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18/05/2007 - G1 Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Disque-denúncia nas empresas: o perigo trabalha ao lado

Por: Fernando Scheller e Ligia Guimarães


Você anda fazendo algo escondido do seu chefe? É bom ficar atento: nas relações de trabalho, o perigo pode estar na mesa ao lado. Ou na da frente. Ou servindo cafezinho. Com o serviço de disque-denúncia corporativo, que funciona em algumas empresas no Brasil e no exterior, funcionários, prestadores de serviço ou fornecedores de uma companhia podem "dedurar" para o chefe qualquer comportamento de colegas que aparentem contrariar a política da empresa. Detalhe: tudo no mais absoluto sigilo.

O recurso divide opiniões: alguns especialistas consideram que o disque-denúncia restringe demais a privacidade do funcionário. As companhias que adotam o sistema rebatem a acusação. "Toda denúncia é investigada, comprovada e documentada. Não estoura do lado mais fraco“, garante o gerente geral jurídico da Philips no Brasil, Ricardo Resende.

Como funciona

Foi da unidade brasileira da Philips, companhia holandesa presente em 60 países, a iniciativa de criar a chamada "linha ética" em 2001 - um canal para que os funcionários pudessem se comunicar com a empresa sem serem identificados. A idéia agradou, foi copiada, e hoje é aplicada em todos os países onde a Philips atua - menos na França e Alemanha.

Funciona assim: todo funcionário da companhia recebe o código de conduta e princípios gerais de negócios da companhia, que deve orientar o comportamento corporativo dos funcionários em todo o mundo. Em meio à papelada do código, está o número do 0800 da empresa. O "delator" reporta o caso para uma central nos Estados Unidos e é atendido na língua de seu próprio país.

Constrangimento

Segundo Resende, nos seis anos em que o sistema funciona, todo tipo de situação já foi reportada à central: uso indevido de equipamento da companhia, pessoas que gastam o dinheiro do cartão da empresa para fins pessoais, chefe que trata mal o funcionário, ou mesmo desavenças entre pessoas de um mesmo setor: desde o ano passado, foram 392 ligações.

Alguns casos já acabaram em demissões, até em nível gerencial. “Um gerente disse que uma pessoa não poderia trabalhar com ele porque não se enquadrava no padrão estético que ele queria. É totalmente contra a cultura a pessoa na empresa”, diz. Na maioria das vezes, depois de comprovada a denúncia, o funcionário é entrevistado e orientado pela equipe de RH da empresa.

Wagner Costa, diretor de recursos humanos da BD, empresa norte-americana de equipamentos médicos que também mantém um disque-denúncia, garante que o sistema não constrange ninguém. “Não existe ambiente de desconfiança, pois o sistema já é maduro e as pessoas o utilizam de forma responsável. Todos sabem que não haverá nenhum tipo de retaliação, punição quando usam o sistema e agem de boa fé”.

A empresa também esclarece que tem código de conduta e desde 1995 tem linhas abertas para a comunicação não-identificada dos funcionários. “Agir de boa fé não significa que o associado esteja certo em suas suspeitas, mas que ele disse a verdade como a conhece”.

Terceirização

Para evitar a impressão de perseguição, algumas companhias preferem terceirizar o serviço. Com alguém de fora analisando as denúncias, o processo de investigação tende a ficar menos pessoal. Entre as companhias que atuam neste mercado está a consultoria KPMG. Segundo a empresa, alguns sistemas de disque-denúncia já ampliaram seu escopo: as linhas telefônicas e endereços de e-mail recebem informações não apenas de funcionários, mas também de fornecedores e prestadores de serviço da empresa.

Desta forma, todos relacionamentos que possam resultar em fraudes - e, conseqüentemente, prejuízos à companhia - ficam cobertos. Segundo Werner Scharrer, sócio da KPMG, a companhia achou que o serviço que prestava a seus clientes era tão bom que decidiu implantá-lo internamente. Há alguns meses, a consultoria implantou seu próprio disque-denúncia.

Paredes com ouvidos

Para o advogado trabalhista José Guilherme Mauger, sócio da PLKC Advogados, o sistema de fiscalização é bom para casos extremos – como pornografia infantil pela internet, por exemplo - mas não funciona para resolver problemas comuns do dia-a-dia da empresa. Além disso, utilizar os empregados para fiscalizar a empresa pode parecer um pouco abusivo. “O funcionário vai denunciar, mas não é ele quem deveria fiscalizar o trabalho do outro funcionário. Pode ter um certo abuso adotar como agentes fiscalizadores os próprios empregados”, avalia.

Segundo ele, o ideal seria que a comunicação entre "delatores" e empresa acontecesse de maneira aberta e identificada. "A falta de identificação no ambiente de trabalho me parece uma coisa meio ‘Big Brother’, uma vigilância negativa. É um método meio antipático e que me causa estranheza", diz. Segundo ele, embora não haja nada previsto na CLT sobre o disque-denúncia, o funcionário que se sentir constrangido pode se defender com uma reclamação trabalhista por assédio moral.

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