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01/07/2010 - Visão Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Se há fraude é porque EU quero!

Nova crónica da secção Gestão de Fraude, desta vez da autoria de Henrique Santos.

Há que assumir com toda a frontalidade. Acabaram-se as desculpas, a responsabilização de terceiros, o apontar o dedo, o eu não fui. E isto só acontece em Portugal, e se fosse nas Europas (e há muitas) isto não era nada disso, e por aí adiante. Chega!

Perante vós assumo a minha responsabilidade. Sou eu o culpado pela existência da Fraude. Pronto. Agora condenem-me e o problema está resolvido.

Ups! Não há legislação para me condenar? O legislador não previu que alguém se confessasse culpado de fraude? ..."Oooooolha", agora vem-me este com o legislador, outra figura mítica que ninguém conhece, ninguém sabe quem é, mas todos o escolhem. Sim até os que não votam o escolhem, ou por omissão, ou por anuência. Bem, pelo menos tem género... por acaso não, acho que pode ser qualquer um dos dois ou mesmo hermafrodita.

Ética à parte, porque essa só a nossa consciência ou a religião condena, o povo (seja lá ele quem for), começou a achar a ideia da impunidade algo que não lhe parecia bem, e, para que me condenassem, mandei o legislador legislar. Pedido que eu fizesse! O legislador começou a produzir texto, mais texto, mais texto...., que nunca mais fui condenado, tal era a complexidade da coisa. Tudo prescreveu e, por mais leis que fizesse, mudanças, alterações, ficou tudo de tal forma num imbróglio, que foram obrigados a destruir as provas. Depois, afinal, já tinham sido usadas para outro processo, mas como foram destruídas também já não podiam ser novamente utilizadas. Enfim, um rosário de trocas e baldrocas que me mantém sossegado no meu canto, e, com um jeitinho, ainda me vão ressarcir por danos causados! Então eu dou-me como culpado, sou humilhado, não me condenam e fico assim, sem os meus minutos de antena, de palco? Não... Era o que mais faltava.

Quando vejo tourada, uma coisa é certa, torço mais pelo touro que pelo toureiro, isso, meus amigos, peço desculpa... o touro não tem culpa. E ele que não tem culpa é condenado, e eu que sou culpado, nada! Alguém tem de pagar por isso!

Basta, mudei de ideias. Afinal a culpa não é minha. Estou aqui há imenso tempo a dizer que sou culpado e ninguém faz nada. Não tenho culpa que ninguém me dê ouvidos. Eu não fui. Sei lá, não vi,... foram esses, os do rendimento mínimo, ... são todos iguais, não sei nem quero saber.

Agora vou ler o texto em voz alta da varanda de minha casa. Acham que alguém me vai ligar alguma? (vão também lê-lo em voz alta). Às páginas tantas ainda sou capaz de "ter a sorte" de me atribuírem o rendimento mínimo (social de inserção), dado que não devo estar bom da cabeça, e não posso trabalhar.

... e vieram prender-me, e até hoje não sei porquê.

Depois da preventiva, mandaram-me para a casa com a pulseira.

Aguardo serenamente que me venham trazer a indemnização!

(o texto apresentado é pura ficção, pelo que qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência)

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