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21/11/2010 - ES Hoje Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

O aviltante preço do crime

Por: Pedro Valls Feu Rosa


Dia desses li uma curiosa frase de um conceituado empresário capixaba, segundo quem “dinheiro é que nem mulher, não agüenta desaforo”. Estas palavras me fizeram refletir sobre o quanto perde o Brasil por não observar um mandamento tão simples!

Consideremos, por exemplo, o dinheiro dos turistas. Segundo dados divulgados em 2007 pela Organização Mundial do Turismo, o Brasil teve uma queda de 6% no número de visitantes, em função principalmente da violência. Tradução: o dinheiro dos turistas não suporta o desaforo dos assaltos, e a riqueza do Brasil o da ineficiência estatal.

Há também o comércio. Só o do Rio de Janeiro tem gasto uns 2,8 bilhões de Reais por ano em função da violência. Já os bancos brasileiros gastam 1 bilhão de dólares em sistemas de segurança. As administradoras de cartões de crédito perdem, anualmente, 100 milhões de dólares devido a fraudes.

As empresas de transportes, que até alguns anos atrás gastavam 3% de seu faturamento com segurança, hoje já dispendem 12%. Só aqui em Vitória, quase 16% da receita mensal delas some por esse ralo.

A conseqüência: como “dinheiro não suporta desaforo”, 52,2% das 1.642 empresas consultadas pelo Banco Mundial em recente pesquisa declararam que reduzem e impõem restrições a novos investimentos no Brasil.

Um exemplo disso é o de uma gigante norte-americana do ramo de petróleo que, até recentemente, reavaliava os planos de investimentos de 2 bilhões de dólares no Brasil – seus executivos ficaram horrorizados com a insegurança daqui.

Há, inclusive, o caso emblemático de uma grande fábrica de lâmpadas que empregava 2.000 brasileiros. Em função dos constantes tiroteios na região, o primeiro passo foi reduzir o número de funcionários – 1.000 brasileiros perderam o emprego. O segundo passo, inspirado por traficantes que invadiram a indústria para lá esconder cocaína e armas, foi fechar toda a unidade de produção. Mais 1.000 brasileiros “foram para o olho da rua”. Em resumo: isto tudo gera desemprego e atrasa o desenvolvimento.

Aliás, por falar em desenvolvimento, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), levando em conta prejuízos materiais, tratamentos e horas de trabalho perdidas, calculou que o crime “rouba” cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Só para fins de comparação, nos Estados Unidos da América as perdas são de 4% (menos da metade, pois).

Parece muito? Fiquemos apenas no caso das emergências médicas: o Brasil gasta incríveis R$ 21 bilhões por ano, ou cerca de 40% dos gastos totais com a saúde, apenas no atendimentos às vítimas da violência. Inclusive, li que cerca de 50% das cirurgias plásticas realizadas no não tão distante ano de 2001 tiveram “caráter reparador”, reflexo da violência. Não custa lembrar que de lá para cá o problema só tem piorado.

E por último, como a vida também não suporta desaforos, só por causa dos assassinatos o brasileiro médio vive um ano e três meses a menos. Se ele morar no Rio de Janeiro terá escandalosos três anos a menos de existência.

Diante desta situação, é surpreendente o silêncio de nossa sociedade! A cada dia nos trancamos mais em nossas próprias casas, oprimidos pela ineficiência do Estado no combate ao crime. Talvez fosse o caso de lembrarmos a frase de Dante Alighieri: “quem aceita a opressão nela consente”. A cada dia nos silenciamos mais diante da escandalosa carência de recursos materiais e legais dos aparelhos policial e judicial. Talvez devêssemos recordar o conselho de Günter Grass: “cabe ao cidadão não deixar de falar as coisas”.

Ouso finalizar manifestando a certeza de que enquanto estas duas frases não forem levadas a sério pelos brasileiros, somente nos restará uma terceira, de autoria de Stanislaw J. Lec: “não grite por socorro à noite; pode acordar os vizinhos”.

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