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07/12/2010 - Extra Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Mais inteligência e menos tiros

Por: Marcelo Gomes


Nem só de fuzil e tanques foi travada a guerra da Vila Cruzeiro e do Alemão. As recentes operações que devolveram os conjuntos de favelas ao controle do Estado e a investigação que resultou no pedido de prisão de mulheres de chefões do tráfico — acusadas de lavagem de dinheiro — são fruto do investimento da polícia e do Ministério Público em inteligência. O objetivo é evitar o simples enfrentamento, que resulta em inocentes mortos e feridos por balas perdidas.

Inaugurado em junho de 2009, o Laboratório de Lavagem de Dinheiro do Ministério Público teve papel fundamental na análise das movimentações bancárias dos parentes dos traficantes Alexander Mendes da Silva, o Polegar, e Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco.

A investigação concluiu que para lavar o dinheiro do tráfico, os criminosos colocavam imóveis e veículos no nome de seus familiares e de outros “laranjas”, que não tinham antecedentes criminais. Desta forma, as operações não levantavam suspeitas das autoridades.

— Imagine uma investigação com dez suspeitos, sendo que cada um tenha três contas bancárias. Sem o laboratório, para cruzar todas as transferências bancárias, um promotor e um assistente levariam dois anos. Nós conseguimos fazer isso em um mês. E com muito mais detalhes: o sistema faz gráficos que mostra o caminho do dinheiro. Os diversos caminhos viram o que chamamos de teia. A visualização gráfica dessas transferências facilita a compreensão — explica Antônio Algebaile, diretor de análise do Laboratório de Lavagem de Dinheiro do MP.

O laboratório — formalmente chamado de Coordenadoria de Tecnologia em Investigação e Análise no Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Cotec-LD) — possui sete analistas. Eles utilizam um software, chamado I-2, que faz esses cruzamentos instantaneamente. O maior trabalho, dizem, é alimentar o sistema com os dados fornecidos pelos bancos, após a quebra do sigilo bancário dos investigados.

— Na esfera criminal, o tempo é inimigo da Justiça. O laboratório é um facilitador do trabalho do promotor: analisa volumes imensos de informações num curto período de tempo. É como achar uma agulha no palheiro — diz o promotor Reinaldo Lomba, coordenador do laboratório.

Além de prender, bloquear bens

Segundo a promotora Renata Bressan, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), para que as organizações criminosas — de traficantes, milicianos ou do colarinho branco — sejam desarticuladas, não basta apenas prender seus integrantes.

— Como muitas vezes esses criminosos são primários, eles acabam pegando penas brandas e ficam pouco tempo na prisão. E quando saem, usufruem dos bens adquiridos com dinheiro sujo. Então, além de colocá-los na cadeia, é necessário que eles e seus familiares sejam impedidos de terem posse de imóveis e veículos comprados com dinheiro ilegal — disse a promotora, responsável pelas denúncias por lavagem de dinheiro contra Silvânia Fernandes Faria, mulher de Elias Maluco, e Viviane Sampaio da Silva, mulher de Polegar.

Conforme o EXTRA noticiou sábado, nas denúncias à Justiça, o MP pediu o sequestro de todos os bens em nome de Viviane e Silvânia.

Em um ano e meio, o Laboratório de Lavagem de Dinheiro do MP já atuou em 104 investigações — 40 estão em andamento. A maioria é referente a crimes do colarinho branco (desvio de recursos públicos), e à lavagem de dinheiro por quadrilhas de traficantes e milicianos. O órgão ajudou nas investigações das milícias dos irmãos Natalino e Jerominho, de Rio das Pedras e da Gardênia Azul.

Polícia Civil também tem seu laboratório

Em agosto deste ano, a Polícia Civil também ganhou seu Laboratório de Lavagem de Dinheiro.

— É uma mudança de paradigma nas nossas investigações, que serão ampliadas. Agora, passaremos a identificar pessoas que não estão traficando drogas ou desviando recursos públicos diretamente. Em muitas organizações criminosas, a célula que lava dinheiro não tem qualquer contato com a célula que trafica entorpecentes ou rouba os cofres públicos. Antes, dificilmente os integrantes dos altos escalões dessas quadrilhas eram identificados. Agora isso vai mudar — disse o delegado Flávio Porto, do Núcleo de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro.

O delegado concorda que, para que as organizações sejam desarticuladas, é preciso impedir que o dinheiro seja movimentado.

— O que move a organização criminosa são seus ativos. Então, para que a quadrilha seja desmontada na sua essência, precisamos inviabilizar a transferência da renda com a atividade criminosa, através do bloqueio das contas bancárias e sequestro dos bens.

A Polícia Civil do Rio é a primeira a contar com um laboratório de lavagem de dinheiro. Em todo o país, já são 13 em operação.

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