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04/06/2007 - Correio Braziliense Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Concurso para Ministério da Agricultura tem indícios de fraude

Por: Afonso Morais


Centenas de candidatos ao cargo de agente de inspeção sanitária e industrial de produtos de origem animal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento protestaram, na tarde de ontem, em frente ao Centro de Estudo Supletivo Asa Sul (Cesas), na 602 Sul. Depois de observarem falhas no concurso público, alguns manifestantes se recusaram a fazer a prova e saíram das salas de aula para reclamar da organização. A Polícia Militar foi acionada para controlar os ânimos.

O ministério oferece 354 vagas em cargos de nível médio ou curso técnico para seis estados brasileiros e o Distrito Federal. Atraídos pelo salário inicial (R$ 3.228,27), cerca de 652 mil candidatos fizeram provas em Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio Grande do Sul e Brasília, que contou com 70 mil inscritos.

A confusão começou quando cerca de 200 concorrentes verificaram que, apesar de terem o comprovante de inscrição em mãos, os seus nomes não constavam nas listas afixadas nos locais de prova. “Além disso, o número de candidatos previsto dentro de cada sala era muito maior do que a capacidade e não havia provas suficientes para todo mundo”, afirmou o candidato Ricardo de Moura Abreu, 52 anos. Ele disse ainda que os fiscais conduziram o grupo para outra sala até o problema ser resolvido. Com isso, haveria atraso no início da prova, marcada para as 14h30. Revoltados com a demora e desconfiados da lisura do concurso, os inscritos abandonaram o local da prova.

Ao encontrar outros candidatos, o grupo descobriu mais indícios de fraude. O estudante Jacó de Queiroz, 21, apesar de não ter qualquer limitação motora, notou que em sua ficha de inscrição constava que ele era portador de deficiência física. “Eu informei aos organizadores sobre o problema na semana passada e só hoje constatei que eles não mudaram a minha situação. Das nove vagas previstas para Brasília, uma é para deficiente. Nesse caso eu fico em desvantagem”, comentou. Já o portador de deficiência física Fernando de Morais, 26, não teve sua condição registrada na inscrição e iria concorrer com os demais candidatos. “Quando falei com os fiscais, eles nem sabiam informar qual era o nome da empresa para a qual trabalhavam”, destacou.

Os irmãos de Planaltina Tiago e Thaís Costa, de 23 e 19 anos, respectivamente, perceberam que tinham a inscrição em duplicidade. Ambos foram registrados com o número 960400. Preocupada, Thaís procurou a fiscalização, que constatou a irregularidade pela internet e, mesmo assim, a autorizou a fazer a prova. “Como eu e o meu irmão poderíamos concorrer no mesmo concurso com o número igual? Se eu passasse, ele passaria? Ou, se eu reprovasse, ele também reprovaria?”, questionou a moça.

Ações na Justiça
Os representantes da empresa paranaense Assessoria em Organização de Concursos Públicos (AOCP), responsável pela elaboração da seleção, não souberam explicar as evidências apresentadas pelos inscritos. “Aqui foi o único lugar no Brasil onde tivemos problemas. Os candidatos ficaram impacientes e não esperaram as soluções”, argumentou um dos funcionários da entidade, Raul Pereira Silva. O representante da empresa no DF, Antônio Lélis, disse que não entendia as críticas e não tinha acesso aos dados dos candidatos para explicar por que a condição física de muitos foi trocada.

Mas essa não foi a primeira vez que um concurso da AOCP foi questionado. No ano passado, o edital foi mudado duas vezes por conta de ações populares ajuizadas nas 14ª e 16ª varas da Justiça Federal do Rio de Janeiro, de notificação do Tribunal de Contas da União, suspendendo o concurso, e de diversas representações do Ministério Público. A informação consta no próprio edital do concurso, lançado em 2 de março de 2007.

Organizadores e candidatos foram levados pela PM à sede da Polícia Federal, uma vez que a seleção é federal. “Vamos colher depoimentos das testemunhas e elementos de prova para tomar as medidas cabíveis. Ainda esta semana vou encaminhar o caso para o Ministério Público. Se forem confirmadas as irregularidades, o concurso poderá ser anulado”, declarou o procurador da República Vautan Furtado.

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