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07/06/2007 - G1 Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Entenda a cultura da pirataria na China

Por: David Barboza


Até que ponto a produção de produtos pirateados é um caso isolado na China? Em Wudi, no leste do país, algumas empresas tentaram economizar na produção inserindo a melamina, uma resina industrial, nos ingredientes de ração para animais como uma fonte barata de proteína, resultando em um dos maiores ‘recalls’ de rações jamais registrado.

Em Taixing, uma cidade no extremo sul, uma empresa de pequeno porte cometeu fraude utilizando um produto químico tóxico e barato em xaropes de uso farmacêutico, levando a uma intoxicação em massa no Panamá. E na província de Anhuia, ao leste, um grupo de empresários preparou uma fórmula de leite infantil falsa que acabou matando dezenas de crianças das zonas rurais.

Os incidentes são os mais recentes indícios de que a fabricação pelos meios mais fáceis e baratos ou a produção de bens falsificados não são apenas um legado do lançamento da China rumo ao livre mercado três décadas atrás, mas ainda estão entremeados no tecido que reveste a próspera economia industrial do país. Essa atitude é motivada por empreendedores que se aproveitam de um sistema jurídico fraco, regulamentações vagas e uma cultura corporativa conivente com o excesso de subornos e corrupção.

"Trata-se de um capitalismo de mercado inescrupuloso", declarou Wenran Jiang, especialista em China e professor da Universidade de Alberta. "Mas uma pergunta deve ser feita: isso é uma prática exclusivamente chinesa ou simplesmente ocorre no país uma ausência de regulamentações de mercado?".

Batalha perdida?

As falsificações não são novidade na China. Desde o momento em que as reformas econômicas do país começaram a se estabelecer na década de 80, as empresas bolaram inúmeras maneiras de produzir de tudo, desde peças de carro, bolsas de marca e cosméticos falsificados, até imitações baratas de cabos elétricos e do medicamento contra a impotência sexual masculina Viagra. Quase toda semana, os locais onde ocorrem as falsificações são intimados a encerrar as atividades. No entanto, o governo parece estar travando uma batalha perdida contra esse tipo de operação.

Dezenas de cidades chinesas ganharam notoriedade nas últimas duas décadas por serem as primeiras a se especializar em produtos falsificados, como Wenzhou, que ficou famosa por vender produtos da Procter & Gamble falsificados, e Kaihua, na província de Zhejiang, especializada em lâmpadas Philips pirateadas.

Durante um período, as pessoas até faziam piadas sobre a província inteira de Henan como a capital de produtos falsos ou abaixo do padrão, como remédios capazes de tornar a população miraculosamente mais alta.

Sem motivo para piada

Mas a descoberta de ingredientes perigosos em alimentos e remédios deu margem a questões mais sérias. Uma dessas operações é centralizada aqui em Wudi, a cerca de cinco horas a sudeste de Pequim. É para esse local que conduz a trilha do 'recall' das rações americanas.

Representantes de órgãos reguladores vieram para Wudi no início de maio e fecharam uma das maiores exportadoras de ração da região, a Binzhou Futian Biology Technology Co. Também prenderam o gerente da empresa, Tian Feng, depois que oficiais americanos identificaram a Binzhou Futian como uma das duas empresas chinesas responsáveis pelo embarque de ingredientes de ração contaminada para os Estados Unidos.

"Wudi ficou conhecida por falsificar farinha de peixe quase 10 anos atrás", disse Chen Baojiang, professor de nutrição animal na Agricultural University de Hebei. "Foi usado todo tipo de substância. No início era proteína vegetal, depois uréia. Agora é farinha de penas".

Fábricas artesanais

Em fábricas artesanais em uma pequena vila na periferia de Wudi, os moradores contam que centenas de trabalhadores produzem ração animal adulterada com sobras de peixe e ingredientes baratos que, em seguida, são embalados para venda para fazendeiros. Os criadores de peixe que nem desconfiam da fraude: grande parte das sobras de peixe vem de uma área próxima a Bohai Bay ou é importada do Peru e então misturada com substâncias baratas para elevar os lucros.

"Cerca de 90% da farinha de peixe do mercado é falsificada", disse Xue Min, que trabalha no Instituto de Pesquisas de Rações, uma divisão da Academia Chinesa de Ciências da Agricultura, em Pequim. "Até chegar ao consumidor, não se sabe quantos tipos de substâncias foram adicionadas".

Farinha para exportação

Entretanto, poucas empresas chinesas foram tão bem-sucedidas como a Binzhou Futian, que em 2006 garantiu contratos para exportar ingredientes de rações para grandes empresas nos Estados Unidos e na África do Sul. Os intermediários americanos e africanos dizem que descobriram a Binzhou Futian por meio de anúncios on-line e sites de comércio. As empresas não se deram ao trabalho de visitar as fábricas da Binzhou ou investigar seu histórico ou seus registros de exportação.

"Não tenho certeza de como chegamos à empresa, mas acho que foi através de pesquisa pelo Google", disse Leon Ekermans, diretor de marketing da Bester Feed and Grain, comerciante de grãos sul-africana. "Fomos informados por um intermediário de que a empresa havia sido do governo e que fabricava boas rações".

Quando investigadores da Food and Drug Administration (FDA) dos EUA visitaram a China no início de maio, na esperança de compreender como a melamina tinha ido parar entre os ingredientes de rações, tudo que encontraram foi uma fábrica da Binzhou Futian fechada. "Todas as operações estavam encerradas, as máquinas desmontadas, não havia nada que tivesse deixado alguma pista", disse Walter Batts, um representante da FDA.

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