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20/05/2007 - O Tempo Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

É fácil abrir falsas empresas

Por: Bianca Melo e Frederico Damato


Os números impressionam. A cada mês, 20 empresas são criadas em Minas Gerais com documentos roubados ou falsificados. O dado, levantado na Delegacia de Falsificações e Defraudações, supera a média de 15 por mês do ano passado e está preocupando a Polícia Civil.

Do total de casos, 80% são registrados na capital. Segundo o delegado Nelson Fialho, das 20 empresas, pelo menos 16 foram originadas com dados de pessoas que perderam os documentos. O restante é feito com o uso de identidade falsa ou de empresas desativadas.

A artimanha prejudica o poder público, que recebe uma rasteira ao deixar de receber a pesada carga de impostos a que tem direito. Mas os consumidores também são vítimas diretas. Um exemplo de golpe é o aplicado por falsas financeiras.

Alguns minutos ao telefone e o golpista arranca dinheiro da vítima, prometendo empréstimo de forma simples e rápida, a juros baixos e com pouca burocracia. Depois de exigir um depósito, como forma de seguro, o responsável pela financeira desaparece.

As práticas ilegais, que lesam o Estado ou o cidadão, convergem para um ponto em comum: a fragilidade da fiscalização, a precariedade da comunicação entre órgãos públicos, a vulnerabilidade da população e o sentimento de impunidade que fermenta nesse meio e inspira os golpistas a criarem novas empresas fraudulentas e aplicarem golpes.

?Hoje, nem a Junta Comercial de Minas Gerais (Jucemg), a Receita e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) têm acesso ao sistema da polícia para saber se há registro de ocorrência para o documento apresentado na hora de abrir a empresa?, explica o delegado Nelson Fialho.

O cenário mostra que muitos crimes de estelionato e contra a ordem econômica são originados nos ataques de ?mãos leves?, que roubam documentos em plena luz do dia e, ainda, comercializam o produto do roubo em locais explícitos, como o centro da cidade.

Os esquemas estão na mira da polícia, que investiga os crimes de falsidade ideológica e monitora as ações de contabilistas, acusados de agirem na montagem dos esquemas.

No ano passado, 46.663 pessoas perderam ou tiveram roubados os documentos só em Belo Horizonte, conforme informações da Polícia Militar. Mesmo quem perdeu e registrou Boletim de Ocorrência (BO) na polícia não está livre de ter o nome usado por falsários.

Golpistas

No ramo dos golpistas, 67 empresas fraudulentas foram interceptadas pela delegacia do consumidor em 18 meses, com a prisão em flagrante de 40 pessoas. Entretanto, 39 suspeitos respondem os processos em liberdade, e um está foragido.

?Responder em liberdade motiva o golpista a formar novas empresas?, observa o delegado Horivelton Cabral. Uma delas é a Master Real Empreendimentos, sociedade em conta de participação que já causou prejuízos incalculáveis a centenas de pessoas.

A vítima pede o crédito, tem a promessa de receber a verba em poucos dias, mas deve adiantar uma quantia como seguro. Resultado: não recebe o empréstimo e nunca mais terá de volta o dinheiro que depositou.

Os altos números de fraudes têm feito as instituições mudarem de postura. A Secretaria da Fazenda e o Ministério Público Estadual intensificam as operações de caça aos sonegadores, a Junta Comercial criou, no ano passado, a central de documentos roubados e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) faz, desde 2001, cruzamento de dados dos documentos apresentados à Receita com os dados sociais da Caixa Econômica Federal.

Há até corporativismo entre ambulantes

Na praça Sete, os nomes de Boy e Paulista são familiares a muitas pessoas que conhecem a área. Ambulantes que circulam pelo local citaram os dois como sendo os especialistas em obter os documentos. O contato da reportagem, Tiago, garante que, além de documentos originais, consegue falsificados também.

?Neste caso é mais caro?, informa sem querer falar em valores. Os falsificados, segundo ele, são originais com fotos trocadas impecavelmente. Um vendedor de jóias abordado na praça Sete garantiu que, ?em pouco tempo? conseguiria uma carteira de motorista por R$ 600 (falsificada) ou R$ 1.800 (original).

A ação é livre sob as vistas de pessoas que conhecem o esquema e de policiais que passeiam pela área mais movimentada da capital mineira.

O ponto ?mais fácil? de encontrar os agentes é o quarteirão da rua Carijós, entre a rua São Paulo e a avenida Afonso Pena, bem atrás do posto de atendimento do Psiu. A origem do documento não é revelada, mas a fonte garante que é ?parada quente?.

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