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15/09/2010 - G1 Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Candidato dono de Ferrari é suspeito de acumular R$ 50 milhões no crime

Polícia investiga se ele tem ligação com crime organizado. Advogado afirma que candidato tem bens, mas nega valor.

O candidato a deputado federal em Taboão da Serra Ney Santos, alvo de uma operação da polícia nesta quarta-feira (15), é suspeito de acumular de forma criminosa uma fortuna de R$ 50 milhões. O advogado dele, Francisco Assis Henrique Neto Rocha, afirma que esse valor não existe.

"Quero saber a prova, onde que existe o mínimo de prova que demonstra que ele tem esse patrimônio. Falar é muito fácil. Uma coisa é verdade, ele tem bens, postos de gasolina, tem, mas R$ 50 milhões de patrimônio, isso não existe."

Segundo ele, todo o patrimônio está declarado no imposto de renda e "a Ferrari é do banco". "Ela está financiada. Quando acabar de pagar, passa a ser dele. Ele tem rendimentos para pagar o financiamento do carro."

Policiais apreenderam documentos, computadores, máquinas de contar dinheiro e dois carros, um deles uma Ferrari, avaliada em um R$ 1,5 milhão. Os policiais estiveram na cidades de Barueri, Embu, Taboão da Serra, Osasco e na Zona Norte da capital.

Ney Santos, como é conhecido, é candidato a deputado federal pelo PSC. Em 2003, foi condenado por roubo a uma empresa de valores em Marília, no interior de São Paulo. Mas recorreu e foi absolvido em 2006.

Em agosto, a polícia recebeu uma denúncia anônima de que o candidato está ligado a uma facção criminosa e construiu um patrimônio de R$ 50 milhões em quatro anos, desde que saiu da prisão. Segundo a polícia, entre os bens dele estão cerca de 40 empresas, entre elas 18 postos de combustíveis e uma financeira.

"Ainda é difícil falar, mas o fato é que é inegável e não se explica com facilidade uma evolução patrimonial, uma evolução financeira desse porte, o que nos leva crer, sim, numa ligação com o crime organizado", diz o delegado Raul Neto.

Ney Santos é investigado por lavagem de dinheiro, estelionato, formação de quadrilha, sonegação fiscal e adulteração de combustíveis. Ele chegou à delegacia acompanhado de advogados, mas não prestou depoimento. A polícia quer, primeiro, analisar todo o material.

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