Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Trilha de fraudes deixada por padre jesuíta

O falsário Mark A. Landis fez doações de quadros falsificados a diversos museus dos Estados Unidos.

Diferente de muitos falsificadores, Mark A. Landis não parece estar no ramo pelo dinheiro, mas por satisfação em ver suas obras sendo aceitas como autênticas.

Seu nome verdadeiro é Mark A. Landis. Ele é pintor há muito tempo e antigo dono de uma galeria de arte. Mas, quando fez uma visita ao Museu de Arte da Universidade Paul e Lulu Hilliard, em Lafayette, Louisiana, em setembro, ele parecia mais um personagem saído de um romance gótico do sul dos Estados Unidos. Landis chegou em um grande Cadillac vermelho e se apresentou como padre Arthur Scott.

Mark Tullos Jr., diretor do museu, recorda que ele estava usando “calça, terno preto e camisa pretos com um colarinho clerical branco e bottom jesuíta preso na lapela”. "Por estar vestido daquele jeito ou por estar trazendo um presente generosíssimo consigo foi difícil duvidar dele", conta Tullos. Landis tinha em mãos uma pequena pintura do impressionista americano Charles Courtney Curran. Segundo ele, a peça seria doada em memória à sua mãe, natural de Lafayette.

A pintura, sem a moldura e embrulhada em papel celofane, parecia real e tinha uma etiqueta desbotada de uma antiga galeria de Manhattan. Scott - ou Landis - se ofereceu para pagar por uma boa moldura na esperança de que mais pinturas, e quem sabe mais dinheiro, pudessem vir de doações da família para o museu. Mas, quando o diretor de desenvolvimento da Hilliard bateu um papo com Scott sobre seus conhecidos da igreja católica no sul da Louisiana, o homem começou a ficar nervoso. “Ele disse ‘Bom, eu viajo muito’”, recorda Tullos. “Sempre vou e resolvo problemas para a igreja.”

Landis, ainda que recentemente tenha se passado por padre Scott ou como um colecionador chamado Steven Gardiner, de fato já realizou muitas viagens nas últimas duas décadas, mas não pela igreja. Ele é um dos falsários mais criativos que passou por museus americanos nos últimos anos. Escrevendo, telefonando e se apresentando nos locais, onde conta histórias bem elaboradas sobre a coleção da sua família e faz doação de pequenas obras, muito bem falsificadas, em memória de parentes que nunca existiram.

Traços perfeitos - Diferente de muitos falsificadores, ele não parece estar nesse ramo pelo dinheiro, mas por satisfação em ver suas obras sendo aceitas como autênticas. Landis não aceita nada em troca, a não ser um convite para almoço ou lembranças da lojinha do museu. Ele se recusa a preencher formulários de impostos e não existe comprovação de que tenha infringido alguma lei. Suas ações, no entanto, causam custos para os museus. As instituições tiveram de pagar para a realização de análises das obras, pela assessoria jurídica, além de pesquisas para se descobrir se havia mais alguma peça falsas nas coleções. (Hillard disse ter descoberto a falsificação em poucas horas, usando um microscópico para detectar um molde que fica por trás da pintura).

Nas semanas que se seguiram depois que um artigo publicado no The Art Newspaper revelou as falsificações, museus e advogados tentam localizar Landis. O falsário não é fácil de ser encontrado, já que sempre forneceu endereços e números de telefone falsos. Mas agora ele parece ter desaparecido de vez. A última tentativa dele de que se tem notícia aconteceu em meados de novembro, quando se apresentou mais uma vez como padre Arthur Scott no Museu de Arte de Ackland na Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, levando uma pintura francesa.

“É a coisa mais bizarra que já vi na vida”, conta Matthew Leininger, diretor de serviços no Museu de Arte de Cincinnati. Leininger conheceu Landis pela primeira vez em 2007, quando ainda era arquivista no Museu de Arte da Cidade de Oklahoma, e Landis ofereceu como doação trabalhos assinados por ele mesmo. Desde então, Leininger ficou conhecido como uma espécie de inspetor Javert - Landis, Valjean (fazendo uma referência a obra Os Miseráveis). Ele guarda um histórico com dados de todos que tiveram em contato com Landis, possíveis aparências e obras copiadas por ele. (Ele geralmente prefere copiar artistas menos conhecidos, mas por vezes se arrisca a forjar um Picasso, Watteau ou Daumier).

Busca internacional - Leininger transmite por e-mail um retrato de Landis tirado em 2008 pelo Museu de Arte do Estado de Louisiana, e usa um marcador que pode ser apagado para atualizar as informações num mapa no seu escritório. A primeira doação que Leininger conseguiu encontrar foi feita ao Museu de Arte de Nova Orleans, em 1987. Ele fez um gráfico com as viagens de Landis a 19 estados e todos com quem esteve em contato, seja pessoalmente, por telefone ou carta - foram mais de 40 museus, incluindo instituições de grande porte, como o National Portrait Gallery, em Washington, e a School of the Art Institute of Chicago.

Nem todos os museus aceitaram as doações de Landis, mas muitos o fizeram, e alguns as expõem como sendo trabalhos autênticos. Enquanto alguns ainda estão analisando as obras, outros só passaram a fazer a análise depois que a suspeita sobre Landis cresceu. O Museu de Arte da Universidade de St. Louis mantém uma relação de todas as doações recebidas através de seu website, mas as descreve como “ao estilo de” Stanislas Lepine e Paul Signac, e não como sendo obras assinadas pelos próprios artistas.

George Bassi, diretor do Museu de Arte Lauren Rogers em Laurel, Mississippi, - onde Landis, hoje com 55 anos -, esteve diversas vezes, disse que o conheceu pela primeira vez há oito anos, depois que Landis voltou a morar no sul dos Estados Unidos. Bassi conhecia a falecida mãe de Landis, Jonite Joyce Brantley, nascida e criada em Laurel e que também era membro do museu. Quando Landis entrou em contato com o museu e disse que queria fazer doação de obras em memória de sua mãe, Bassi disse que a história parecia fazer sentido no começo. “Ele tinha uma ligação com Laurel e sabia do museu”, conta, “e aí você presume que ele está bem intencionado”.

“Depois disso, não conseguia entrar em contato com ele. Nenhum dos numerosos telefones funcionava. Você tinha que esperar que ele voltasse ao museu, sem marcar hora. E poderia se passar até seis meses sem que ele voltasse.” A suspeita do museu aumentou e, por causa disso, as obras começaram a ser pesquisadas e descubriu-se que eram falsas. Aconselhado por advogados, o museu não avisou de forma explícita outras instituições sobre as descobertas que havia feito, mas advertiu para que ficassem atentos à doações recebidas por Mark Landis. “Acho que a mãe dele não fazia a menor ideia que o filho fazia isso.”

Diversas tentativas de entrar em contato com Landis por telefones listados em catálogos e números que ele mesmo forneceu foram frustradas. Robert K. Wittman, veterano agente do FBI que coordena a equipe anticrime da agência, disse que tem trabalhado informalmente em muitos museus que Landis visitou para colher mais informações sobre suas ações, com o objetivo de analisar se uma providência legal pode ser tomada contra ele pelo crime de roubo de bens e serviços. Mas Wittman tem sido incapaz de localizá-lo.

Tullos de Hilliard disse que seu museu “gostaria de achar uma maneira de pará-lo”, caso Landis decida adotar uma nova identidade e continue o que tem feito. “Ele é bastante erudito, conhece muito sobre história da arte, por isso é muito convincente”, disse ele. “Ele é uma arma. Mas duvido que vai haver algum apoio ou disposição para tomar alguma atitude contra ele, o que é lamentável”, completou. “Mas é a pura verdade. O nosso trabalho agora é certificar que cada museu por aí saiba o que ele vem fazendo e como é sua aparência”.

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