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14/02/2006 - Jornal Hoje (Globo) Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Golpe do Emprego

Por: Fábio Turci


O “golpe do emprego”, em que empresas oferecem uma vaga garantida – o candidato só tem que pagar por um teste psicológico. Mas o emprego nunca aparece. O Jornal Hoje denunciou o golpe há um ano e três meses, mas ele continua sendo aplicado.

Depois de cinco meses sem trabalho, Douglas foi procurado por uma empresa de recolocação. Uma funcionária, chamada Márcia, disse que havia uma vaga para ele numa multinacional. “Márcia, esta pessoa que me atendeu falou que uma multinacional no ABC tinha interesse no meu currículo e encaminharam para eles. Então, possivelmente, essa empresa pegou em algum site de recolocação profissional na internet”, conta ele.
Mas, antes de fazer a entrevista na multinacional, ele teria que pagar R$ 1310,00 por um teste psicológico. “O teste ela falou que não aprovaria nem reprovaria, era um teste só pra ver realmente meu perfil psicológico, uma vez que o meu currículo já estava analisado pela empresa”, lembra Douglas.

O rapaz, que trabalha com seguros, fez o teste mas não foi chamado. “No momento que eu paguei, eu já paguei com débito em conta”, diz. Só aí, ele descobriu que estava caindo num golpe que o Jornal Hoje denunciou há mais de um ano. Empresas de recolocação vendem testes ditos “psicológicos” em troca de vagas que nunca aparecem. Induzem o desempregado a assinar um contrato como o de Douglas, em que vem escrito que prestam serviços de recolocação e não garantem a vaga. “Ela só me deu o contrato após o pagamento”, lembra.

O rapaz voltou à empresa para tentar receber o dinheiro de volta, e nossa equipe acompanhou.
Funcionário 1: “Se você quer tentar reaver o valor mesmo, é que nem você falou, vá no tribunal de pequenas causas.” Douglas: “É, o José me aconselhou a isso...” Funcionário 1: “É um direito seu.”

Um outro funcionário da empresa é chamado. Douglas insiste que só pagou o teste porque a vaga foi prometida.

Funcionário 2: “Você tem que esquecer um pouco o que a Márcia te passou.” Douglas: “Mas aí que ta, José! Mas eu fiz tudo isso mediante o que ela me falou!” Funcionário 2: “Eu sei disso. Você não tem garantia de nada, ainda.”

Os funcionários dizem que a tal entrevista ainda pode ser marcada, e que Douglas não deve se desesperar. “Ele aproveitam desse de fragilidade, porque está desempregado, você fica psicologicamente afetado“, diz Douglas.

Só contra a empresa que procurou Douglas, a polícia de São Paulo abriu 37 inquéritos desde o ano passado. Mas os golpistas ainda não foram processados. Onze investigações foram arquivadas pela justiça e as outras 26 ainda não foram concluídas pela polícia.

Há mais de um ano o Ministério Público também vem investigando esse tipo de empresa. Duas foram condenadas e estão recorrendo. Nenhuma foi fechada. “O processo judicial é um pouco demorado, até porque existe uma garantia constitucional que é a garantia da ampla defesa”, explica a a promotora de justiça Maria da Glória de Almeida.

Enquanto o golpe continua sendo aplicado impunemente, resta ao cidadão se proteger. A advogada Mira Feltrin lembra que nada deve ser pago sem ler o contrato antes. E diz que é preciso desconfiar dos testes. “Sempre ponderar: se já há uma vaga determinada, porque que precisa fazer esse teste para determinar o perfil novamente?”, questiona.

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