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10/12/2010 - O Globo Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

A Rebelião dos Hackers

Por: Theófilo Silva


Shakespeare dá sua visão de revolução pela boca de Jorge Bevis, na peça “Henrique VI parte 2”. Diz Bevis: “Eu te digo que Jack Cade, o tecelão, pretende vestir o Estado, virá-lo e colocar-lhe novo pelo”. A ideia de que o governo é um animal e necessita trocar de pelo, roupagem, para continuar existindo é excelente metáfora.
Jack Cade é o autor da famosa Rebelião de Jack Cade, ocorrida na Inglaterra no ano de 1450. Shakespeare imortalizou Cade numa de suas primeiras peças teatrais. Como os dados históricos sobre a revolta são escassos, o bardo deixou, como sempre, sua imaginação vagar, transformando Jack numa figura muito louca. Fazendo pilhérias em meio aos desordeiros, seu companheiro, Dick dá o tom do que estar por vir: “A primeira coisa que devemos fazer é matar todos os advogados”. E matam mesmo, gente do povo, aristocratas e qualquer um que soubesse ler e escrever. A revolta é mais uma, entre as centenas, feitas na Europa pelos camponeses e trabalhadores pobres. Uma espécie de preâmbulo para as revoluções francesa e russa.
O fato de que revoltas, revoluções, guerras possam surgir de tempos em tempos para “trocar o pelo do Estado”, como diz Shakespeare, são uma constante na história. Nem sempre essas mudanças são detectadas ou previstas pelos estudiosos. Elas, às vezes chegam sem aviso e provocam transformações que causam muita dor e sofrimento. Há ganhos e perdas. Mas foi assim que a humanidade avançou até o início do século XX.
Sabemos, sem risco de errar, que houve progresso. Que hoje há muito mais alimentos no mundo; que a fome diminuiu em vastas regiões do planeta; que a maioria das doenças foram erradicadas; que a facilidade de locomoção aumentou assustadoramente; e que conseguimos dobrar muitas das forças da natureza. Eis verdades incontestáveis. A história caminha a passos rápidos, mais rápido do que no passado, sobre a batuta da ciência e da tecnologia. Duas forças que o homem criou e não consegue controlar.
Para ficarmos somente nos últimos cinquenta anos, podemos dizer que a revolta dos estudantes em Maio de 68, na França, era previsível, dado o quadro europeu após a Segunda Guerra e o advento da Guerra Fria. Mas não imaginávamos, nem soubemos prever a derrocada da União Soviética nem a derrubada do World Trade Center em 11 de setembro de 2001, na alvorada do novo milênio.
As inegáveis conquistas e derrotas, ao longo da história, vieram em forma de revoluções, realizadas por heróis e vilões. Ou mesmo por fanáticos, homens que diziam os anarquistas: “Nesse tempo de cinismo e ironia, um santo nasceu para nós”. Raros foram os que, chamados de santos, fora da religião, se comportaram como um.
Sim, vivemos tempos de cinismo e corrupção em 2010. O Estado, absolutamente necessário, mente e manipula. O ocidente acompanha assustado a rapidez com que o oriente avança tomando rapidamente os espaços que eram seus, e tenta segurá-los com armas, segredos e mentiras. Nada diferente do que o oriente fez ou faz.
Nesse contexto delicado surge Julian Assange, o novo Messias, e seu exército de hackers gritando, “hackers de todo mundo, uni-vos”. E como adeptos de Jack Cade, em nome da liberdade de expressão, invadem e destroem corporações, bancos, governos etc. Dizem querer “trocar o pelo do monstro Estado”.
O grito dos trabalhadores para que se unissem foram ouvidos e eles se uniram. Só que trabalhadores são trabalhadores, hackers são piratas.
Estou pagando para ver em que vai dar essa Hackerie de riquinhos revoltados.

Theófilo Silva é articulista colaborador da Rádio do Moreno.

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