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02/10/2010 - O Globo Online / Blogue Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Como identificar e (evitar) um candidato corrupto

Por: Jorge Antonio Barros


Nenhuma pessoa de bem e em sã consciência seria capaz de votar num candidato corrupto. Tanto tornou-se senso comum no país que a corrupção é algo inaceitável, sobretudo na política, que pela primeira vez na história a opinião pública se mobilizou da maneira organizada e bem-sucedida na aprovação da Lei dos Fichas Limpas, aquela que determina que candidatos a cargos legislativos e executivos não tenham manchas em suas folhas corridas, ou seja, a condenação em qualquer órgão colegiado; ou em segunda instância. Até o assunto chegar ao STF, que decidiu botar panos quentes. Como disse o colunista do GLOBO, Luiz Garcia, "se uma lei é boa, quando mais cedo entrar em vigor, melhor. Se os objetivos de uma lei atendem ao interesse público, a lei deve impedir que eles sejam desprezados, por meio de farsa ou sofisma".

Boa parte da sociedade brasileira está convencida de que a corrupção é, sem dúvida, um dos maiores entraves ao desenvolvimento econômico e a redução da desigualdade social. Prova disso é que o relatório do Índice de Percepções da Corrupção (IPC), da Transparência Internacional, deixou em 2009 o Brasil com apenas 4 pontos, o que significa que aqui é alto o grau em que a corrupção é percebida entre funcionários públicos e políticos. Com isso o país ficou na zona vermelha, ocupando um 75o lugar entre 182 países pesquisados. A percepção que o brasileiro tem da corrupção não é apenas resultado da visibilidade dada ao assunto pelos veículos de comunicação, mas sobretudo no dia-a-dia em que o cidadão lida com a máquina administrativa pública, seus agentes e os sanguessugas desse aparato.

Apesar da percepção que temos da corrupção como sendo algo nocivo e criminoso, para muita gente ainda é difícil se livrar de suas teias, seja por desconhecimento ou mesmo por interesses pessoais. Sem contar o fato de que o corrupto em geral é boa-praça, pai/mãe e avô/avó de família como outra pessoa qualquer, tem uma lábia que o/a apresenta até como inimigo da corrupção, pois sua especialidade é realmente seduzir e dominar as consciências. Com a implantação efetiva da Lei da Ficha Limpa, por exemplo, alguém duvida que vai haver consultoria política especializada em limpar a ficha de candiatos?

Como o tema deste blog é segurança pública e criminalidade, não posso deixar de dar modesta contribuição ao processo eleitoral para que a sociedade limpe a política de candidatos corruptos. Por isso vou elencar as principais características que considero indicativas de quem um candidato ou político esteja envolvido em falcatruas visando o próprio bolso ou de sua quadrilha. Para escapar do risco da generalização é preciso levarmos em conta de que nem todo político ou candidato que apresente alguma dessas característicos é corrupto, mas com certeza todo corrupto apresenta alguma ou várias delas:

1) Evolução patrimonial constante sem base em atividade profissional lícita ou herança familiar comprovada na Justiça.

2) Sinais exteriores de riqueza, como carros de luxo, imóveis em áreas nobres de sua cidade e/ou no exterior, viagens milionárias - às vezes a custa de diárias pagas pelo contribuinte. Tudo sem qualquer lastro em trabalho ou atividade empresarial que justifique os bens e a movimentação financeira.

3) Parentes beneficiados por viagens nababescas ao exterior, presentes caros e filhos matriculados em escolas ou faculdades para pessoas de alto poder aquisitivo.

4) Movimentação financeira ou padrão de vida incompatíveis com os ganhos como servidor ou profissional.

5) Uso da de parentes para ocultar bens e riquezas, o que deveria obrigar aos candidatos honestos a passarem a apresentar a declaração de renda de cônjuges e parentes em primeiro grau.

6) A prática do nepotismo, contratação de parentes em cargos públicos.

7) A rede de amigos e patrocinadores, que podem estar envolvidos com atos ilegais, ilegítimos ou antiéticos, assim como a conivência com a atitude deles, o velho "rouba, mas faz".

8) As anotações criminais, processos na Justiça e nos Tribunais de Contas ou mesmo investigações jornalísticas que levantem suspeitas sobre a conduta da pessoa, de seus negócios e/ou da seu envolvimento em licitações fraudulentas ou desleixo no trato da coisa pública.

9) A postura absolutamente relaxada diante de obrigações como o pagamento de impostos, de dívidas e simples multas de trânsito.

10) Informalidade no trato com as finanças, evitando contas bancárias e usando muito dinheiro em espécie e até dólar.

11) A obtenção de uma rede de pessoas influentes em diversas esferas de poder público ou privado, autoridades policiais e do Poder Judiciário, que facilitem suas atividades e o blindem no momento de dificuldade ou de exposição de suas atividades suspeitas ou flagrantemente ilícitas.

12) Demonstração de desprezo diante da possibilidade de eficácia da Justiça, das instituições e órgãos públicos fiscalizadores, da legislações e até de códigos de conduta ética.

Mesmo que a gente não disponha de todas essas informações sobre alguém, não é difícil comparar a mudança de comportamento ou de vida, de padrões econômicos e sociais, antes e depois de a pessoa ingressar na política.

O blog aceita nos comentários ou pelo email reporterdecrime@globo.com outras características que nos ajudem a jogar os candidatos corruptos para bem longe das urnas.

O GLOBO, em parceria com a Transparência Brasil, mostra as fichas de seu candidato.

Boa eleição!

Colaborou com a lista a professora de Criminologia da Uni-Rio, Elizabeth Süssekind.

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