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13/10/2010 - Revista Época / EFE Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Rússia declara guerra à superstição, negócio de US$ 2 bilhões

Por: Ignacio Ortega

Segundo autoridades russas, há pelo menos 800 mil curandeiros no país, contra 620 mil médicos. Lei proíbe que pessoas vinculadas a atividades paranormais anunciem em jornais, revistas.

Moscou, 12 out (EFE) - A Rússia declarou guerra à superstição, negócio que movimenta US$ 2 bilhões por ano, ao proibir a publicidade de curandeiros, futurólogos e videntes, entre outros praticantes do ocultismo.

"Na Rússia há 800 mil curandeiros, mas só 620 mil médicos. É ridículo tratar uma dor de dentes esfregando a bochecha com o rabo de um rato", afirma a deputada Tatiana Yákovleva, membro do comitê de Saúde da Duma (assembleia legislativa) russa.

A Câmara aprovou uma lei que proíbe anunciar nos meios de comunicação serviços de pessoas vinculadas com o paranormal, magia, feitiçaria, hipnose e vudu, entre outros.

"A lei procura proteger as pessoas da publicidade enganosa de falsos especialistas e, assim, preservar sua saúde física e moral", diz o documento aprovado pela Duma e do qual participou ativamente a Igreja Ortodoxa Russa (IOR).

Tatiana qualificou de "criminosos" os que enganam seus clientes com promessas de um remédio para o câncer ou a aids.

Por isso, a lei também proibirá o exercício daqueles que prometam a cura de doenças com métodos não científicos, exigindo uma licença reconhecida pela legislação e concedida pelo Estado.

A partir de agora, os meios de comunicação assumirão a responsabilidade pela publicação dos serviços desses praticantes alternativos sem licença oficial.

Esses "charlatões atraem muitos clientes sem dar nenhuma garantia e, muitas vezes, estão implicados em fraude. Causam um prejuízo moral e físico às pessoas e um prejuízo econômico ao país", denunciaram os deputados ao apresentar a iniciativa parlamentar.

A deputada cifrou em US$ 2 bilhões o dinheiro movimentado pelo negócio da superstição, enquanto a enquete do centro Levada cifrou em 20% o número de russos que visitou curandeiros para encontrar uma solução para alguma doença.

Os russos, que desconfiam da saúde pública, têm o hábito de recorrer a "serviços alternativos" para encontrar uma cura para seus problemas com o álcool, conseguir o retorno de maridos infiéis ou o êxito nos negócios.

A imprensa russa dedica muito espaço a anúncios e programas sobre serviços esotéricos, paranormais e adivinhadores do futuro.

Na internet, basta teclar as palavras "Maguicheskie Uslugi" (serviços mágicos) para se deparar com centenas de páginas que oferecem remédio para qualquer dor em troca de um pequeno preço.

"Nossos cidadãos, ao confiar nessas promessas, acabam sendo vítimas frequentes de fraude. Por isso, é necessário limitar o fluxo de informação", assegurou Yevgueni Fédorov, chefe da comissão da Duma sobre política empresarial.

A igreja ortodoxa apoiou a proibição, já que "nenhum país civilizado pode permitir a propagação em massa de serviços de bruxos e milagreiros", mas a qualificou de "tardia" e "insuficiente".

"Só proibir a publicidade é pouco. É preciso falar e escrever mais sobre as desgraças que causam ao povo. Em sua consciência recaem muitos destinos e vidas humanas", disse Vsiévolod Chaplin, porta-voz do Patriarcado de Moscou, segundo a agência oficial "RIA Novosti".

Ao mesmo tempo em que a IOR reconhece a possibilidade de que existam pessoas com faculdades curativas especiais, insiste que esses poderes devem ser provados cientificamente.

"Infelizmente, muitas dessas pessoas não só jogam com forças obscuras e estranhas, mas utilizam ícones e inventam orações. Inclusive me deparei com alguns que se fazem passar por membros da Igreja", destacou.

O público do ocultismo aumentou radicalmente no país pouco antes da queda da União Soviética e do fim da ideologia comunista, vazio que foi aproveitado por gente sem escrúpulos e uma grande habilidade para os negócios.

Os programas de televisão protagonizados pelos "bruxos" Alan Chumak e Vladimir Kashpirovski eram assistidos por milhões de telespectadores. Eles prometiam curar, inclusive, aqueles que se sentavam do outro lado do aparelho.

Os "bruxos" chegaram a fazer longas excursões pelo país, enchendo estádios com promessas de cura de tumores, paraplegias e outros males através de hipnose e magia. EFE

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