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07/09/2010 - Diário de Notícias Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Burlão de arte dizia ser próximo da Casa Real lusa

Por: Rute Coelho


Suspeito tinha Picassos, Mirós e Caravaggios na sua residência. O 'marchand' afirmava ter sangue azul. A PJ apreendeu-lhe 27 quadros falsificados de grandes mestres.

Foi a maior apreensão de sempre feita pela Polícia Judiciária de quadros falsificados de pintores de renome internacional. A secção de obras de arte da PJ detectou e apreendeu 27 quadros falsos, atribuídos a grandes vultos da pintura universal como Picasso, Miró, Matisse, Chagall, Degas, Caravaggio, Renoir, entre outros, comunicou ontem a PJ.

A maioria das obras estava na posse de um burlão "distinto" de 55 anos, que foi detido em flagrante delito na sua casa apalaçada de Cascais após uma busca domiciliária realizada por inspectores especialistas na área. A maioria das obras foi apreendida durante essa busca à sua residência.

O detido pela PJ apresentava-se como um marchand de sangue azul, cuja família teria tido ligações próximas com o falecido ditador António de Oliveira Salazar e com figuras da Casa Real portuguesa, apurou o DN com fonte ligada à investigação. É licenciado em Economia e gosta de ser tratado por "senhor doutor".

O objectivo deste "burlão típico" era colocar as obras no mercado, vendendo-as como autênticas. O lucro estimado seria sempre superior a dois milhões de euros, adiantou a fonte. Só algumas pinturas em técnica mista de Caravaggio ou Picasso renderiam 300 mil euros cada.

No esquema montado pelo burlão aristocrata não faltava nada, nem mesmo os quase 20 certificados de autenticidade das obras, emitidos por galerias de Paris e Nova Iorque. Segundo apurou ainda o DN, a PJ irá enviar cartas rogatórias, pelo menos para as autoridades judiciárias norte-americanas e francesas, visto que algumas das galerias que passaram os certificados se localizam em Nova Iorque e Paris. "Queremos perceber o que aconteceu e que teias de cumplicidade internacionais existem", afirmou ao DN o coordenador da secção de obras de arte, João Oliveira.

Alguns dos quadros apreendidos foram já sujeitos a peritagem. Ainda não foi possível determinar se o burlão falsificou a maioria das obras ou apenas algumas.

A investigação da PJ, que durava há meses e que recebeu o nome de "Operação Traço Fino", permitiu perceber que alguns Picassos, Mirós e Matisses foram introduzidos no circuito dos leilões com valores de saída de 50 mil euros. Devido à crise económica, ninguém lhes pegou. Mas alguns quadros foram adquiridos como verdadeiros por comerciantes de arte da Grande Lisboa. Um deles foi lesado em cem mil euros, apurámos, mas vários outros foram prejudicados. "Esta foi a maior apreensão de sempre efectuada em Portugal envolvendo tão consagrados autores, o que é indiciador do país integrar as grandes rotas internacionais da falsificação de pintura", afirmou o coordenador da secção de obras de arte, João Oliveira.

O detido foi constituído arguido com termo de identidade e residência. Presente a primeiro interrogatório judicial foi sujeito ainda a apresentações periódicas no posto policial da sua área de residência, neste caso, Cascais. O homem de 55 anos é casado com uma cidadã estrangeira que também aparenta ser da classe alta. Até ao momento, a PJ não tem dados que indiciem a mulher do burlão por possível cumplicidade no negócio do marido. Mas os inspectores da secção de obras de arte vão continuar a investigação, até para perceber as ramificações nacionais (possíveis comerciantes envolvidos) e internacionais (galeristas e peritos envolvidos).

O marchand tem antecedentes criminais por burla. Também foi detido várias vezes no estrangeiro pelo mesmo crime. Na década de 90 chegou a ter pedidos de paradeiro e mandados de detenção emitidos pelas autoridades judiciárias portuguesas.

A Polícia Judiciária alertou, no comunicado de ontem, os eventuais interessados na aquisição de pintura para que "adoptem todas as cautelas no sentido de verificarem a sua origem e garantirem a sua autenticidade, antes de concluírem os negócios, devendo, em caso de dúvida, contactar os serviços com- petentes da PJ". Fica o recado para os interessados.

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