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04/06/2007 - Agência Estadual de Notícias PR Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Presa no Paraná quadrilha de ladrões de caminhões que atuava em vários estados


As polícias Civil e Militar com apoio do Ministério Público do Paraná colocaram atrás das grades 30 pessoas, entre líderes e integrantes, de uma quadrilha especializada no roubo de caminhões e cargas, financiamentos fraudulentos e desmanche e remontagem ilegal dos veículos roubados para a revenda. Entre os presos está o advogado XXXX, encontrado em Santo Antônio do Sudoeste (PR) e acusado pela polícia de liderar a quadrilha. Além dele, a polícia prendeu o presidente da Câmara de Vereadores de Realeza (PR), Geverson Tonello, acusado de envolvimento com o grupo, e ainda um adolescente que trabalhava como office boy de XXXX, que foi ouvido e liberado. A polícia estima que a quadrilha movimentava pelo menos meio milhão de reais todos os meses com os roubos e transações financeiras.

A Operação Sudoeste cumpriu, nesta segunda-feira (04), 28 mandados de prisão e outros 47 de busca e apreensão simultaneamente em seis cidades do Paraná e também em Jaraguá do Sul (SC), Ribeirão Preto e Assis (SP) e Brasília (DF). Cerca de 130 policiais civis e militares participaram da operação. “Foram seis meses de uma investigação exemplar, em que a polícia do Paraná, em conjunto com o Ministério Público Estadual, demonstrou toda a sua qualidade profissional. É o fim de uma grande quadrilha”, afirmou o secretário da Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari.

De acordo com o delegado Luis Gilmar da Silva, a quadrilha era formada por várias “células” que agiam em diferentes estados para atender a encomendas de receptadores de cargas e caminhões roubados. “Existia uma célula responsável por receber encomendas, outra, por despachar a encomenda para que o caminhão ou a carga fossem roubados, outra específica para desmanchar o veículo, apagar os sinais identificadores e montar outro caminhão. Havia ainda células específicas para cuidar de documentação falsa, outra para lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Enfim, era um grande esquema em que todos ganhavam muito dinheiro”, explicou.

Segundo as investigações da polícia, o “núcleo intelectual” da quadrilha agiria no Paraná e seria comandado pelo advogado XXXX. “Ele era o responsável pelo contato entre todas as células e tinha um testa-de-ferro para que não aparecesse tanto”, disse o delegado.

De acordo com a polícia, a quadrilha agiria sempre por encomenda de receptadores. “Um certo ‘cliente’ encomendava um tipo específico de caminhão ou carga e a quadrilha planejava o roubo, que acontecia normalmente em rodovias”, disse o delegado. Após o roubo, realizado por uma célula da quadrilha, o motorista do caminhão era mantido refém, em um cativeiro, enquanto os assaltantes entregavam os caminhões e as cargas. O motorista era mantido em cativeiro por até 48 horas, prazo médio para que os caminhões fossem desmontados. “Os motoristas ficavam amarrados, sofriam ameaças psicológicas e só eram liberados depois que os bandidos tivessem a certeza de que o caminhão desmontado não seria mais encontrado”, explicou o delegado.

Segundo Silva, depois de desmontados e com todos os sinais identificadores apagados, os criminosos remontavam o caminhão de acordo com as especificações que continham nos documentos em mãos da quadrilha. “Eles usavam documentos de caminhões sinistrados que não são baixados do sistema do Detran, para esquentar os veículos remontados. Além disso, eles também usavam documentos de caminhões que compravam em nomes de laranjas através de financiamentos fraudados. Para isso, despachantes também participavam do esquema”, disse o delegado.

As apurações da polícia dão conta que empresários do ramo de veículos (recuperadores, recauchutadoras de pneus e oficina mecânicas) se beneficiavam com o esquema, comprando os caminhões remontados. Além disso, segundo a polícia, muitas dessas empresas serviriam de fachada para lavar o dinheiro ganho com os crimes.

Todos os detidos foram autuados por formação de quadrilha, roubos e furto de veículo, receptação, falsificação de documentos, estelionato, adulteração de sinais identificadores de veículos, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Foram apreendidos durante a operação centenas de documentos, cerca de 40 celulares e mais de R$ 25 mil em cédulas.

Segundo o tenente-coronel, Ivo Brandalize, comandante do 3. º Batalhão da PM, o sucesso da operação se deve à integração das polícias e o respaldo dado pelo Governo do estado. “A Polícia Civil e Militar trabalharam integradas, unidas, e o resultado desta cooperação é o sucesso da ação”, disse.

Financiamento - Além dos roubos, a quadrilha é acusada pela polícia de lucrar com a venda de veículos adquiridos através de financiamentos fraudulentos. Segundo o delegado, os veículos seriam financiados em nome de “laranjas” e, depois, a quadrilha ingressava com ações judiciais, afirmando que havia cobrança de valores abusivos por parte das financeiras.

Segundo a polícia, a quadrilha requeria, então, a concessão de liminares para suspender os pagamentos, ocasião em que forneciam títulos “podres” da dívida pública como garantia da dívida. Garantida a dívida, o delegado contou que eles conseguiam o direito de utilizar os veículos financiados até a “compensação” dos títulos, o que não ocorre em menos de três anos.

Depois de passado esse período, a fraude era descoberta e a financeira poderia pleitear a busca e apreensão do bem. No entanto, o veículo financiado fraudulentamente já tinha sido revendido, por um terço do valor de mercado, a outras quadrilhas que os utilizam como moeda de troca na compra de drogas ou, ainda, somente para o transporte de drogas ou mercadorias contrabandeadas. Em todo o processo de compra e venda e nas ações judiciais, a quadrilha utilizava documentos e procurações falsas.

Box – Integrantes da quadrilha, segundo investigação da polícia

Presos em Santo Antônio do Sudoeste (PR):
- XXXX, 38 anos - advogado, é acusado de ser o chefe da quadrilha e, em conjunto com comparsas, praticava os crimes de falsificação de documentos, falsidade ideológica, receptação de veículos (oriundo de crimes contra o patrimônio, receptação de máquinas agrícolas e caminhões, adulteração de chassis de veículos e estelionatos).
- Michel Eduardo de Oliveira ou Eduardo Roberto de Oliveira, 34 – seria o testa-de-ferro de XXXX, mantendo os contatos com os integrantes da quadrilha. Ele seria o principal interlocutor do advogado com as pessoas de fora do Paraná e seria o responsável pelo início das negociações. Mas, segundo a polícia, as transações só eram fechadas com a palavra final de XXXX.
- Andréia Bandeira, 28 (irmã de XXXX), e José Almir da Silva Bandeira, 62 (pai de XXXX) - trabalhavam no escritório de XXXX e são acusados de serem a ponte com outros envolvidos, efetuavam contatos da quadrilha, bem como negociações e atividades de encaminhamento operacional do grupo. Depois da prisão, José foi internado no hospital Santa Izabel, na cidade de Santo Antônio do Sudoeste. Segundo a polícia, ele é diabético e devido ao estresse da prisão teve que ficar no hospital.
- Romeu Denig, 60 - tio de XXXX era utilizado pela quadrilha como “laranja” para financiamentos de veículos, movimentação de contas bancárias, compras diversas.
- Ramon Cezar Benini, 34 – Acusado de vender carros em um estabelecimento sem autorização e também de ajudar a obter aprovação de financiamentos de veículos em nome de “laranjas” (financiamentos fraudulentos). Também esconderia, na sua empresa, veículos dos supostos golpes aplicados por XXXX e Michel.
- Jader Henning, 32 – acusado de participar ativamente dos delitos, auxiliando nas negociações com outros criminosos e fornecendo documentos. Dirigia uma carreta que tinha sido adulterada pela quadrilha e comprada por Benato e Donaduzzi.
- Ademir Durante, 50 – acusado de trabalhar como latoeiro (chapeador) e pintor dos caminhões roubados.
- José Vieira dos Santos, 38 – Dono de uma revenda de veículos, acusado de integrar a quadrilha.
- Odilo Denig, 79 – Avô de XXXX, acusado de integrar a quadrilha.
- Celso Ivonir Rocha Pereira, 40 – Proprietário de uma loja de autopeças, em Pato Branco, acusado de participar da quadrilha.
- Gentil Dias, 46 – Taxista acusado de participar do esquema. Foi cumprido um mandado de busca em sua residência e foi encontrado um revolver calibre 38.
- Casemiro Pasa, 55 – Contador do advogado XXXX.

Preso em Realeza (PR):
- Geverson Tonello, 33 - vereador e presidente da Câmara de Vereadores de Realeza (PR). É acusado pela polícia de ser o mandante do assalto a um caminhão que transportava valores da Empresa Atacado Luersen. Segundo a polícia, os cheques roubados do malote foram, inclusive, depositados em sua conta bancária particular. Os contatos com XXXX eram constantes.

Preso em Cascavel (PR):
- Magnus Evandro de Mattos, 28 – é acusado pela polícia de fornecer documentação falsa de pessoas e veículos (CPFs, RGs, CRLVs, procurações etc).

Presos em Francisco Beltrão (PR):
- Celso Soares (Celso Gordo), 39, e Gilberto da Silva, 34 – segundo a polícia, são eles que compram e vendem documentos de caminhões para a quadrilha. Também seriam os responsáveis, de acordo com a polícia, de comprar e vender caminhões oriundos de crimes.

Presos em Pato Branco (PR):
- Juglair Benato, 38, e Adelar Donaduzzi, 42 – De acordo com a polícia, eles atuam em conjunto, comprando e vendendo principalmente caminhões (oriundos de crimes), que depois de serem adulterados são “esquentados” por documentos falsos ou forjados. São apontados pela polícia também por vender e comprar documentos de caminhões para “esquentar” os veículos remontados pela quadrilha. Eles também são acusados pela polícia de adquirirem veículos adulterados pela quadrilha.
- Sidnei Mass, 28 - Atuaria com Benato e Donaduzi e é acusado pela polícia de negociar caminhões roubados, vender e comprar documentos para caminhões. Também compra e venda de veículos oriundos de golpes, tais como financiamentos fraudulentos, golpes de seguros, furto e roubo. É um dos fornecedores de celulares em nome de terceiros para a quadrilha (celulares pós-pago).
- Jair Roberto de Oliveira, 48 – Funcionário de Adelar e foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo.

Presos em Curitiba (PR):
- Milton Araújo de Souza, 47 - é acusado pela polícia de intermediar financiamentos fraudulentos, compra e venda de caminhões e carros (oriundos de crimes) e também de conseguir documentação falsa.
- Everaldo Bueno de Oliveira, 28 - é acusado pela polícia de intermediar financiamentos fraudulentos, compra e venda de caminhões e carros (oriundos de crimes) e também de conseguir documentação falsa.
- Carlos Alberto Busato, 34 - intermediaria financiamentos fraudulentos, compra e venda de caminhões e carros (oriundos de crimes), e obtinha também documentação falsa.

Preso em Ribeirão Preto (SP):
- Jaqueline Popin Sena, 33 - ex mulher de Michel (apontado com testa-de-ferro), é acusada de ser a ponte da quadrilha no estado de São Paulo para vender e comprar documentos de veículos (principalmente de caminhões), e também de vender e comprar veículos oriundos de crimes (furto/roubo, estelionatos, golpes, financiamentos fraudulentos).

Dentro da prisão em Assis (SP):
- “Billi” ou “157” - é presidiário de Assis/SP, e é acusado pela polícia de ser contato da quadrilha para compra e venda de documentos, notadamente de caminhões, bem como caminhões e veículos roubados. Ele realizaria todas as negociações de dentro da prisão. Seria o contato direto de Jaqueline, que através dela efetuaria negociações com a quadrilha.

Presos em Brasília (DF):
- Sheila Figueiredo Sena, 29, e João de Deus Alves Sena, 47 - são contatos diretos de Michel e, segundo a polícia, fornecem ao grupo documentação de “laranjas” (notadamente CPFs, RGs) para que possam aplicar golpes de estelionato como financiamentos, abertura de empresas, compras diversas. As apurações da polícia garantem que a organização de XXXX e Michel também venderia documentos (obtidos de Sheila e João) para terceiros, possivelmente para aplicação dos mesmos golpes.

Preso em Jaraguá do Sul (SC):
- Hélio Savallisch, 45 – acusado de fornecer documentação falsa para a quadrilha, alem de realizar financiamentos fraudulentos. Segundo a polícia, ele usava “laranjas” para financiar caminhões e assim usar os documentos destes veículos. Segundo o delegado, os “laranjas” não sabiam que tinham seus nomes usados nestes financiamentos.

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