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27/09/2010 - G1 Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Uma em cada quatro páginas de rede social na web é clonada, diz pesquisa

Por: Carolina Iskandarian e Roney Domingos

Dados são de estudo da Fecomercio de SP que será divulgado hoje. Porcentagem de usuários preocupados com fraudes na internet é de 64%.

Desconfiar sempre e ter muita cautela. Essa é a principal orientação de especialistas em internet para evitar que pessoas sejam vítimas de crimes como páginas pessoais e cartões de créditos clonados na web. Segundo pesquisa da Federação de Comércio de São Paulo, ter o perfil duplicado é o delito mais recorrente: 23,53%. É quase como se um em cada quatro perfis fosse copiado sem permissão.

Em seguida, vêm, empatados com 22,69% cada um, os crimes contra o patrimônio: desvio de dinheiro de conta bancária e compras feitas com cartão de crédito sem autorização. A sondagem, que tem o objetivo de identificar os principais problemas enfrentados pelos usuários, foi feita em agosto com 1.095 consumidores. Desse total, 20,17% disseram ter tido seus dados pessoais rastreados e usados indevidamente.

Segundo a pesquisa, que será apresentada nesta segunda-feira (27) no 2º Seminário Internacional de Crimes Eletrônicos, promovido pela Fecomercio em São Paulo, aumentou a porcentagem de usuários preocupados com as fraudes na internet, passando de 57% em 2009 para 64% neste ano. Também houve maior uso de programas para evitar a captação de senhas, fraudes ou invasão do computador: 76% no ano passado, ante 80% em 2010.

O advogado Ricardo Opice Blum, especialista em direito eletrônico e presidente do Conselho de Tecnologia da Informação da Fecomercio, tem uma explicação para o crescimento do cuidado dos usuários. “Com o avanço da tecnologia, as facilidades, a internet coloca um leque de opções para as pessoas. Às vezes, ela não absorve (as informações) como deveria e passa a agir com cautela”, disse.

Mas isso não acontece com todos. “O próprio consumidor tem uma parcela de culpa por entrar em sites não confiáveis. Tem que desconfiar sempre, ter bom senso, evitar clicar em links. É a forma mais comum de fraude”, afirmou Blum.

No caso da clonagem de perfil em sites de relacionamento, o advogado alerta que, normalmente, ela é feita com o intuito de difamar, denegrir a imagem de um usuário. E nem sempre a vítima tem a legislação a seu favor. “Você pode acabar com a vida de uma pessoa e ter que prestar serviços à comunidade como punição.” De acordo com Blum, o crime é de falsidade ideológica ou contra a honra.

Perfil clonado

A dona de casa Elisete Dias de Souza, de 31 anos, tenta há cinco meses limpar seu nome no Orkut. Ela contou que teve o perfil copiado e, desde então, não tem mais sossego. "Mandei mensagem para todos os meus amigos para me excluírem. A gente coloca fotos dos amigos, da família e as pessoas invadem sua página. Eu tinha 804 fotos e não recuperei ainda”, relatou Elisete.

Ela disse não saber como clonaram seu perfil, mas seu maior temor se concretizou: “Pegaram fotos da minha sobrinha e colocaram em um site pornô. Também não sei se clonaram a página dela. A gente se sente lesada e ninguém faz nada por você”, reclamou a dona de casa, que afirmou ter procurado o Google, o dono do Orkut. “Eles dizem que não houve violação.”

O diretor de comunicação do Google Brasil, Felix Ximenes, diz que a internet tem 160 milhões de usuários no Brasil e o Orkut tem 85 milhões de usuários no mundo. "A internet não é um ambiente diferente do ambiente que vivemos offline. São as mesmas pessoas, fazendo as mesmas coisas. O ambiente virtual não é mais ou menos perigoso do que o ambiente físico. Assim como não conversamos com estranhos e não abrimos a carteira em local perigoso, não devemos clicar em páginas desconhecidas", afirma.

Ximenes discorda da ideia de que novas modalidades de crime ganham espaço no Orkut. De acordo com ele, não é possível roubar senhas, dados financeiros ou dinheiro no Orkut. "Não há dinheiro ou transação bancária no Orkut. As pessoas criam páginas falsas de bancos e grandes empresas e a pessoa voluntariamente coloca seus dados lá. Isso não é no Orkut. Isso é na internet", diz.

Para ele, culpar o Orkut por agressões entre pessoas é o mesmo que culpar a companhia telefônica por uma discussão com um interlocutor ao telefone. "As pessoas confundem meio com autor", afirma.

Ximenes afirma que o Orkut cria filtros frequentemente para combater crimes e obteve sucesso no combate à pirataria e à pedofilia, mas admite que não é possível controlar todo o conteúdo. Ele exemplifica, dizendo que quando alguém usa a palavra droga, pode estar incitando ao consumo (um crime) ou simplesmente fazendo um debate sobre a descriminalização. "É muito tênue essa linha: eu preciso que alguma autoridade competente diga: aqui passaram dos limites do debate."

Ximenes afirma que em 2008 o site recebeu 25 mil denúncias por mês, mas 95% delas não tinham procedência. Nas 5% restantes, a maioria envolvia conflitos pessoais.

No rastro dos criminosos

A delegada titular da delegacia de repressão a crimes cometidos por meios eletrônicos do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic), Catarina Buquê, afirmou que a maioria dos crimes cometidos pela internet ainda é contra honra, mas novas modalidades surgem a cada dia.

"Depois dos crimes contra a honra, nós temos a movimentação indevida de contas, que permite aos criminosos fazer pagamentos de boletos bancários e contas telefônicas na conta corrente da vítima. Temos alguns inquéritos sobre estelionato, de pessoas que criam páginas na internet fazendo-se passar como credenciados de grandes instituições bancárias e fornecendo empréstimos. As pessoas pagam as taxas, mas claro que o empréstimo não chega nunca", disse Catarina.

Um gerente de marketing que não quis se identificar foi mais uma vítima. Com o cartão de crédito clonado, sacaram de sua conta R$ 2 mil. “A empresa do cartão entrou em contato porque viu gastos que não tinham a ver com o meu perfil. Tinha o nome de estabelecimentos que eu não reconhecia, compras que não eram minhas”, relatou o rapaz de 34 anos, que se definiu como um 'heavy user' (muito usuário) de compras pela web.

Para a delegada Catarina Buquê, embora o número de internautas aumente exponencialmente em São Paulo, não existe anonimato e impunidade garantidos na internet. "A gente tem uma certa dificuldade no acesso a informações dos provedores. Isso não impede a investigação, mas retarda. Dá para rastrear, sim, e nós chegamos, sim. Em regra, a gente acaba conseguindo chegar ao criminoso. A gente tem um grande índice de esclarecimento", afirmou.

Crescimento de metrópole

O psicólogo e diretor de prevenção da Safernet Brasil, Rodrigo Nejm, afirmou que há um número maior de pessoas na rede e, consequentemente, mais gente vulnerável e mais gente disposta a cometer crimes. "É como uma cidade pequena que, de repente, virou uma grande metrópole.”

São Paulo tem o maior número de internautas do país e o Orkut é o meio mais utilizado. Confirmando a pesquisa da Fecomercio, a Safernet Brasil também nota que os crimes contra a honra lideram o ranking. E diz que crescem os delitos contra o patrimônio.

Curiosidade perigosa

“Clique aqui e veja a promoção X” ou “clique e veja fotos do acidente Y”. É puxando pela curiosidade do internauta que os golpistas se dão bem. Essa é a opinião de Márcio Reis, superintendente de Prevenção a Fraudes do banco Santander. “A grande maioria fraudada clica em algum link ou anexo que não devia. Eles infectam com vírus e o cliente vai ter todos os seus dados roubados.”

De acordo com ele, não há classe social nem grau de escolaridade específico entre as vítimas. “Tem profissional de tecnologia caindo em golpe”, revelou. “É preciso cuidado com os e-mails.”

Reis advertiu ainda que bancos “nunca” pedem dados pessoais do cliente por telefone ou internet. “Em caso de dúvida, ligue para a central do banco.” Por fim, mais um conselho: “evite computadores públicos. Você pode ter sua senha de rede social roubada”.

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