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09/12/2010 - G1 Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Holandês de 16 anos é preso por ataques a sites de cartões de crédito

Jovem teria admitido envolvimento com operação contra Visa e Mastercard. Na quarta-feira, páginas foram tiradas do ar por grupo pró-Wikileaks.

A polícia holandesa anunciou nesta quinta-feira (9) a prisão de um jovem suspeito de envolvimento nos ataques aos sites das operadoras de cartão de crédito MasterCard e Visa, coordenados por defensores do site Wikileaks.

De acordo com o "Wall Street Journal", os policiais prenderam o suspeito em sua residência na cidade holandesa de Haia. Segundo os policiais, ele admitiu imediatamente que participou dos ataques.

O porta-voz da promotoria de Haia, Wim de Bruin, afirmou que foram apreendidos os computadores supostamente utilizados no ataque, além de drives utilizados para armazenar informações que possam comprovar a ligação do jovem com os eventos que, durante a quarta-feira (8), tiraram do ar as páginas das operadoras de cartão de crédito.

De Bruin negou que as informações que levaram à prisão do jovem tenham vindo dos Estados Unidos, mas se recusou a dar mais detalhes sobre a operação. "Recebemos pistas de que os ataques ligados à Wikileaks foram coordenados da Holanda", disse o porta-voz da promotoria. "Esse é o motivo da investigação policial".

Guerra

Os hackers do grupo "Anonymous" prometeram nesta quinta-feira (9), em entrevista uma rádio britânica, um crescimento na guerra informática contra as empresas que cortaram os meios de financiamento do site WikiLeaks.

O grupo, que se organizou por meio de um fórum na internet, reivindicou os ciberataques de quarta-feira contra as empresas de cartão de crédito MasterCard e Visa, e de outros grupos que bloquearam as contas do WikiLeaks ou de seu fundador, o australiano Julian Assange.

"A campanha não terminou. Cada vez mais pessoas estão se unindo para ajudar. Cada vez mais pessoas estão baixando a ferramenta 'botnet' que permite ordenar os ataques DDoS", declarou à rádio BBC um porta-voz do grupo, que se apresentou como "Coldblood" (Sangue Frio).

Os "botnet" permitem realizar os chamados ataques de Negação de Serviço Distribuídos (DDOS) simultâneos a partir de um grande número de equipamentos para bloquear ou sobrecarregar uma página na web. "É uma guerra informática. Estamos tentando manter a internet aberta e livre para todo mundo, como sempre foi", acrescentou.

Estrutura

Quanto à estrutura do grupo, o porta-voz disse que o "Anonymous não segue nenhum meio convencional, é apenas um grupo de pessoas que, quando acha que uma ideia que circula é suficientemente boa, entra em ação".

Em um chat com a agência AFP, os organizadores do "Anonymous" prometeram estender sua campanha a qualquer um que tenha "uma agenda anti-WikiLeaks" e descrevam Assange como um "mártir da liberdade de expressão". "Começamos como uns poucos usuários (menos de 50). Agora, somos cerca de 4 mil".

Apesar de anunciar suas ações no Twitter (@Anon_Operation) ou por meio de seu site, Anonops.net, os organizadores do "Anonymous" não quiseram identificar futuros objetivos, mas garantiram que continuarão com a campanha contra as tentativas de silenciar Julian Assange e seu site.

Ataques

Os hackers do "Anonymous" fizeram seu primeiro ataque DDoS no sábado (4), derrubando o blog do serviço de pagamentos on-line PayPal por pelo menos oito horas.

Além do Visa, MasterCard e do Postfinance, que anunciou o fechamento da conta de Assange, os hackers também atacaram outros sites da Suécia, país que busca a extradição de Assange. Nos últimos dias, também foram atacadas o site da promotoria sueca e dos advogados das duas mulheres que acusam Assange de "estupro e agressão sexual".

O australiano, de 39 anos, se encontra detido na prisão londrina de Wandsworth, após o juiz responsável pelo processo de extradição solicitada pelas autoridades da Suécia negar na terça-feira sua liberdade sob fiança.

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