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03/06/2007 - Jornal do Commercio de Manaus Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Vales-refeições trazem prejuízos a restaurantes locais

Por: Anderson Vasconcelos


Três anos atrás, o vale-refeição, benefício que assegura ao trabalhador o direito de se alimentar, representava até 40% da receita do restaurante Kilo Zito, percentual comum entre as empresas do segmento. Mas, o recebimento de tíquetes tem causado prejuízos ao setor e, conseqüentemente, vem diminuindo participação no faturamento total dos restaurantes, conforme garantem os empresários.

De acordo com o proprietário do Kilo Zito, Antônio Gomes, hoje o tíquete-refeição corresponde a 20% do faturamento da empresa. “A participação dessa modalidade na receita vem caindo principalmente por dois motivos: pelo custo da operação com os vales e os riscos de fraudes”, afirmou.

Segundo o empresário, cerca de 10% do lucro do Kilo Zito é necessário para custear os gastos com o recebimento do tíquete. “Pelo recebimento do bilhete temos que pagar uma taxa de 6% a 7% para a empresa operadora do vale-refeição, para converter o valor em dinheiro, o que se configura como uma operação cara. Isso sem contabilizar os gastos com a maquineta, no caso do tíquete eletrônico”, ressaltou.

No caso dos vales recebidos em papel, o risco de fraudes é maior. “Os tíquetes em papel tem prazo de validade e como recebemos muita gente todos os dias, acabamos por receber bilhetes com data vencida, por conta do corre-corre diário. Alguns clientes, inclusive, usam vales cujo código está bloqueado, e se as operadoras não informam, não temos como saber. Já com o uso do benefício de forma eletrônica, isso não acontece”, explicou Antônio Gomes.

Tíquete atrai cliente para restaurantes

Para o proprietário do Come Bem, Luiz Lauschner, o único benefício gerado pelo tíquete-refeição é a expansão do número de clientes. “O desinteresse por parte dos empresários do segmento de restaurantes no uso do vale-refeição não é má-vontade para com os trabalhadores. O problema é a taxa de 6,4% cobrada pela administração do vales, sejam eles em papel ou mesmo eletrônicos”, confirmou.

Segundo Lauschner, a taxa é considerada abusiva pelos donos de restaurantes. “Hoje é mais fácil trabalhar com cartões de crédito, que cobram taxas de até 3,3% nas operações com restaurantes, por exemplo”. O prazo de, no mínimo, 22 dias para recebimento do valor proveniente dos tíquetes é outro entrave, conforme o proprietário do Come Bem. “A gente ainda tem que esperar muitos dias para receber o valor total do vale-refeição”, confessou.
De acordo com o executivo, é por isso que a participação dos tíquetes-refeição no faturamento da empresa vem caindo. “Hoje, ele representa cerca de 10% da nossa receita”, contou, ao acrescentar que o percentual já foi maior.

Abrasel é contra

Conforme dados da Abrasel-AM (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, seção Amazonas), menos de 10% dos 165 afiliados à entidade recebe vale-refeição em seus empreendimentos. “A taxa cobrada pelas operadoras do tíquete-refeição, com variação entre 4,5% e 5,6% sobre o valor do vale tem intimidado os restaurantes a trabalhar com o benefício destinado aos trabalhadores”, considerou o presidente da associação, José Félix.
Para diminuir riscos com uso do tíquete, empresas do setor de alimentação têm preferido trabalhar com valor em espécie ou mesmo cartão de crédito. “A melhor opção é mesmo receber o valor em dinheiro”, disse Félix, completando que a Abrasel-AM tem orientado os associados a não receber o tíquete até que as taxas cobradas pelas operadoras diminuam.

Assert diz que avaliação é incompleta

A questão das taxas diz respeito à política comercial ou de relacionamento entre empresas operadoras ou emissoras de vales e tíquetes e os restaurantes ou similares, segundo o presidente da Assert (Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador), Artur Renato Brito de Almeida. “Não há uma tabela de preços única, e não poderia haver. O que deve haver é negociação”, ressaltou Almeida.

Para o presidente da associação, esta lógica é a mesma aplicada pelos estabelecimentos comerciais que têm suas políticas de atração e manutenção de clientela, seus preços, e que não são fixados a partir de uma uniformidade de conduta. “Cada empresa tem sua política comercial, regra que se aplica também com relação aos seus clientes, aqueles que disponibilizam os tíquetes aos seus colaboradores”, comentou.

Almeida ressaltou que o sistema de vales refeição, para uso em restaurantes, está inserido no contexto do PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), por meio do qual hoje beneficia cerca de 9,6 milhões de trabalhadores. “No PAT não temos apenas este sistema, há o sistema de refeições industriais, transportadas, cesta de alimentos e, também, o de vale alimentação que se destina à aquisição de gêneros alimentícios “in natura” em rede de supermercados e similares”, encerrou o representante.

Número de usuários

Embasado em informações do PAT, o presidente da Assert, disse ainda que o Amazonas conta hoje com aproximadamente 16 mil usuários de vales refeição (refeição-convênio) e 27,1 mil usuários de vales alimentação (alimentação-convênio). “Ou seja, usuários e empresas podem estar dando preferência ao vales alimentação em detrimento do vale refeição e isso traz incômodos para os restaurantes que perdem clientela”, explicou.

Outros fatores

A inviabilização dos ganhos de vendas de refeição não pode ser creditada simplesmente às taxas de serviços das operadoras, conforme Almeida. “É necessário considerar todo um contexto de custos inerentes à atividade de restaurantes, notadamente num contexto do nosso país de altas taxas de juros, de alta carga tributária que atinge todos os segmentos econômicos”, afirmou.

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