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12/11/2010 - Veja Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Fraude no Panamericano lança dúvidas sobre trabalho das auditorias

Por: Derick Almeida

Especialistas falam sobre a função dessas empresas e pedem regras mais claras.

Em duas situações distintas, as empresas de auditoria Deloitte e KPMG não identificaram erros em documentos repassados pelo banco Panamericano. A primeira teve como missão analisar de maneira sistemática as informações dos balanços da instituição; já a KPMG, contratada pelo Banco Fator, que assessorou a Caixa Econômica Federal na compra de parte do Panamericano, foi responsável pela operação de maior notoriedade: a due diligence – investigação de dados contábeis tendo em vista um processo de compra ou fusão.

Uma série de procedimentos, com a finalidade de balizar e fiscalizar a atividade contábil no mundo, foi implementada pela Federação internacional de Contadores (IFAC, na sigla em inglês) em 1977. O Brasil, por influência do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), iniciou o processo de adequação de seu conjunto de normas aos padrões internacionais apenas em janeiro de 2010 e, portanto, passou a cobrar de maneira mais efetiva de auditores e contadores atitudes éticas e qualidade maior nos trabalhos. Segundo a entidade, as normas são claras e objetivas: “ O auditor sabe o que tem de fazer”, afirmou um contador que não quis ser identificado.

Marco Antonio Papini, diretor da MAP Auditores, comenta que o trabalho de um auditor não é apenas dar o sinal positivo para os balanços fornecidos pelas empresas que contrataram o seu serviço. “A empresa de auditoria tem de conhecer o mercado no qual atua o contratante, conversar com a auditoria interna da empresa, observar a evolução dos saldos de abertura e finais – melhor maneira de identificar fraudes - e verificar se todas as operações realizadas ao longo do tempo foram devidamente registradas”, afirma.

Dentro deste corpo mais abrangente de regras que guiam o trabalho dos auditores, há a possibilidade de as auditorias personalizarem o seu modo de atuação, ou seja, dedicar maior atenção a determinados elementos em detrimento de outros, de acordo com a necessidade da empresa que contrata o serviço. Segundo Papini, no caso de auditorias em bancos e, em especial, em processos de fusões ou aquisições de empresas, como foi o caso da compra de 35% do banco PanAmericano pela Caixa Econômica Federal em 1º de dezembro de 2009, o trabalho fica ainda mais complexo. “Em fusões e aquisições, o due diligence feito por auditorias contratadas deve ir além do que seria feito em operações convencionais. Quando falamos em grandes operações, a responsabilidade aumenta e todos os riscos potenciais devem aparecer”, completou Papini.

Crise financeira de 2008 – Esta não é a primeira vez que possíveis erros de metodologia colocaram em risco o mercado de capitais. Às vésperas da maior crise econômica desde a década de 30, as agências de classificação de risco, que têm como função classificar empresas e investimentos de acordo com sua saúde financeira e grau de rentabilidade, recomendavam aos investidores aplicações que já tinham sido contaminadas pela precariedade dos investimentos em hipotecas subprime – crédito com alto risco de inadimplência.

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