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08/06/2007 - G1 Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Preso suposto chefe da quadriha dos 5 irmãos


Acusado de chefiar uma quadrilha de estelionatários integrada por seus quatro irmãos, Wittembergue Magno Ribeiro, de 42 anos, foi preso pela na madrugada desta sexta-feira (8), numa churrascaria de São Conrado, na Zona Sul do Rio.

Os irmãos Welson, Walmir, Wandembegne e Wilkerson estão sendo procurados pela polícia porque, além de serem usados como “laranjas” por Wittembergue, teriam sido cúmplices nos golpes.

A prisão da quadrilha – que teria 21 integrantes – foi decretada pela Justiça depois de denúncia apresentada pela 23ª Promotoria de Investigação Penal. Os envolvidos teriam aplicado golpes que ultrapassariam os R$ 4 milhões.

A denúncia

Em cumplicidade com outros 16 suspeitos - inclusive a mulher de Wittembergue, Divânia -, a quadrilha teria também usado o nome de três inocentes como "laranjas".

Segundo a denúncia do Ministério Público, a organização criminosa possuía 32 firmas de fachada, com sede em quatro estados - Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo e Rio Grande do Norte - e no exterior: duas delas estariam sediadas no Panamá, na América Central.

“Os valores ilicitamente obtidos pela quadrilha, que constituem o proveito das violações patrimoniais, são advindos de uma série de estelionatos que, com certeza, não surgem mais lesados porque na maioria são pessoas físicas que ficam intimidadas quando descobrem a dimensão da quadrilha”, diz o documento enviado à Justiça pelo promotor Homero das Neves Freitas Filho.

Interessados nas vantagens oferecidas pelos estelionatários, empresários e investidores teriam feito transações comerciais com o grupo chefiado por Wittembergue. Documentos obtidos pelos investigadores revelariam que o principal suspeito agia desde 1989.

Os lesados

Entre os lesados, estariam uma empresa colombiana que investiu R$2 milhões e 46 mil no grupo. Ao descobrir que se tratava de uma firma de fachada, a representante do grupo colombiano chegou a receber os cheques da devolução, mas o pagamento deles foi sustado.

Um italiano seria outra vítima da quadrilha, segundo o documento da promotoria. Ele fechou um contrato de investimento de R$140 mil, com a garantia de uma remuneração mensal de 3,5% do valor aplicado. Além de não obter retorno, ainda teria perdido mais R$132 mil, ao aceitar descontar um cheque sem cobertura emitido por uma das firmas da quadrilha.

Outro empresário, interessado em obter financiamento para comprar máquinas, também foi enganado pela quadrilha. Segundo a denúncia do MP, a organização criou um banco virtual para simular o empréstimo de R$5 milhões solicitado pela vítima. O dinheiro não existia, e o empresário já desembolsara mais de R$300 mil em contratos.

Laranjas

A denúncia do MP identifica três pessoas de baixa renda que teriam sido utilizadas como “laranjas” por duas empresas da quadrilha. O contador da suposta organização criminosa, Dagas José Venâncio Sampaio, utilizou os dados das vítimas para fazer alterações no contrato social das firmas. A manobra teria o objetivo de evitar complicações fiscais para os estelionatários que figuravam na composição societária das empresas.

A quadrilha teria contado com a ajuda de advogados e contadores. O texto do promotor informa:

“Os denunciados (...) constituíam ou compravam empresas já constituídas (...) e ainda modificavam, através de alterações contratuais, nome social, nome fantasia, quantidades de cotas, endereço, aumentavam capital social para quantias milionárias, transferiam a sociedade ou parte dela entre eles mesmos ou para “laranjas”, isso tudo, na maioria das situações, ocorrendo inúmeras vezes na mesma empresa, tudo com o objetivo de criar uma verdadeira ‘confusão’ societária dificultando que fossem localizados, saltando aos olhos que a finalidade principal era lesar terceiros”, escreveu o promotor.

As investigações teriam descoberto farta documentação falsa utilizada pela organização criminosa. Segundo a denúncia do MP, só o chefe da quadrilha, Wittembergue Magno Ribeiro, possuía 12 cadastros de pessoa física (CPF) e quatro carteiras de identidade (RG).

Os envolvidos

Os quatro irmãos dele - Welson Lúcio Ribeiro, Walmir Lúcio Ribeiro, Wandembegne Cesar Ribeiro, Wilkerson Alexandro Ribeiro - e a mulher Divânia Ribeiro da Cruz foram denunciados por cumplicidade.

Além deles, foram denunciados também: Paulo Cesar Sant`Ana Francisco, Eliezer Gomes Leite, Mario Jorge da Costa Carvalho, Dagas José Venâncio Sampaio, Sérgio Monteiro Garcia, Luis Eduardo Ribeiro, Justiniano Ferreira da Silva, Cândida Rosa Bougleux da Cruz, André de Paula Lyra, Tarsis da Gama e Paula Neto, Laís Gomes de Alvarenga, Loana Valéria Perdomo Teixeira, Maria Silva Abreu, Marcos Aurélio Barros e Daniela Fagundes Cordeiro.

Os 21 denunciados vão responder por estelionato (sete vezes), falsidade ideológica (34 vezes) e formação de quadrilha. O pedido de prisão preventiva do grupo já está com Justiça, mas, segundo o Ministério Público, existem outros integrantes que não conseguiram ser identificados na investigação.

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