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07/09/2010 - Setúbal na Rede Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

As Pulseiras da Fraude

Por: Alberto Pereira


Recentemente apareceram no mercado do consumo pulseiras, com um holograma, que pretendem aumentar a “eficiência dos sistemas electrónicos, físicos e orgânicos do corpo.” Como iremos ver trata-se de mais um embuste, organizado a nível global, para levar umas dezenas de euros aos incautos.

Desde o início do século XX que periodicamente aparecem artigos que pretendem dar bem-estar físico e psíquico às pessoas através do magnetismo humano ou com explicação similar. Conforme as descobertas da Física os fabricantes destas fraudes vão actualizando a sua linguagem e a apresentação de produtos que, no final, têm apenas o objectivo de levar o consumidor a comprar um objecto perfeitamente inofensivo, inútil, mas que sempre irá render bom dinheiro aos vendedores.

Nos anos 60 a moda eram as “pulseiras magnéticas”. Um simples aro de aço inoxidável, que na altura custava 100$00 escudos, o preço de quatro almoços num restaurante normal. Pretendiam proteger as pessoas de dores de cabeça e de um incómodo, que na altura começava ser falado, o stress. Em Lisboa venderam-se milhares de pulseiras e inicialmente toda gente dizia sentir melhorias. Curiosamente, passadas poucas semanas, as pessoas deixavam de usar a pulseira e balbuciavam umas desculpas, esfarrapadas, para tal procedimento.

Mais tarde, já nos anos 90, foi a vez das pulseiras com esferas de cobre. A publicidade dizia que as duas esferas, estudadas por um “iminente cientista” concentravam as energias pessoais e descarregavam o “fluxo magnético em excesso”. A sua principal cura era o reumatismo. Foram um grande sucesso pois até um conhecido apresentador radiofónica, António Sala, a usou publicamente. Mais tarde confessou que apenas usou a pulseira durante duas semanas e única coisa que ganhou “foi uma mossa no vidro do carro por ter batido nele com a pulseira”. Pois é. Mas o facto é que serviu às mil maravilhas para a campanha publicitária que enganou milhares de portugueses com o seu exemplo.

Agora foi a vez de umas pulseiras de silicone com um holograma de reflexão, igual aos que estão colocados nos simples selos de qualquer maço de tabaco e que têm todos os ingredientes necessários para iludir o público. E senão, vejamos.

1- Começam por ter nomes em inglês o que impressiona em geral os incautos.

2- Falam em “energia natural” o que dá logo um ar de ambiente puro e sem produtos tóxicos.

3- Usam termos da Física os quais pouca gente sabe, como, por exemplo, “quântico”, “campo energético”, “sistemas electrónicos” etc.

4- O efeito principal, diz a publicidade, é um “holograma quântico que entra na frequência da energia do nosso corpo”. Frase sem qualquer sentido na Física.

5- Mencionam a sua criação por um cientista NASA o que sempre dá um ar de respeito ao artigo pois ninguém se irá lembrar de perguntar quem foi esse tal cientista, que não existe como é evidente.

Com tal arrazoado pseudo-científico não admira que os consumidores fiquem completamente esmagados pela argumentação dos vendedores. Aliás este ano, na feira de Santiago, havia um pavilhão a vender estas pulseiras e cujo vendedor era de uma ignorância crassa sobre os mais elementares princípios da Física.

Depois temos uma lista de “ilustres” personalidades que usam a citada pulseira e, pelos vistos com resultados “surpreendentes”. Em primeiro lugar, temos o futebolista Cristiano Ronaldo assim como a sua namorada russa. Depois há uma actriz de telenovelas que afirmou que notou “logo algumas diferenças, sobretudo no ginásio, porque obtemos melhores resultados no que respeita a força e flexibilidade".

Uma atleta de karaté disse "Senti logo mais força nos exercícios que me fizeram e quis logo a pulseira.” Mas depois fez uma observação muito interessante quando disse "se atletas de alta competição como o Cristiano Ronaldo ou o Rafael Nadal usam é porque tem alguma vantagem”. Aqui está a chave do negócio. Basta garantir a cooperação, bem paga, de alguns atletas de nível mundial para logo os incautos seguirem aquele simples mas falso raciocínio.

Existe depois uma plêiade de “famosos” rendidos à “milagrosa” pulseira que reúne nomes como Emídio Rangel, Ricardo Carriço, Nélson Évora, Carlos Saleiro, Bibá Pitta, Helena Coelho ou Alexandra Lencastre. Com tão ilustres personagens, muito versadas em Física Quântica, a usarem a pulseira, quem se atreverá a contestar a sua eficácia?

A eficácia das pulseiras, segundo o representante de uma das marcas em Portugal, é dada por “dois hologramas com programas secretos. Em contacto com o campo magnético da pessoa, os hologramas equilibram as cargas positivas e negativas.” Só nesta simples frase há três erros científicos. Não há hologramas secretos pois eles são perfeitamente visíveis. Não existe nenhum campo magnético no corpo humano. E, finalmente, o campo eléctrico é que tem cargas positivas e negativas e nunca o campo magnético. Mas isto são ninharias dos cientistas, que tudo contestam, e que não interessam aos “famosos” que usam tão prestigiado adereço.

As pulseiras eram vendidas inicialmente a 40 euros. Depois começaram a surgir outras marcas e já se vendiam a 35 euros mas como a “maldita concorrência” já é muita e as pulseiras, que nada têm de secreto, saem de fábrica ao “preço da chuva” já é possível comprar pulseiras na Internet a 15 euros.

Em breve os chineses vão entrar no mercado e as pulseiras serão vendidas, nas suas lojas, a preços irrisórios. Então os “famosos” que hoje as usam com ostentação irão rapidamente deitá-las fora pois, de repente, sentirão que estão a fazer uma figura ridícula, socialmente, utilizando uma simples pulseira de plástico à venda nas lojas dos chineses e qualquer humilde cidadão também a poderá usar.

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