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02/08/2010 - O Estado de São Paulo / Ag. Estado / New York Time Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Pirataria mira marcas menos famosas

Por: Stephanie Clifford

Depois das grifes de luxo, falsificadores chineses descobrem como ganhar muito com marcas nem tão conhecidas, mais fáceis de vender na internet.

Depois de anos falsificando produtos de luxo como bolsas Louis Vuitton de US$ 2,8 mil, os criminosos estão descobrindo que podem lucrar com a falsificação de artigos mais simples - como as bolsas Kooba, de US$ 295, e as botas Ugg, de US$ 140. Na Califórnia, as autoridades apreenderam recentemente um carregamento de papel higiênico falsificado da marca Angel Soft.

A mudança na indústria das falsificações, que custa às empresas americanas cerca de US$ 200 bilhões por ano, deve-se à procura dos consumidores por ofertas num período de baixa no mercado, dizem as autoridades. E foi em parte abastecida por fábricas ociosas na China.

Quase 80% dos artigos falsificados apreendidos nos Estados Unidos no ano passado foram produzidos na China, onde o declínio na exportação de produtos legítimos durante a recessão fez com que muitas fábricas procurassem algum tipo de artigo - legítimo ou não - para manter a produção.

"Se houver demanda, haverá oferta", disse John Spink, diretor do Programa de Proteção ao Produto e Combate às Falsificações, da Universidade Michigan State. Ele diz que, na China, "é como se, de repente, todos dissessem: estamos com a capacidade em baixa. O que podemos produzir?" Cada vez mais, a resposta surge na forma de produtos piratas imitando marcas menos conhecidas, que são fáceis de vender na internet, podem ter preços mais caros do que falsificações óbvias, e escapam dos programas agressivos das marcas de luxo para proteger seus nomes, dizem funcionários da alfândega e varejistas.

O resultado: bolsas Samantha Thavasa falsas por US$ 113 e agasalhos Ed Hardy falsificados por US$ 82,50. E, por incrível que pareça, até imitações que são mais caras do que o produto original: em 2007, Anya Hindmarch comercializou sacolas de lona estampadas com a frase "Não sou um saco plástico" por US$ 15. Agora, imitações podem ser encontradas na rede por US$ 99.

"Se o produto dá lucro nos EUA, a ideia será copiada e adaptada fora do país", diz Jonathan Erece, coordenador do Departamento Alfandegário e de Proteção da Fronteira dos EUA, na Califórnia. "É como um jogo de gato e rato". Os vendedores de falsificações de preço intermediário se valem de outro truque: ao estabelecer o preço de seus produtos falsos num patamar muito próximo ao dos legítimos, eles atraem compradores desavisados.

Enganação. Qualquer consumidor experiente sabe que uma bolsa Louis Vuitton por US$ 100, por exemplo, não pode ser legítima. Mas quando o site NeimanMarcus.com, revendedor autorizado das bolsas Kooba, vende o acessório por US$ 295, e um pequeno site na rede as oferece por US$ 190, um consumidor em busca de promoções pode achar que encontrou uma pechincha e, na verdade, está levando um "pirata".

"Se os preços forem próximos, alguns consumidores são tapeados", disse Robert Barchiesi, presidente da Coalizão Internacional de Combate à Falsificação, uma associação da indústria. "Eles podem estar procurando um preço melhor, mas sem abrir mão da legitimidade do produto". Os falsificadores estão também copiando fotos e textos dos sites legítimos.

"O consumidor nada sabe a respeito da origem do produto", disse Leah Evert-Burks, diretora de proteção à marca da Deckers Outdoor Corporation, proprietária da Ugg Australia. "Os sites falsos ficam prontos rapidamente, e os falsificadores copiam as fotos e os textos da nossa página, fazendo com que o site deles tenha a mesma aparência e funcionamento" do site legítimo da empresa, disse ela.

Apesar de tudo isso ser ilegal, as autoridades não divulgam dados a respeito de quais produtos e quais marcas são mais afetados pela pirataria. Mas designers e especialistas da indústria disseram que a tendência das falsificações de artigos menos luxuosos se tornou mais perceptível ao longo do ano passado.

Trata-se de um setor amplo: o valor total dos artigos falsos apreendidos por funcionários do serviço alfandegário americano aumentou mais de 25% por ano entre 2005 e 2008. No ano fiscal de 2009, com uma queda total de 25% nas importações como um todo, o valor do montante de produtos falsos apreendidos caiu apenas 4%, totalizando US$ 260,7 milhões.

Empresas e especialistas dizem que as estatísticas do governo dão conta de apenas uma parte do problema, pois muitos falsificadores vendem diretamente para o consumidor por meio da internet, e muitas destas vendas escapam à atenção das autoridades. "Na rede, é muito mais difícil" manter a vigilância e garantir o cumprimento da lei, disse Todd Kahn, conselheiro geral da Coach, fabricante de bolsas e acessórios.

Isso é especialmente verdadeiro para as marcas menores, como descobriu Anna Corinna Sellinger, cofundadora e diretora de criação da Foley & Corinna, empresa nova-iorquina de roupas e acessórios. Alguns anos atrás, ela começou a pesquisar o preço dos artigos de sua empresa revendidos no eBay. Sua bolsa urbana, atualmente vendida por US$ 485, era um produto procurado, mas em algumas das ofertas "havia algo estranho, como uma cor que nunca fizemos ou um tipo de couro que nunca usamos", disse ela.

Com a proliferação de um número cada vez maior de sites de vendas, Anna encontrou mais e mais falsificações de seus produtos na internet, até o dia em que finalmente desistiu de procurar por elas. "É muito frustrante", disse a empresária. "Por mais que tentemos fazer alguma coisa, estamos lutando contra um mercado muito grande e ágil." / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALILD

PARA LEMBRAR

Apreensão de piratas cresceu 324% no País

O Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNCP), órgão consultivo do Ministério da Justiça criado em 2004, considera que o Brasil, por ter uma das cinco maiores populações do planeta, tornou-se um mercado consumidor importante e atrativo para a venda de produtos pirateados e falsificados.
O consumo de produtos contrabandeados no Brasil cresce de forma preocupante. De 2000 a 2009, o volume anual de mercadorias apreendidas aumentou 324,6%, passando de R$ 333 milhões para R$ 1,4 bilhão.
Apesar do aumento de apreensões, não há como calcular quanto isso representa do comércio ilegal. Enquanto o Paraguai funciona como centro de distribuição, a China segue como o maior fornecedor de produtos piratas, segundo os dados oficiais. O status brasileiro no mundo da pirataria ainda é o de país consumidor. Esse perfil vem mudando com o aumento da banda de acesso à internet, que facilita a falsificação de CDs e DVDs.

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