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12/10/2010 - Agência Financeira Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Recuperadores de crédito: negócio cresce de mão dada com a crise

Por: Paula Gonçalves Martins

Quando alguém deixa de pagar as prestações dos créditos, eles são chamados a intervir. Ligam, vão a casa dos devedores e, na maioria dos casos, conseguem o dinheiro de volta. No ano passado, recuperaram mais de 500 milhões de euros.

O sector da recuperação de crédito é, sem dúvida, um dos que pode ter na crise dos últimos anos uma enorme oportunidade de negócio. Mais desemprego, mais despesas, menos dinheiro e estão reunidas as condições para que muitas famílias deixem de pagar as prestações dos créditos que têm.

Com o malparado a atingir sucessivos recordes, estas empresas são cada vez mais procuradas, sobretudo por empresas do ramo financeiro, para contactarem os clientes devedores e os convencerem a pagar o que já devem. Na maioria das vezes, conseguem.

«Só no ano passado, as 27 empresas associadas da Associação Portuguesa de Empresas de Gestão e Recuperação de Crédito (APERC) conseguiram recuperar 504 milhões de euros de crédito malparado. Foram encerrados com sucesso 1,14 milhões de processos», sensivelmente metade dos que tinham em mãos, explicou o director executivo da associação, António Gaspar, à Agência Financeira.

Bancos pediram ajuda em mais de 2 milhões de casos

É que, em 2009, as empresas do sector financeiro entregaram nas mãos destes recuperadores mais de 2,35 milhões de processos. Se a taxa de sucesso tivesse sido total, as empresas teriam conseguido recuperar 2,03 milhões.

Actualmente a APERC conta já com 28 empresas associadas. No ano passado eram 27, empregavam 1.033 colaboradores, pagaram 2,34 milhões de euros de contribuições para a Segurança Social e 3,055 milhões de euros em impostos.

Cerca de 99% dos processos vêm do sector financeiro (bancos e empresas de crédito) e dizem respeito sobretudo a créditos à habitação. Mas há também muitos créditos pessoais, cartões de crédito, leasing, ALD, factoring e até descoberto autorizado das contas à ordem.

«As actuais condições económicas potenciam um aumento dos casos de incumprimento e isso faz aumentar também o recurso aos nossos associados. E com as sucessivas medidas de austeridade, prevemos que vai aumentar ainda mais não só este ano, mas também em 2011», diz o responsável.

Apesar de existirem mais casos, é também «mais difícil» recuperar o crédito de cobrança duvidosa, porque «muitas das famílias não têm mesmo como pagar. Estão sobreendividadas e o que ganham não chega para cobrir a dívida e os juros», explica.

80% pagam após um telefonema

São muitos mas estes não são a maioria. Dos devedores que pagam as dívidas após contacto dos recuperadores de crédito, «80 a 85% fazem-no logo após o nosso telefonema. São pessoas que se esqueceram, que não tinham dinheiro na altura em que a prestação caiu e depois quando recebem, pagam logo, pessoas a quem o dinheiro não chega para tudo e têm outras prioridades mas que acabam, após o telefonema, por alterar essas prioridades».

Os restantes 15 a 20%, que não se deixam convencer por telefone, normalmente cedem após uma visita, em pessoa, do recuperador.

Sobreendividados são casos perdidos para a banca

Os sobreendividados são considerados casos perdidos para o director executivo da APERC. «São pessoas cujos rendimentos já nem chegam para pagar a dívida e os juros correspondentes, quanto mais para viver».

Nestes casos, assegura, a recuperação das prestações vencidas é praticamente impossível. «Nestes casos, as empresas de recuperação devolvem o processo ao banco e a decisão sobre o que fazer a seguir é das instituições».

«Os bancos raramente levam estes casos a tribunal, porque o custo do processo pode ser elevado e o dinheiro acaba por não ser recuperado na mesma», explica. «Se desistirem, fecham o processo e usam as provisões obrigatórias para cobrir esse montante».

«Mas estes casos raramente são pessoas que têm apenas o crédito à habitação... são pessoas com muitos empréstimos acumulados», conclui.

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