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05/08/2010 - O Estado de Minas Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Madoff mineiro tramou golpe há seis meses

Por: Sandra Kiefer


Seis meses antes de fugir, o investidor Thales Maioline já dava indícios de que preparava o golpe de R$ 50 milhões, levando o dinheiro de 2 mil investidores de 14 cidades mineiras. Neste período, o empresário teria começado a recolher contratos assinados em nome da Firv Consultoria e Administração de Recursos Financeiros Ltda., além de pegar de volta dos clientes os cheques-caução a partir de R$ 10 mil, assinados por ele, que eram oferecidos em garantia das aplicações nos fundos de investimento da empresa, com rentabilidade de 5% ao mês e mais 11% ao fim do semestre. Comparado a Bernard Madoff, ex-investidor de Wall Street acusado de aplicar o golpe da pirâmide, Maioline teria se esforçado para retirar da praça todos cheques-caução, inclusive os já vencidos.

“Era prática comum do Thales distribuir cheques-caução como garantia de aplicações de R$ 10 mil, R$ 20 mil. Seis meses antes, ele parou com isso. Começou a recolher tudo, inclusive os já prescritos”, informa o advogado Rodolfo Rezende, representante de 12 ex-funcionários e ao mesmo tempo investidores da Firv, que perderam dinheiro no negócio. Segundo ele, nos últimos seis meses Maioline teria também transferido parte dos bens da família para o nome de laranjas, além de distribuir procurações públicas para os sócios da empresa, incluindo a irmã Ianny Márcia Maioline e o administrador Oséias Marques Ventura. “Os últimos atos de Maioline à frente da empresa já demonstrava má-fé. Aparentemente, já estava nos planos dele dilapidar o patrimônio da empresa e dificultar o resgate dos valores investidos”, afirma o advogado.

Para tentar reaver parte do prejuízo dos clientes, Rezende determinou a busca dos bens em nome de Maioline, dos sócios e familiares nos sete cartórios de imóveis de Belo Horizonte. Segundo ele, até agora só foram confirmadas a posse de dois carros importados, de casa no Bairro Santa Rosa, na Região da Pampulha, além das salas da empresa no Bairro Buritis, Região Oeste de BH. Já está descartada a propriedade de uma pousada em Alcobaça (BA), onde Maioline teria participação nos lucros, que legalmente não seria dele e estaria registrada em nome de laranjas. “Para ter a confirmação dos imóveis e entrar com ação de arresto de bens em defesa dos meus clientes, vou precisar contar com a apuração que consta do inquérito policial, pois é impossível rastrear a posse de imóveis em locais diversos do país, como terras em Goiás, investimentos em Porto Seguro (BA) e redes de restaurantes”, explica.

A fala de Rezende consta também de depoimento prestado quarta-feira por ele ao delegado Anselmo Gusmão, da Delegacia de Combate às Falsificações e Defraudações de Belo Horizonte. O delegado ouviu ainda outras nove testemunhas, a maioria de lesados pelo golpista, mas não quis conversa com a reportagem do Estado de Minas que, na véspera, denunciou que a Polícia Civil já tinha informações sobre o caso três meses antes do golpe. Segundo o chefe do departamento, delegado Island Batista, a força-tarefa formada na delegacia está se empenhando em ouvir o maior número de depoimentos sobre o caso em 30 dias, prazo legal previsto para a conclusão do inquérito.

“Os investidores estão se perguntando porque a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pegou no pé da Firv e não levantou suspeita sobre a Umuarama, que era a corretora da empresa”, diz Marco Antônio de Andrade, advogado dos sócios de Maioline. A reportagem tentou falar com a Umuarama, que se negou a dar declarações, alegando que apenas a Polícia Federal poderia responder pelo caso. Na sua página na internet, a corretora informa administrar investimentos de 20 mil clientes em 40 cidades, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro. Perguntada sobre a participação da corretora, a CVM informa que não se pronuncia em relação a fatos isolados, mas que está estudando o caso. Na terça-feira, a Polícia Federal instaurou inquérito contra o Firv, em sua Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros (Delefin), para investigar possível ocorrência de crime contra o sistema financeiro.

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