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05/12/2010 - O Estado de São Paulo / Ag. Estado Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

"Difícil crer que a Minustah não sabia das fraudes"

Por: Gustavo Chacra

Jean François Tardieu, professor de ciência política da Universidade do Estado do Haiti.

É difícil imaginar que a Missão da ONU para a Estabilização do Haiti (Minustah) não soubesse das irregularidades nas eleições locais antecipadamente, já que acompanhou todo o processo. A avaliação é de Jean François Tardieu, professor de ciência política da Universidade do Estado do Haiti. A seguir, trechos da entrevista com Tardieu.

Oposição e observadores internacionais afirmam ter havido irregularidades na votação. As eleições deveriam ser canceladas?

Todos sabiam que haveria fraude. O que ninguém esperava era que fosse nessa dimensão. A ideia do governo, provavelmente, era elevar um pouco os votos de (Jude) Celistin para ele ir ao segundo turno. Mas as pessoas responsáveis pelas fraudes perceberam as irregularidades. No fim, fizeram mais do que seus chefes pediram. Eleitores não encontraram seus nomes nas listas ou foram impedidos de votar. Você aceitaria uma eleição assim no Brasil?

Os opositores prometem rejeitar o resultado. Se a eleição não for cancelada, o que ocorrerá?

A situação hoje não é a mesma de domingo. Apesar de todas as irregularidades para favorecer Celistin, existe a possibilidade de Michel Martelly e Mirlande Manigat (opositores) irem para o segundo turno. Eles inclusive já baixaram o tom de seus discursos.

Quais as posições políticas dos principais candidatos?

Celistin é casado com a filha do presidente (René) Préval e seria uma continuação da dinastia. Manigat é de centro-esquerda e simboliza as mulheres haitianas. Já Martelly é um músico carismático. Ele pode mudar de lado a qualquer momento. Agora, por exemplo, diz ser o defensor dos pobres, mas nos anos 90 apoiou os militares.

Se a eleição for cancelada, Préval continua no poder?

Há duas visões. Pela lei, o presidente da Suprema Corte deve assumir, mas alguns governistas dizem que, no caso de impasse, Préval fique no poder.

A Minustah poderia ter feito mais para impedir a fraude?

Acho difícil imaginar que a Minustah não soubesse das irregularidades das eleições haitianas antecipadamente. Eles acompanharam todo o processo.

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