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11/01/2011 - IPC Digital Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Imobiliária nega ter cobrado altas taxas para empréstimo do Hello Work

Por: Osny Arashiro

Brasileira acusa uma outra imobiliária de não repassar dinheiro ao dono do imóvel e que foi obrigada a deixar o apartamento.

“Não cobramos taxas de assessoria para obter o Shushoku Antei Shikin Yushi (Empréstimo para Desempregado em Busca de Recolocação) conforme os jornais tem noticiado”, afirma Yoshimasa Nomata, proprietário da Imobiliária Nomata, antiga Imobiliária Brasil, localizada em Hamamatsu (Shizuoka). “O que cobrávamos na época era apenas o valor de um mês de aluguel, o que está dentro das normas do ramo imobiliário”, explicou Nomata ao ipcdigital na terça-feira (11). Na semana passada, os jornais japoneses Asahi e Shizuoka, noticiaram sobre o extinto Empréstimo para Desempregado em Busca de Recolocação que ficou conhecido na comunidade por “empréstimo do Hello Work”. Segundo os jornais, o Ministério do Trabalho, Saúde e Bem Estar Social iniciou uma investigação para apurar as elevadas taxas de assessorias cobradas por imobiliárias que intermediaram para cerca de 400 brasileiros. Ainda segundo os jornais, essas taxas seriam de 20% sobre o valor do empréstimo.

“Comentam que algumas imobiliárias cobravam até 200 mil ienes pela assessoria. Isso não é verdade”, rebate Nomata. “Acontece que vinha gente de Gunma e outras províncias nos procurar, mas nunca chamamos ninguém, vieram espontaneamente. Então se tiveram gastos com transporte e estadia (até o empréstimo sair) essas despesas foram gastos pessoais, não foram cobrados pela nossa imobiliária”.

“No período em que o empréstimo esteve em vigor, nossa imobiliária prestou serviços para 200 estrangeiros que conseguiram a aprovação”, contabiliza Nomata. “Porém, não sabemos informar o montante desse pessoal que deixou de devolver o valor do empréstimo ao governo, conforme o regulamento, pois muitos deles embarcaram de volta ao país de origem”. Nomata acredita que devido à inadimplência, o governo resolveu fazer uma investigação mais apurada. “Mas até agora, nunca veio nenhuma autoridade, nenhuma polícia ou representante do Ministério para investigar nossa imobiliária, apenas a imprensa tem vindo aqui,” afirma. “Não estou preocupado porque não cometemos nada de irregular”.

Por diversas vezes o ipcdigital tentou entrar em contato com uma outra imobiliária da qual também se comenta ter cobrado altas taxas de assessoria. Está localizada no bairro Terajima, mas o responsável não quis prestar nenhum esclarecimento. Afirmou que os funcionários que lidavam com a assessoria naquela época não trabalham mais para a imobiliária, que por sua vez, já mudou de ramo e atua no setor da informática.

Novela antiga

Os problemas originários pelo empréstimo do Hello Work são conhecidos pela comunidade brasileira desde a sua implantação, em dezembro de 2008. Pelo menos dois agentes que ficavam em frente ao Hello Work para aliciar brasileiros foram expulsos do local. Na edição 972, de 22/05/2010, o jornal Intenational Press publicou matéria Brasileiros são presos por fraude de documentos, no caso, o atestado de desligamento da empresa, para obter o empréstimo do Hello Work.

Imobiliária ficava com o dinheiro

A paulista G.S., de 27 anos, é separada e mãe de duas crianças. Em janeiro do ano passado descobriu a arapuca na qual havia caído, quando uma pessoa bateu à sua porta mandando desocupar o apartamento que havia alugado no bairro de Asada, em Hamamatsu (Shizuoka) através do empréstimo do Hello Work. Ela descobriu que a imobiliária com a qual havia feito as negociações para receber o empréstimo não tinha feito o repasse do depósito de fiança (shikikin) e a gratificação (reikin) ao proprietário do apartamento, o equivalente a seis meses de aluguel. Sendo assim, o proprietário iniciou uma pressão para a brasileira deixar o imóvel por falta de pagamento.

“Meu problema não teve nada a ver com o Hello Work e o banco que liberou o empréstimo, mas sim com a imobiliária”, esclarece a brasileira. “Fiz o empréstimo, o banco pagou o valor das luvas mas esse dinheiro nem passou pelas minhas mãos, foi direto para a imobiliária que deveria ter feito o repasse ao proprietário do imóvel”. A brasileira também descobriu que o valor real do aluguel era de 38 mil ienes, mas a imobiliária cobrava 52 mil ienes. “Um dia fui até a imobiliária, mas chegando lá tinha um sujeito cheio de tatuagens e uma moça que parecia de gangue de motoqueiros, para mim são uns bandidos”, afirma.

Para não ficar sofrendo ameaças, a brasileira preferiu procurar outro apartamento. “Sou separada, vivo sozinha com minhas duas crianças, não quero brigar com essa gente”, explica. “Eles operavam em parceria com agentes brasileiros que aproximavam das pessoas em desespero em frente ao Hello Work. O desempregado e sem moradia aceitava qualquer oferta de ajuda e assim era mais fácil de ser aliciado”. No mesmo prédio onde residia G.S. outras três famílias brasileiras também foram lesadas com o mesmo golpe pela mesma imobiliária.

Financiamento do Fundo de Estabilização (Shuushoku Antei Shikin Yuushi)

Financiamento oferecido pelo governo do Japão a partir do dia 19 de dezembro de 2008, destinado às pessoas que perderam o emprego e tiveram de desocupar o apartamento. O valor bruto do empréstimo podia chegar a até ¥ 1.760 milhão, mas na prática a "parte do leão" era depositada diretamente na conta da imobiliária. Para o cidadão que obtinha o empréstimo, restavam apenas seis parcelas de ¥ 150 mil que ele recebia mensalmente. Após esse período, ele deveria começar a devolver o valor emprestado em até 10 anos, ao juro de 1,5% ao ano.

O Governo encerrou esse empréstimo no dia 30 de setembro de 2010. Até o final de abril de 2010, o balanço era de 11.524 empréstimos, entre os quais, 365 foram de forma fraudulenta. Segundo o Ministério, as cifras desses casos chegaram a ¥ 430 milhões. Muitos brasileiros fizeram o empréstimo mas retornaram ao Brasil e sequer saldaram a dívida. Essa foi a fraude mais comum, pois 59% dos beneficiados desapareceram após o recebimento do dinheiro e 41% alegaram falsamente ter perdido o emprego e a moradia

Veja os valores:

- Despesas com luvas para a imobiliária ao alugar apartamento ¥ 400 mil.

- Despesas com a mudança ¥ 100 mil.

- Ajuda para pagamento dos aluguéis ¥ 60 mil x 6 ¥ 360 mil.

- Custo de vida e despesas de locomoção para procurar trabalho ¥ 150 mil x 6 ¥ 900 mil.

Novas denúncias ou informações sobre o caso escrevam para o e-mail arashiro.osny@ipcworld.co.jp .

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