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04/06/2007 - Folha de São Paulo Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Fraude tira maior seguradora rural do país

Por: Mauro Zafalon


A norte-americana Rain and Hail, a maior empresa de seguro rural do mundo, está deixando o Brasil. Segundo a Folha apurou, um dos principais motivos da saída da empresa são as fraudes ocorridas no setor, que dificultam o avanço do seguro rural no país.
A saída da norte-americana ocorre no momento em que o governo tenta ampliar o uso do seguro rural, considerado essencial para o desenvolvimento do agronegócio. Um bom sistema de seguro teria aliviado a situação de produtores nas últimas safras, quando o setor acumulou pesadas dívidas, principalmente com a forte seca no Sul e chuva e ferrugem da soja no Centro-Oeste.
Esses problemas climáticos fizeram o governo intervir no setor com a adoção de vários pacotes de apoio ao agricultor. Como disse o ex-ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, quando estava à frente do ministério, "a ação do governo deve ser a de prevenir, e não a de remediar depois do fato ocorrido".
Tanto o governo quanto os produtores avaliam que a falta de seguro é hoje um dos principais problemas da agricultura brasileira.
Na avaliação da companhia norte-americana, as fraudes colocam os custos do seguro rural em patamares elevados, impedindo o desempenho dessa modalidade de proteção aos produtores no país. Pior ainda, essa tendência deve continuar, segundo a empresa.

Desvio

Conforme a Folha apurou, entre as fraudes mais comuns que estariam sendo praticadas por agricultores está o desvio da produção para outras pessoas da família, declarando uma produção menor.
Outra prática adotada por parte dos produtores é a da distribuição da produção por vários receptores, o que dificulta a avaliação da produção total obtida pelo agricultor.
A conivência de cooperativas e de outras empresas de recebimento de produtos agrícolas agrava a situação.
O setor vive, ainda, dificuldades de entendimento na Justiça sobre as especificidades dos contratos, o que dificulta, inclusive, a reclamação judicial das empresas contra as eventuais fraudes.
A falta de expansão no setor impede uma boa remuneração dos participantes desse mercado e uma especialização dos profissionais. Com isso, sem uma visão clara dos problemas do campo, muitas vezes as seguradoras e corretoras não conseguem falar a mesma linguagem do produtor.
Outro ponto que precisaria ser desenvolvido, na avaliação da norte-americana, é uma participação sólida do governo neste sistema. Seguro agrícola é caro, mas isso não ocorre apenas no Brasil. A diferença é que em outros países há uma participação maior dos governos.
Essa mescla de fraudes e de mercado pequeno torna o seguro rural pouco atrativo para todos. O produtor paga um alto preço pelo serviço e seguradoras e corretoras vendem um produto caro, mas não ganham dinheiro, na avaliação da empresa norte-americana.
Os custos médios de seguro no setor de grãos no Brasil vão de 5% a 8%, dependendo do produto, e o produtor tem o retorno de 50% a 60% do valor da produção. Nos Estados Unidos, a cobertura vai de 80% a 90% da produtividade prevista. Casos específicos chegam a garantir ao produtor até 150% das estimativas de produção.
Na avaliação do mercado, no entanto, a saída da norte-americana tem a ver também com o uso de um modelo importado, que não deu certo no Brasil. Cada país tem suas peculiaridades e a montagem de um modelo apropriado é demorada, segundo informações do setor.

Cenário distinto

Cooperativa consultada pela Folha diz que o cenário do setor não é exatamente o traçado pela seguradora norte-americana. Quando um produtor comunica o sinistro à seguradora, ela deveria fazer a vistoria da área e avaliar a produtividade no próprio local da colheita.
"Fraudes existem, mas não ocorrem apenas no setor agrícola e somente no Brasil. Ocorrem em qualquer lugar do mundo", avalia Luiz Carlos Meleiro, superintendente de agronegócio da AGF.
Luciano Marcos de Carvalho, assessor técnico da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), diz que "a fraude acontece quando não se tem boa regulação. São necessários marcos regulatórios mais eficientes no setor."
Apesar dos problemas, o pagamento de prêmios em seguros rurais cresceu no ano passado, depois de dois anos de queda.

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