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04/07/2007 - TI Inside Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Crimes na internet movimentam US$ 105 bi e superam o tráfico de drogas


Os crimes cibernéticos já representam faturamento mundial superior a US$ 105 bilhões, segundo levantamento do governo norte-americano divulgado pelo juiz Fernando Neto Botelho. Ele participou da audiência pública conjunta das Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), nesta quarta-feira (4/7), para discutir o substitutivo do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) a três projetos de lei em tramitação no Senado que visam combater a prática desses crimes no Brasil.

A cifra, segundo o perito criminal Paulo Quintiliano da Silva, do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, já ultrapassa o do tráfico de drogas. Em sua exposição na audiência pública, ele disse que atualmente os criminosos da internet objetivam obter vantagens financeiras ilícitas por meio de fraudes. A prática era diferente nos primeiros crimes, pois, conforme explicou, os delitos eram cometidos com a finalidade de mostrar que era possível burlar a segurança.

Para Silva, no início os crimes cibernéticos poderiam ser considerados "mais românticos", quando eram cometidos por pessoas que gostavam de mostrar aos outros que eram capazes de invadir os sites mais seguros. “Agora, o criminoso atua para obtenção de vantagem financeira ilícita. Para isso, ele não tem que trocar tiros com a polícia, apenas usar um teclado e um mouse. Ele obtém vantagem com mais facilidade e sem grandes riscos”, explicou.

O perito também revelou que a Polícia Federal encontra dificuldades na investigação de crimes cibernéticos, e salientou as relativas aos delitos praticados pelo sistema de internet sem fio. O especialista explicou que criminosos se utilizam desse sistema para cometer fraudes e, quando a polícia vai investigar a origem da rede, normalmente descobre que são escritórios cujos responsáveis nem tinham conhecimento do crime.

O diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação (NIC.br) e representante de do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), Demi Getschko, disse que a solução para eliminar crimes cometidos via internet não depende apenas da legislação brasileira. Ele alertou que a rede é mundial e, portanto, não há solução local para problemas como vírus, spam ou fraude. “A legislação sozinha não basta”, afirmou.

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