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06/06/2007 - A Tarde Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Especial: corrupção afeta investimentos de longo prazo


Os recentes escândalos envolvendo nomes do governo e do Congresso Nacional tiveram mais uma vez efeito praticamente nulo sobre o mercado financeiro e a classificação de risco de crédito do País, mas possuem impacto considerável se observada a perspectiva dos investimentos de longo prazo, como os de infra-estrutura, fundamentais para sustentar um crescimento econômico superior a 4% pelos próximos dez ou quinze anos. Essa é a opinião de especialistas ouvidos pela Agência Estado.

Segundo o economista-chefe da Telefônica e presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luiz Afonso Lima, a avaliação do risco País considera fatores como endividamento público e liquidez do setor externo mais importantes que a corrupção.

O economista-chefe para a América Latina do banco ABN Amro, Alexandre Schwartsman, ressalta que a classificação das agências é mais simples do que parece e avalia apenas a capacidade que um país tem para pagar suas dívidas. ?Se pagam a dívida rigorosamente em dia, vão ter notas excelentes. A relação entre corrupção e grau de investimento é muito fraca. Se a corrupção de fato fosse importante nas avaliações de classificação de risco, alguns países que hoje são grau de investimento nunca seriam?, compara.

Para o analista da área internacional e de renda fixa do banco Santander, Luciano Sobral, o controle das contas externas, a queda dos juros e a disciplina fiscal podem levar o País a se tornar grau de investimento em um ano e meio, independente de questões relacionadas à corrupção. ?As agências dão notas para a dívida do País, e a sustentabilidade dessa dívida depende muito pouco da corrupção, uma variável marginal nesse tipo de avaliação?, diz.

Apenas a não-aprovação da prorrogação da DRU (Desvinculação das Receitas da União) e da CPMF (Contribuição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira) poderia trazer algum temor ao mercado no curto prazo, ressalta Lima, lembrando que a agenda de reformas do governo não é ambiciosa e o mercado não espera nada além dessas duas questões. Porém, ele ressalva que a corrupção é levada em conta pelos investidores, especialmente para aqueles interessados em infra-estrutura, cujo retorno é obtido ao longo dos anos.?No curto prazo, temos pouco ou nenhum efeito, mas a corrupção de fato interfere no crescimento, uma vez que prejudica o investimento de longo prazo, principalmente em termos de infra-estrutura?, afirma.

Sinalização negativa

O presidente da Sobeet cita como exemplos de setores que perdem investimentos devido à corrupção os ligados à energia, estradas, telecomunicações, saneamento básico, portos e aeroportos. ?A corrupção é uma sinalização ruim para quem quer retorno em dez ou 15 anos?, reitera. Segundo ele, embora o nível de investimento esteja maior se comparado com os anos anteriores, ainda assim não está em um patamar adequado para um crescimento a longo prazo com taxa de 4%.

?Para esses setores, não há segurança completa. Esse objetivo só pode ser atingido com a consolidação das instituições e a diminuição da corrupção?, opina, destacando que o mesmo fenômeno ocorre com países como México, Rússia e Índia, excetuando-se a China, que não serve de comparação por não ser economia de mercado.

Sobral destaca que a ausência de segurança jurídica afasta os investidores privados de áreas consideradas fundamentais para o crescimento do País. ?Não é à toa que, com raras exceções, todas essas iniciativas de investimentos em infra-estrutura são feitas pelo governo?, observa. Para ele, os empresários não vão investir em projetos com retorno em 20 anos se têm dúvidas sobre a manutenção das regras dentro desse período.

Schwartsman questiona a que nível poderia estar o Investimento Estrangeiro Direto (IED), que já está batendo recordes, caso o País não tivesse problemas relacionados à corrupção. ?Será que não poderíamos estar numa situação ainda melhor? Eu acho que sim. Onde não se tem transparência geram-se incertezas?, diz.

Avanços

Lima reconhece, porém, que o Brasil tem conquistado avanços institucionais. As privatizações na década de 1990 e a criação das agências reguladoras e de marcos regulatórios são vistas com bons olhos pelo economista, mesmo com a perda de parte da autonomia das agências nos últimos anos. ?Se olharmos a situação sob a perspectiva dos últimos dez ou 15 anos, tivemos avanços institucionais?, destaca. Ele afirma também que a corrupção, embora mais evidente agora, também existia nos governos anteriores.

Já Sobral mostra preocupação com a perspectiva de longo prazo. Os avanços institucionais, em sua avaliação, são muito tímidos e não há disposição do governo em fazer reformas como a política e a jurídica, essenciais para combater fraudes e desvios como os denunciados nas últimas semanas. ?Estamos muito na onda da obtenção do grau de investimento, mas não é isso que garante investimento em capital, educação ou infra-estrutura. Nesse sentido vamos mal?, opinou.

Ele lembrou que nem mesmo o apagão de energia de 2001 serviu de alerta para resolver a questão da falta de investimento nessa área. ?Esbarramos em empecilhos que podem transformar o crescimento em mais um vôo de galinha se não forem superados em um prazo de cinco anos?.

Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, Humberto Barbato, a corrupção já pode ser considerada um imposto na economia brasileira. ?A corrupção é uma espécie de imposto, embora ninguém saiba qual é a alíquota dela. Isso cria instabilidade entre os países ricos que investem em emergentes. Acho que os empresários brasileiros sabem se defender um pouco melhor, mas temos que entender que todos têm medo de colocar dinheiro em um país que não te dá garantias?, afirma.

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