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09/11/2010 - Folha de São Paulo Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Falsa médica é suspeita de realizar partos em SP; bebê morreu


Duas pessoas que trabalhavam em uma clínica em São Mateus, na zona leste de São Paulo, foram presas na madrugada de segunda-feira (8) suspeitas de estelionato e exercício ilegal de medicina. No local eram realizados atendimentos médicos e partos -um deles, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública, terminou com a morte de um recém-nascido.

Uma guarda civil metropolitana de 31 anos compareceu ao 69º DP (Teotônio Vilela) informando que estava grávida e, após passar mal, foi à clínica, onde foi recebida por uma mulher de 59 anos que se identificou como médica.

Após examinar a paciente, ela prescreveu um medicamento e pediu para outra funcionária aplicá-lo. Ao solicitar o atestado médico, uma funcionária do local informou que a médica estava no centro cirúrgico e voltaria para fornecer o documento. No atestado, havia o carimbo de um médico que não atendeu a vítima.

A guarda civil questionou o fato, e a suposta médica respondeu que era enfermeira-obstetra e não tinha habilitação para fazer prescrições médicas.

A Polícia Militar foi acionada e encaminhou os envolvidos à delegacia, onde a acusada afirmou que recebeu, por telefone, orientações de um médico para a prescrição dos remédios. A vítima negou que ela tenha falado ao telefone durante a consulta.

A suspeita, que não portava nenhum documento, informou que trabalha na clínica há cerca de cinco anos, mas que seu nome não consta no livro de funcionários. Ela disse que não se recordava de possuir inscrição no Conselho Regional de Enfermagem, e contou que só havia estudado até a 8ª série.

Um médico de 52 anos, que teria contratado a falsa médica, confirmou as informações passadas pela mulher. Outros funcionários da clínica afirmaram que não sabiam que a suspeita se apresentava como médica.

Após consulta em seu sistema, a polícia constatou que havia um boletim de ocorrência de morte suspeita na clínica, registrado no dia 25 de outubro. O pai do recém-nascido morto no local foi chamado à delegacia e reconheceu a mulher como sendo a suposta médica que realizou o parto, com outras duas mulheres.

O médico e a mulher foram presos em flagrante, de acordo com a secretaria. Foram apreendidas fichas médicas, registro de funcionários e folhas com anotações feitas pela suspeita, para realização de exames grafotécnicos. O Cremesp (Conselho Regional de Medicina de SP) foi informado do caso.

O delegado do 69º DP determinou a abertura de dois inquéritos: um para investigar a clínica e outro para investigar o exercício ilegal da medicina e a morte do recém-nascido.

O nome dos envolvidos e da clínica não foi divulgado pela secretaria.

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