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13/01/2011 - Diário de Coimbra Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Jovem burlão queria-se “igualar” aos amigos com carros novos

Por: José Carlos Salgueiro

Jovem, julgado ontem em Penacova, assumiu todos os crimes ao Tribunal, numa sessão que causaria uma crise de epilepsia à mãe, visivelmente agastada.

Um rapaz, acusado de cinco crimes de burla, e outros tantos de falsificação de documentos, pela compra de veículos automóveis em diversos stands, assumiu ontem, perante o colectivo que o julgava, no Tribunal Judicial de Penacova, todos os actos que lhe eram imputados pela acusação do Ministério Público.
O jovem, que completou 26 anos em Dezembro de 2010, chegou atrasado, já depois de terem sido ouvidos os seus pais e dois dos vendedores, confirmando a veracidade dos factos constantes na acusação.
As palavras do jovem levaram a juíza presidente a lavrar um despacho onde, perante a “confissão integral e sem reservas”, não se considerou necessária «a produção de mais prova».
O facto do arguido ter confessado os crimes, dando a explicação de que a sua motivação, em 2006, foi «infantil», não impediu a presidente do colectivo de lhe passar um “raspanete”, principalmente quando o confesso autor dos crimes manifestou intenção de reparar os pais, recorrendo a um trabalho em part-time.
Com efeito, o rapaz tinha emprego, como padeiro, na altura em que efectuou a compra dos cinco carros, recorrendo à falsificação das assinaturas dos pais.
Em seu nome, e dando os progenitores como avalistas, adquiriu, em Julho de 2006, um Opel Corsa, por 8.500 euros, num stand situado na Ponte Velha, na Estrada da Beira, no concelho da Lousã.
Seria um negócio normal, não tivessem sido falsificadas as assinaturas dos avalistas, facto que se repetiu, por mais quatro vezes, até Dezembro do mesmo ano, em diversos pontos de venda de automóveis usados da região, desde o Monte Formoso (Coimbra), a Arganil e S. Pedro de Alva (Penacova).
No total, trata-se de cerca de 90 mil euros em créditos, sendo que, na maioria das ocasiões, o dinheiro pedido era superior ao valor do veículos. O jovem explicou ao tribunal que, a sequência de compras teve como motivação a obtenção deste tipo de «extras», porque «estava sem dinheiro».

“Só parei porque o meu pai descobriu”

O rapaz não teve problemas em dizer que avançou para mais negócios nesse sentido, «porque não tinha dinheiro», garantindo também que, só «parei no quinto, porque o meu pai descobriu».
Apesar de ser muito jovem, em 2006, na altura dos crimes, já tinha adquirido um apartamento, a crédito, sendo que, na maior parte da vezes, as prestações acabariam por ser pagas pelos pais, por incumprimento deste.
O pai do rapaz, motorista de transportes internacionais, disse ontem ao tribunal que só teve conhecimento da situação a 5 de Dezembro de 2006, quando, numa viagem de trabalho, conferiu o extracto bancário e verificou que lhe tinha sido retirada uma quantia de dinheiro de que não estava à espera.
Na altura, disse ontem, o jovem, depois de confrontado, terá assumido duas das situações, explicando que queria ter carros novos, como os amigos, mas, só depois de começarem a chegar as penhoras é que o pai se terá apercebido da dimensão do problema.
Neste momento, o pai do arguido tem quatro carros em casa, a que se soma o primeiro a ser comprado, o mais barato, por sinal, retido numa oficina de Poiares, onde falta pagar a reparação efectuada. Tem também parte do ordenado penhorado.
O homem, visivelmente agastado, disse que tentou entregar as viaturas às instituições de crédito, mas estas «disseram-
-me que não são stands», revelando não ter estranhado a mudança frequente de cerro, por parte do filho, uma vez que este garantia pertencerem ao patrão, onde dizia trabalhar em part-time.
Na verdade, foi ontem revelado, os veículos estavam estacionados perto de casa do arguido, que só os entregou ao pai, depois de ter sido confrontado com as ilegalidades cometidas. l

Comoção foi demais para a mãe do arguido

A mãe do jovem que ontem foi julgado sofre de epilepsia, doença que se manifestaria na altura das alegações finais.
A mulher, que não prestou declarações, por ter esse direito, mas deu a entender que corroborava as palavras do marido. Não aguentaria a pressão, sofrendo as convulsões próprias da patologia de que padece.
O Tribunal de Penacova teve necessidade de chamar os bombeiros, que chegaram a tempo de assistir a uma segunda crise.

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